sábado, 17 de setembro de 2011

POLITICA SEM POLÍTICA

Marco Antonio Villa (*)

Na História do Brasil republicano, Dilma Rousseff é a presidente que mais exonerou ministros em menos de um ano de governo. Mas, curiosamente, não identificou nada de anormal na sua administração. Como se as demissões por graves acusações de corrupção fossem algo absolutamente rotineiro. E ocorressem em qualquer país democrático. Todas as demissões seguiram um mesmo ritual: começaram por denúncias publicadas na imprensa e, semanas (ou meses) depois, quando não havia mais nenhuma condição de manter o ministro no cargo, este pedia para sair.

Na ópera-bufa da política nacional, isso passou a fazer parte do figurino. O fecho do processo se repete: é necessário também emitir alguma crítica genérica sobre a corrupção, sem identificar o destinatário. Na hora da posse do novo ministro, deve ser elogiado o antecessor (o elogio será mais extenso e efusivo dependendo de quão poderoso for o padrinho político do ministro). Semanas depois as acusações desaparecem em meio a um novo escândalo.

O Brasil foi, ao longo do tempo, esgarçando os princípios morais e éticos. Em 1954 chamou-se "mar de lama" a um conjunto de pequenas mazelas que envolviam a ação de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas. Hoje Gregório seria considerado um iniciante, até um ingênuo. A corrupção permeia todas as esferas do poder e conta com o silêncio complacente do Judiciário.

Em meio a esta turbulência, a oposição não sabe bem o que fazer. Está paralisada. Na base governamental temos alguns senadores que manifestam - ainda que timidamente - algum tipo de independência, como os peemedebistas Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon. Vivem uma constante crise de identidade. Sentem-se envergonhados como membros de um partido marcadamente fisiológico, mas não assumem claramente uma posição oposicionista. Nesse contorcionismo perdem espaço e são usados pelo governo, como na tentativa de criar uma frente suprapartidária para dar apoio à presidente no combate à corrupção, que serviu para desviar as atenções da proposta de CPI. O mais estranho é que a presidente não só não pediu apoio, como não fez nenhum movimento de simpatia. Deixou, literalmente, os senadores com a vassoura na mão.

Do lado propriamente oposicionista, continua a triste batalha dostoievskiana. O ódio entre os seus principais líderes deixaria enrubescido o patriarca da família Karamazov. A disputa interna fratricida paralisa qualquer ação. Não há projetos partidários. É uma espécie de cada um por si. E todos se acham espertos. Atualmente, a maior das espertezas é buscar apoio do governo para ampliar o seu poder na oposição. Algo no terreno do fantástico e fadado, obviamente, ao fracasso. Contudo, durante algumas semanas, dá ao líder oposicionista uma aura de sagacidade.

Enquanto isso, o País assiste a espetáculos dantescos de malversação dos recursos públicos, à permanência da inépcia governamental e ao agravamento homeopático dos efeitos internos da crise internacional. Em qualquer país democrático seria um terreno fértil para a oposição. Mas não no Brasil. Aqui, o velho discurso reacionário de que fazer oposição é ser contra o País ainda é dominante. A oposição tem medo de ser oposição. Foge do confronto como o diabo da cruz. Deve sentir vergonha por ter recebido a confiança de 44 milhões de eleitores na última eleição presidencial.

Vivemos num ambiente despolitizado. E isso é adequado ao projeto petista de permanecer décadas no poder. Logo vai completar a primeira. E o partido já está fazendo de tudo (e sabemos o que significa esse "de tudo") para tornar esse plano viável. A figura do ex-presidente Lula é central para cimentar as alianças políticas e empresariais. Afinal, todos sabem que sem Lula o projeto cai por terra. Somente ele consegue dar coerência a uma base política tão heterodoxa, que vai de Paulo Maluf ao MST. Mas para isso, muito mais que o discurso, é indispensável manter uma taxa de crescimento que permita concessões aos mais variados setores sociais, conforme o seu poder de barganha. E aí é que mora o grande desafio do governo, e não na tímida oposição.

