segunda-feira, 4 de junho de 2012


NO DIA INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE

Nossas homenagens àqueles que não mediram esforços para garantir a preservação dos recursos naturais, fazendo valer o reconhecimento do Encontro das Águas como patrimônio cultural do povo brasileiro.
A data foi proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ser lembrada pelo mundo afora como dia de reflexão e de cobrança em defesa do meio ambiente limpo, saudável e protegido. O5 de junho passou a ser um marco significativo para todos que lutam em defesa da qualidade de vida no planeta. As celebrações no Brasil ganham corpo por se antecipar as manifestações da Rio+20, quando Sociedade e Estado deverão promover um amplo debate no Rio de Janeiro, retomando os feitos da Agenda 21, na perspectiva de se conferir o que realmente os governantes fizeram para o cumprimento do ordenamento da ECO-92. Sendo assim, deve-se cobrar do governo brasileiro como dos demais Estados signatários da ONU, o que realmente fizeram de concreta em favor das garantias ambientais tanto local como no mundo. Visto que, a governança ambiental é compartilhada, devendo ser pública e responsável salvaguardando a biodiversidade para a presente e futuras gerações.

O NCPAM que integra o Movimento S.O.S Encontro das Águas, desde 2008 vem lutando para garantir o Tombamento Definitivo do Encontro das Águas como patrimônio cultural do povo brasileiro. Nessa trajetória, junto com as demais instituições e representações comunitárias tem buscado superar graves problemas, a começar pelo governo do Amazonas que representou contrário ao Tombamento, manifestando seu apoio à construção de um terminal portuário no frontal desse ícone que é sem dúvida o cartão postal do Amazonas. A data é oportuna para também se homenagear aqueles que muito contribuíram para a sustentação do reconhecimento do Encontro das Águas do patrimônio do nosso povo.  No momento, nossas homenagens aos moradores da Colônia Antonio Aleixo, Zona Leste de Manaus, em particular, a Dona Maria do Carmo Amorim Sanches (foto), que apesar de suas limitações físicas, não mede esforço de participar das incursões pelo complexo do Encontro das Águas, identificando as ameaças que pairam contra esse bem de valor incomensurável.


Maria do Carmo Amorim Sanches, que aniversariou no dia 02 de junho, completando 79 anos, é uma das nossas homenageadas pelo dia internacional do meio ambiente. É bem verdade que nela depositamos todo nosso afeto e reconhecimento, agregando valor e respeito pelos que resistiram em defesa das garantias ambientais do Lago do Aleixo que é um dos braços do corpo do Encontro das Águas.

Da mesma forma, estendemos o nosso reconhecimento ao pesquisador e fotógrafo Valter Calheiros, que pela sua competência e habilidade tem recortado belas imagens (ver fotos) que servem de documentos etnográficos para sustentação da defesa do patrimônio Encontro das Águas. O trabalho desse pesquisador e fotógrafo do Movimento S.O.S Encontro das Águas é mais do que um feito, é luz sinérgica a mobilizar força para garantir o pulsar da vida num território ameaçado, que requer de imediato reação contrária, fincando a esperança num mundo ambientalmente justo e economicamente sustentável. Nossas homenagens a todos e todas que contribuíram e contribuem para a garantia efetiva de Tombamento do nosso Encontro das Águas como patrimônio cultural nacional. O desfecho desta luta, contrariando a vontade do governador do Estado e dos arrivistas locais, encontra-se em disputa em Brasília, aguardando o julgamento dos doutos para garantir o Tombamento definitivo do Encontro das Águas.

domingo, 3 de junho de 2012

QUEM AMA CUIDA



CONTRA OS SAQUEADORES DA MANAUS QUE AMAMOS
Para compreender a cidade é necessário avaliar as políticas públicas de seus governantes e o compromisso de seus parlamentares. Mas, não basta somente, o mais importante é examinar o quanto o seu povo, sua gente, seus usuários a conhecem para amá-la e respeitá-la.
                     
                                         Ademir Ramos (*)
       A cidade é um corpo vivo que requer de seu governante respeito público e amor total. Manaus sofre há décadas as consequências de políticas que menosprezam tanto um como outro, sangrando, desta feita, a cidade e seu povo pela prática saqueadora instituída que gera exclusão social, extrema pobreza, corrupção e desmando. A cidade que deveria ser protegida dos males sociais passa a ser violentada pelos seus saqueadores que tomam de assalto o governo, expropriando o bem público para satisfazer a voracidade dos comparsas em confronto aos interesses populares e republicanos.
                       