São evidentes as diferenças e a qualidade da ação entre governo e oposição. Basta observar os movimentos dos dois últimos ex-presidentes. Lula sabe muito bem o que quer. Não para de articular um só minuto. E não perde oportunidade para atacar a oposição. Do lado da oposição, Fernando Henrique Cardoso parece que vive em outro mundo. Confundiu um elogio meramente protocolar da presidente Dilma com uma revisão ideológica do seu governo por parte dos petistas (que em momento algum foi realizada). Extasiado, não parou de elogiar a presidente e os "esforços" para combater a corrupção. Ou seja, um está atuando ativamente no presente para impor a qualquer preço o seu projeto, o outro está preocupado com o futuro, de como ficará o seu retrato na História.

Nesse ritmo, Lula vai coroando de êxito o seu projeto. Espera vencer as eleições municipais, especialmente em São Paulo. Com o triunfo deverá estabelecer um arco de alianças ainda mais amplo que o atual. É o primeiro passo concreto para retornar à Presidência em 2014 e permanecer, pelo menos, mais oito anos no poder. Caberá a Dilma continuar despachando como uma espécie de presidente interina, aguardando o retorno do titular.

E a oposição? Ah, esta lembra o Visconde Reinaldo, personagem de O Primo Basílio. Quando falava de Lisboa, sempre aguardava um terremoto, como o de 1755, que destruiu a cidade. Como não faz política, a oposição, espera também um terremoto: é a crise internacional. Mas, assim como o hábito não faz o monge, a crise, por si só, não fará ressurgir a oposição.

(*) É historiador, professor da Universidade Federal de São Carlos e articulista do Estadão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O CONTINGENCIAMENTO FERE DE MORTE A SEGURANÇA NA AMAZÔNIA

A guerra está declarada, o narcotráfico ganha terreno na Amazônia Brasileira, por aqui as instituições federais estão desmanteladas, sem agentes e sem meios para operar. Não se trata apenas dos órgãos de repressão, é a FUNAI, INSS, IBAMA, FUNASA, INCRA, SUFRAMA, Universidades, entre outras. O Estado, as políticas federais na Amazônia são qualificadas pela sua intervenção tópica, campanhas e eventos, nada estruturante que assegure aos cidadãos garantias constitucionais. O pior de tudo é a submissão dos políticos e a subalternidade dos governantes, com raras exceções. Esta cumplicidade é criminosa resultando em práticas eleitoreiras reduzindo a Amazônia num grande curral eleitoral dos partidos que apoiam a Presidência da Replública. Disso tudo, resta somente os favores recebidos pelos aduladores palacianos que são abençoados com funções nos estados e nos ministérios para atender os seus apaniguados. Quanto ao povo e a sua seguridade nada consta. Mas, a região continua sendo saqueda para resolver problemas nacionais e seus políticos continuam mamando nas tetas da República, drenando o Erário para as corporações privadas. E o povo? Continua narcotizado pelas promessas de campanha e, muito mais grave ainda, pela desinformação, vivendo sob o medo.
A Marinha e os órgãos de segurança pública cobraram recursos para combater a violência nos rios da Amazônia. O tema foi debatido em audiência pública da Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, nesta terça-feira. Os rios da região vêm sendo palco de assaltos, contrabandos, tráfico de drogas e de armas, crimes ambientais e graves acidentes em embarcações.

Representantes da Marinha, da Polícia Federal e da Secretaria de Segurança Pública do Pará apresentaram uma série de ações concretas que estão em curso para reverter esse quadro.
Entre elas, foram citados reforço de patrulhamento e de fiscalização, operações policiais conjuntas e atividades educativas junto aos ribeirinhos. A geografia da região, marcada por floresta densa e rios sinuosos, dificulta essas ações.

Contingenciamento de recursos

No entanto, o comandante do 9º Distrito Naval, almirante Antônio Frade, reclamou, sobretudo, do contingenciamento orçamentário, que tem reduzido os recursos para o enfrentamento dos problemas da região.

Segundo o almirante, "se não houver investimento para isso, não haverá capacitação de o Brasil fazer frente à cobiça, à criminalidade e a outras atividades ilegais”. Ele observa que isso remete necessariamente ao problema do contingenciamento orçamentário. “A partir do momento em que existe uma lei determinando que recursos sejam dirigidos para reequipamento dos órgãos de segurança, e isso não ocorre, vai acontecer a natural obsolescência e incapacidade de atuação dos órgãos."

Segundo Frade, o orçamento da Marinha para a região vem registrando queda nos últimos anos. Para 2011, estão previstos recursos em torno de R$ 32 milhões. A Secretaria de Segurança Pública do Pará também anunciou investimentos em policiamento fluvial preventivo, novos concursos públicos para a PM e ações integradas com os diversos municípios, muitos deles isolados na floresta.

Aquisição de embarcações

Mas, para garantir a eficácia dessas ações, o comandante regional da Polícia Militar no arquipélago de Marajó, coronel Osmar Neto, solicitou dos parlamentares um meio de financiamento oficial para a aquisição e o custeio das embarcações usadas no patrulhamento ostensivo.

Na avaliação do coronel, não há como se fazer segurança pública no Pará sem embarcações. “Nós queremos sair desse desenho de operações esporádicas para ações concretas e, para isso, a gente precisa de um fundo de financiamento."

Autor do requerimento de audiência pública, o deputado Miriquinho Batista (PT-PA) propôs uma solução articulada por vários atores. "A nossa intenção é fazer uma ação integrada entre o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras para diminuirmos essa violência nos rios da Amazônia. Não podemos mais conviver com assaltos, mortes, tráfico de drogas e prostituição infantil nos nossos rios."

Os participantes da audiência pública foram unânimes ao também defender políticas públicas de inclusão e cidadania para os ribeirinhos amazônicos.

Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SEGURANCA/202498-MILITARES-E-POLICIAIS-COBRAM-RECURSOS-PARA-COMBATER-VIOLENCIA-NOS-RIOS-DA-AMAZONIA.html

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O ENEM E A CRISE DA ESCOLA PÚBLICA

Sidney Leite (*)

O governo brasileiro tornou público na segunda-feira (12), o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) tendo por data base o ano de 2010. A pesquisa foi feita tendo por referência a porcentagem de participação dos estudantes, totalizando 26.099 escolas examinadas no ano passado.

Da pesquisa apresentada pelo MEC resulta que, no grupo principal, com mais de 75% de participação, o “top 100” da educação nacional é formado por 87 escolas privadas e somente 13 escolas públicas vinculadas as Universidades, Escolas Federais, Escolas Técnicas e Colégios Militares, confirmando a expectativa geral da família e da sociedade brasileira, em particular dos pais e mães de alunos. O fato é que nenhuma escola estadual ou municipal do Brasil aparece entre as 100 primeiras do ENEM.


Qualitativamente, o quadro de 2009 do ENEM não foi tão diferente. Em 2009 – a média da prova objetiva foi 501,58 – a média da redação foi 585,06. Em 2010 – a média da prova objetiva foi de 511,21, enquanto a média da redação encerra 596,25.

O MEC, por sua vez, sem separar Escola Pública da Privada e de modo linear, explica que “o aumento de dez pontos na média da prova objetiva representa 10% do desvio-padrão de 100. Isso significa que, mantida a evolução, a meta de 600 pode ser atingida em dez anos”.

Parece que o governo brasileiro não está preocupado em resolver o problema do Ensino Médio Nacional. Sua preocupação resulta muito mais em manipular a metodologia do ENEM, mascarando a realidade, do que enfrentar de fato o problema com determinação e afinco, investindo e monitorando a qualidade da Escola Pública Brasileira.

Para isso, estabeleceu uma engenharia matemática dividindo as Escolas em 04 grupos, tendo por critérios porcentagens diferenciados, tais como:

Grupo 1: de 75% a 100% (4.640 escolas);
Grupo 2: de 50% a 74,9% (5.444 escolas);
Grupo 3: de 25% a 49,9% (8.616 escolas).
Grupo 4: de 2% a 24,9 (7.399 escolas).