Cidade é campo de felicidade quando amada por seus filhos cidadãos e respeitada pelos seus governantes. Contrário a estes valores, a nossa cidade transforma-se num covil de bandidos ladeados por corruptos a espalhar o medo, a insegurança e a indiferença. A questão posta recorre ao amplo debate entre o público e o privado, primando, sobretudo, pelo zelo, cuidado e respeito, para que a nação e seu povo desenvolvam-se de forma sustentável, manifestando coragem, determinação e pertencimento.

Esta marca da superação é um processo de reconhecimento da potencialidade de sua gente, sendo capaz de respirar força e vontade para participar do combate à corrupção dos Agentes Públicos, como também dos filhos desta terra que por vicio ou talvez por ignorância compactuem com esta trama, fragilizando o corpo vivo de nossa cidade tornando-a feia e desprezível.

Contudo, o mundo das pessoas não é uma circunferência é uma rede de ralação que se estende de forma envolvente, pertencente a uma determinada cultura locada num território, dando significado aos seus valores estéticos, paisagísticos, culturais e históricos, formadores das identidades sociais referenciado pela cidade como um corpo vivo que reclama tanto dos governantes como dos cidadãos usuários cuidado, zelo e respeito para que sejam instituídas políticas públicas que garantam condições necessárias para o desenvolvimento das pessoas com sentimento de afetividade, pertencimento, lembranças, saudade, a imprimir na pessoa e na sociedade organizada a defesa de sua cidade contra seus vilões.
  
Manaus é nossa morada, devendo ser amada e valorizada pela cartografia de sua forma específica ladeada pelas águas e florestas, marcada pela cultura de sua gente. Para compreender a cidade é necessário avaliar as políticas públicas de seus governantes e o compromisso de seus parlamentares. Mas, não basta somente, o mais importante é examinar o quanto o seu povo, sua gente, seus usuários a conhecem para amá-la e respeitá-la na perspectiva de garantir a qualidade mais de sua gente, contra a corrupção e a impunidade, promovendo a vida saudável da cidade como manifestação da cidadania participativa, que recorre aos instrumentos democráticos para garantir o prazer, a satisfação de se viver com dignidade e respeito na Manaus do presente, que amamos e desejamos construir para as futuras gerações.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.       
DE VOLTA PRO MEU ACONCHEGO
        Ellza Souza (*)

Depois de quase um mês olhando outras paragens, aprendendo e observando outras culturas, voltei com saudade do meu próprio chão. Ao chegar no centro que é o berço histórico da cidade onde nasci, fiquei horrorizada com o que vi. O belo rio Negro subiu pra valer e ao avançar pelas ruas imundas de Manaus forma uma lama insuportavelmente fedorenta.

O lixo e os ratos tomam conta de cada recanto das beiradas, os ambulantes parece que incharam. Não fui à Feira Moderna, mas me avisaram que nem devo ir pois não vou encontrar boa coisa. Já imagino a podridão que se mistura aos alimentos em geral em meio a água suja do rio contaminado pela insanidade e incompetência do ser humano que teima em maltratar a natureza.

As comunidades construídas à beira dos rios e igarapés como as do Antonio Aleixo na área do Buritizal estão sofrendo horrores, pois os projetos só existem nas propagandas. As pessoas, principalmente crianças e velhos que não sabem o que fazer e muito menos para onde ir, estão sujeitos às doenças e privações. E vão ficando em suas casas rezando para a água parar.

A enchente de 2012 bateu todos os recordes. No ônibus uma mulher me deu uma informação alvissareira: sua mãe que vive no alto Solimões avisou que a água parou por lá e já está “vazando”. Logo logo pára por aqui.

Acho que falta educação, educação, educação, incluindo aí informações sobre o cuidado com o meio ambiente. Que pelo menos as futuras gerações saibam o que fazer nessa matéria já que na atual geração não aprendemos a cuidar do planeta e a diminuir o ritmo do consumo e do lixo que descaradamente jogamos no solo, na água, no espaço.