Repito e afirmo: Entre as 100 primeiras Escolas nenhuma Escola Pública municipal ou estadual ocupa lugar de destaque.

DA ESCOLA INDÍGENA

Em se tratando das Escolas Indígenas a tragédia da nossa Educação se transforma num drama assustador. Das 1000 priores, 704 são públicas e 296 são privadas, o que denuncia diretamente o descaso do governo federal em relação à educação desses povos visto que, constitucionalmente, a competência é da União.

No entanto, socialmente, estamos todos comprometidos com esta luta. É por isso que a Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas vêm promovendo várias Audiências Públicas por todo o Estado, com objetivo de despertar nos estudantes, nos profissionais, familiares, na sociedade como um todo, senso de responsabilidade e participação que se traduza em instrumento de controle social, visando efetivar políticas públicas que contemplem uma gestão participativa e democrática, seguida de um projeto educacional orientado pela teoria do conhecimento capaz de desenvolver nas crianças e nos jovens competências reflexivas e habilidades operacionais na perspectiva da afirmação de sua cidadania juvenil.

ESCLARECIMENTO

Aos Pais e Mestres esclarecemos que segundo os especialistas, o ENEM não deve ser o único critério para que os pais decidam matricular seus filhos nesta ou na outra escola. O ENEM, na verdade, é uma avaliação do aluno em situação.

É preciso que tenhamos clareza da escola que queremos e para isso é importante a participação dos familiares neste processo de formação e de controle de qualidade da aprendizagem.

Para isso, contamos também com outro instrumento de avaliação, que é o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Este índice por sua vez diferencia-se do ENEM porque combina dois indicadores usualmente utilizados para acompanhar e monitorar o combalido Sistema Nacional de Ensino, primando pelos indicadores de promoção, repetência e evasão escolar. Da mesma forma, analisa as pontuações em exames padronizados obtidos por estudantes ao final de determinada etapa do sistema de ensino 5ª e 9ª séries do ensino fundamental e o último ano do médio, completando deste modo o processo de avaliação do ensino básico.

Assim, tanto o ENEM como o IDEB devem ser compreendidos como instrumentos de avaliação necessários para orientar a participação dos pais e mães de alunos, assim como também para fomentar a discussão dentro da Escola, sem preconceito e discriminação. Por isso, somos inteiramente favoráveis que estes índices sejam fixados dentro das Escolas para que todos possam mensurar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem, enfrentando este problema como desafio a ser superado por meio de uma ação articulada entre Sociedade e Estado e não como alguns grupos pretendem reduzir aos interesses privados.

E Finalmente, quanto ao MEC, que sirva de parâmetro para que o governo federal nesta hora em que se discute o Plano Nacional de Educação venha cumprir com o seu dever cívico constitucional, garantindo os 10% do PIB para a Educação Nacional, assim como os 50% do Pré-Sal, considerando os indicadores específicos de cada Região, como é caso da Amazônia e, particularmente, do nosso Amazonas que enfrenta desafios de diversas ordens seja cultural, logística, étnica, política, requerendo maior investimento para realização de políticas públicas em atenção à educação enquanto instrumento estratégico nacional voltado à sustentabilidade e ao desenvolvimento humano para o bem do nosso povo e da nossa Amazônia.

(*) É Deputado Estadual do Amazonas e Presidente da Comissão de Educação e Cultura da Assembléia Legislativa do Estado.

domingo, 11 de setembro de 2011

A CONSCIÊNCIA AMBIENTAL E O ESTRATAGEMA DO CAPITALISMO

Ademir Ramos (*)

Nestas águas navega-se pela ética associado às ciências naturais na perspectiva de se construir uma plataforma filosófica fundamentada nas práticas culturais formadora do processo civilizatório orientado por valores que contemplam respeito à biodiversidade como expressão da humanidade.

Inicialmente, segundo Schopenhauer (Parerga e Paralipomena), “o querer viver está em todo ser, inclusive o mais ínfimo, totalmente e individido [...]”. Entretanto, o capitalismo, como sistema de valores tudo tem feito para reduzir “o querer viver” em estratagema de marcado, primando muito mais pela privatização, acumulação, exploração do trabalho e dominação política.