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

SEJA MAIS UM A PARTICIPAR

O povo nas ruas
Francisco Praciano (*)
 Dentre as manifestações ocorridas em várias cidades do País, nos últimos dois anos – como as que pediam a legalização da maconha ou o fim da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte – a de maior envergadura talvez tenha sido a ‘Marcha Contra a Corrupção’, que reuniu 25 mil pessoas em Brasília, no feriado do último 7 de Setembro. No entanto, apesar do pico que alcançaram, todos esses protestos que recentemente levaram milhares de brasileiros às ruas começaram a minguar.
Em um artigo publicado na Internet pelo Portal R7, no final do ano passado, alguns cientistas políticos procuravam dar explicações para esse fato. Para alguns desses estudiosos ouvidos pelo Portal, o esvaziamento dos protestos é consequência da inclusão social e do aumento da classe média ocorridos nos últimos 15 anos nos governos de FHC e Lula. Nas palavras de um desses cientistas políticos, “o brasileiro é conservador e a possibilidade inédita de comprar carro e aparelhos eletroeletrônicos só vai aumentar sua aversão às manifestações populares”. Outro cientista político afirma que “o problema é que o brasileiro não tem, mesmo, cultura de engajamento”, enquanto para um terceiro essa apatia do brasileiro está relacionada ao ‘aparelhamento’ das entidades dos movimentos sociais (sindicatos e entidades estudantis, por exemplo) nos últimos 30 anos, ou seja, da transformação dessas entidades em meros braços dos governos.
Peço que você, prezado leitor, tire suas próprias conclusões sobre o que foi dito e aproveito a oportunidade para informar que uma importante tribuna popular,  criada no final da década de 70 por professores, políticos sérios, intelectuais e jovens está de volta às praças de Manaus. Trata-se do “Projeto Jaraqui”, um fórum de discussão que se reúne nas manhãs dos sábados,  na Praça Heliodoro Balbi e que permite a participação de todos os presentes na discussão dos principais problemas da cidade e do cotidiano do cidadão. No próximo artigo, falarei sobre a importância do “Projeto Jaraqui ". 
(*) É economista e Deputado Federal (PT/AM).

DIMENSÃO CULTURAL – OS SABERES E AS TRADIÇÕES  POPULARES NO CONTEXTO DE UM MUNDO GLOBOLIZADO
          
                                                 Ademir Ramos (*)

          Reclama-se do governo do Amazonas políticas públicas assentadas na promoção, reconhecimento, valorização das culturas populares, exaltando a diversidade e os saberes do povo do Amazonas.  A contextualização do debate tem por referência as comemorações dos 40 anos do “Festival Folclórico Marquesiano”, que muito tem contribuído para o fortalecimento das práticas pedagógicas, visando garantir a participação dos agentes populares nas festas de rua, em respeito aos cantos, danças, saberes que dão visibilidades as expressões e linguagens do modo de ser de nossa gente.

 O festival começa no dia 22 e vai até o dia 24 de junho, sediado na Escola Estadual Marquês de Santa Cruz, nas imediações da Igreja de São Raimundo, padroeiro do bairro, que fica na Zona Centro Oeste de Manaus, capital do Estado do Amazonas. Antes dos folguedos populares, a coordenação do evento, organizou o I Fórum Marquesiano de Cultura, iniciando no dia 29 de maio, com encerramento no dia 01 de junho.

Na oportunidade, os organizadores buscaram repensar as suas práticas, numa perspectiva de assegurar a gestão do festival, dialogando com os parceiros quanto à possibilidade de novos investimentos para assegurar a continuidade do festival. Um dos principais ausentes do debate, embora tenha sido convidado, foi o Secretário de Estado da Cultura, Robério Braga, que tem por dever oferecer os meios necessários para o bom andamento das atividades culturais do Estado.

Bem diferente da Secretaria de Educação do Estado, que se fez presente, buscando estreitar cada vez mais as expressões e linguagens do festival na sala de aula. Esta inserção se dá de forma curricular, com destaque para a transversalidade como estratégia de desenvolvimento dos conteúdos escolares mediado pela prática da docência participativa e responsável.

Dirigismo Cultural

Os analistas da cultura do Amazonas denunciam constantemente o dirigismo cultural que orienta a política de cultura do Estado, resultando numa pratica de achatamento das culturas populares, desqualificando os protagonistas, sua história e a memória popular.

O dirigismo cultural é um a política impositiva, transplantada ou copiada por agente público serviçal, agindo contra os valores do povo, visando dominá-lo, politicamente, sob o taco de um governo populista a instrumentalizar o Estado em benefício dos interesses privados de seus apaniguados. O fato é que esses agentes e os governantes têm vergonha do seu povo, identificando-se muito mais com os valores dos seus algozes do que com a cultura do povo que lhes elegeu.

A lógica desses governantes é a mesma adotada pelo Coliseu Romano, que centralizava tudo neste lugar para dar visibilidades às imagens dos tiranos republicanos, enquanto o povo vivendo em extrema pobreza disputa entre si um pedaço de pão em forma de bolsa misericórdia. No entanto, sangra do seu corpo a coragem e a resistência de viverem em liberdade, resgatando suas tradições na forma de valores culturais radicalizados na memória coletiva da brava gente brasileira do Amazonas.       

A aldeia e o Mundo

Os governantes e seus agentes quando querem dominar e explorar seu povo desqualifica a cultura popular, floclorizando sua arte, seus saberes e o realismo cientifico de suas conquistas.  A folclorização é uma forma de não reconhecer a titularidade e o valor do bem cultuado pelo povo. Por isso, passam a projetar como se fosse um valor genérico, descontextualizado, para não reconhecer o processo criativo e muito menos a competência e habilidade de seus protagonistas.

Com o processo da globalização midiática, a massificação tornou-se uma estratégia reducionista, impondo sobre as culturas que não dominam e controlam determinado modo de comunicação um sentimento de inferioridade por ser diferente da forma dominante apresentada.

Nesse contexto, a aldeia em que vivemos pode parecer exótica, folclórica e até mesmo “selvagem” por não se enquadrar nos moldes do padrão globalizado do mercado. E para isso, tudo será feito para “integra-la” como consumidor de bens matérias e imateriais deste mundo globalizante.

Finalmente, nesse embate entre o local e o global construiu-se uma síntese radicada nas diferenças, exaltando mais a diversidade do que a hegemonia e os monopólios de mercado. Para esse fim pode-se afirmar que a economia é global, mas a cultura é local, transformando seus agentes em coluna mestra da sustentabilidade de sua história na perspectiva afirmativa das culturas das nações livres e soberanas.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do Núcleo de Cultura Política da UFAM.

SOBERANIA POPULAR

PROJETO JARAQUI  DISCUTE “CARTA DA AMAZÔNIA”

A iniciativa popular é coordenada pelo Projeto Jaraqui, que se reúnem todos os sábados a partir das 10 horas, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da polícia), no Centro Histórico da capital do Estado do Amazonas. Na pauta, a discussão sobre a “Carta da Amazônia”, debate aberto na praça e na rua, contrariando a conduta dos governadores da Amazônia e seus agentes que se encontram em Manaus, entre portas fechadas para decidir sobre o futuro da Amazônia.

A coordenação do Projeto Jaraqui vai discutir à inclusão social e preservação efetiva dos recursos naturais motivada por políticas públicas, com credibilidades das ações de governo, em respeito aos povos indígenas e demais comunidades tradicionais, centrada no manejo florestal com marcos regulatórios que respeitem o zoneamento ecológico, com certificação dos produtos florestais, áreas econômicas especiais para exportação, incorporação de tecnologia para produção de frutas em consonância a cadeia produtiva, bem como, o manejo do pescado e pequenos animais seguidos das práticas tradicionais do extrativismo da floresta, respeitando, sobretudo, a vocação de cada ecossistema.

A discussão na Praça vai contemplar também políticas públicas em atenção às cidades sustentáveis, retomando as ações e metas definidas na Agenda 21, examinando a competência dos Estados, Municípios e da União na consecução de políticas públicas, que assegure o meio ambiente saudável e a qualidade de vida das pessoas que vivem e moram na Amazônia.

A questão principal, entre outras, está na gestão desse patrimônio, que passou a ser encarado como capital verde ou economia verde. Esse processo deve ser feito de forma transparente, assegurando as comunidades locais, a participação direta nos benefícios, respeitando as culturas dos povos e preservação da biodiversidade presente no território Amazônico.

A “Carta da Amazônia” discutida pelos governadores está estruturada da seguinte forma: Princípios, propostas, Bases para sustentabilidade, Reforma Agrária e Regularização fundiária, Regularização ambiental, Terras indígenas e Unidades de Conservação, Desmatamentos e queimadas, Recursos hídricos e saneamento ambiental, Infraestrutura e logística, Planejamento regional, políticas públicas e incentivos fiscais, saúde e meio ambiente, Educação ambiental, Ciência, tecnologia e inovação, Economia florestal, Manejo florestal madeireiro, Manejo da fauna, Reflorestamento, Biotecnologia, Serviços ambientais, Agricultura, pecuária, pesca, aquicultura e energia.
       
Para os coordenadores do Projeto Jaraqui, o mais importante é definir políticas públicas de governança ambiental amparadas nos conselhos de desenvolvimento local, promovendo um amplo diálogo com as organizações sociais e os movimentos populares antes, muito antes, das determinações oficiais autoritárias. O fato é que a Amazônia requer novos investimentos em ciência, educação, cultura, tecnologia, inovação, gestão de conhecimento, entre outras frentes.   

Discussão: CARTA DA AMAZÔNIA
Coordenação: Projeto Jaraqui
Local: Praça Heliodoro Balbi (praça da polícia), em Manaus.
Horário: Sábado – Das 10 às 12 horas