A tese da sustentabilidade formulada pelos agentes financeiros internacionais retrata a realidade mascarada de um sistema que através de seus tentáculos é capaz de gerar “amizades quadrúpedes” definidas pela dissimulação, falsidade e malícia dos homens regradas unicamente por acordos escusos pautados no seguinte postulado: “Pereça o mundo, conquanto que eu me salve”.

Sob esta lógica individualista de grupos e conluios a perversidade é a regra que orienta a determinação moral dos atores que gerenciam políticas e negócios visando unicamente acumular mais a custa da miséria e da desigualdade dos povos. Entretanto, para conter a barbárie social, o próprio sistema formula políticas de controle, criando indicadores para analisar e avaliar o comportamento responsável dos novos empreendedores agora sob a chancela da sustentabilidade.

Para isso, criaram-se várias tratativas internacionais em atenção à responsabilidade social, ambiental, e o que não mais! Nesta circunstância, a corrupção dos poderes instituídos movido pelos seus atores tem sido o lodo desta política a se multiplicar nos países emergentes, contando com aval de uma sociedade desorganizada com altíssimo índice de desempregados e socialmente excluídos.

A crítica social por meio de seus militantes luta para transformar situação em ação, mobilizando forças sociais e políticas para conter a volúpia insana do capitalismo na Amazônia, julgando a conduta dos governantes e aliados quanto à ética da responsabilidade no que diz respeito à conservação dos recursos ambientais, bem como a efetivação de políticas públicas sustentáveis em benefício das comunidades que vivem na cidade e na floresta.

(*) É professor, antropólogo e coordenador do NCPAM/UFAM.

CONTRA ALIENAÇÃO E INDIFERENÇA

Camila Mikie (*)

O que está acontecendo é terrível eu diria! Estou no último ano das Ciências Biológicas da UNESP, em São Paulo, fazendo uma disciplina chamada Administração Ambiental Costeira. Entre as atividades acadêmicas devo fazer uma analise critica de um EIA-RIMA a ser escolhido pelo grupo (as opções apresentadas são: Porto de Santos, Porto de São Sebastião, Transposição do São Francisco, Belo Monte, Rodoanel...).

Contudo, solicitei da professora se não poderia fazer sobre o caso Porto das Lajes devido a todos os capítulos polêmicos, as estratégias de resistência. articulação da comunidade, enfim, todo o processo de luta do Movimento S.O.S. Encontro das Águjas. Há muito o que ser discutido sobre os enfrentamentos. Sobre ética. Sobre Patrimônio Histórico. Sobre corrupção. Sobre princípios e valores. Mesmo não tendo o critério: "empreendimento na região costeira" ela aceitou e disse que seria interessante. Além disso, é mais uma forma de compartilhar essa vivência durante o meu intercâmbio, em resposta as relações que tive com a UFAM, INPA e os comunitários da Colônia Antonio Aleixo, Zona Leste de Manaus.

Sinceramente, eu não sei o que fazer diante de tantas atrocidades acontecendo com as questões socioambientais. A sensação é de incapacidade diante de tamanho jogo sujo dos nossos governantes, somado a despolitização, desinteresse e indiferença dos estudantes universitários.

Certamente toda essa vivência que tive com vocês do NCPAM, apesar de apenas um semestre, me deu elementos para acreditar que podemos mudar o rumo da história, que não é fácil, mas é digno e é preciso. Percebi o quanto ter referências dentro do espaço universitário é importante. Porque nos faz ver na prática, comportamento de certos Professores, indiferentes e alienados, que passam essa conduta aos seus alunos.

Por isso espero que o NCPAM e todo o Movimento continuem nessa luta e consiga trazer mais estudantes para a causa, para refletir e lutar nesse processo histórico.

Informa também, que no começo do mês participei de um Congresso de Direito Ambiental com o tema "Os problemas da zona costeira do Brasil e do mundo". Levantei várias problematizações, pensando na integridade do nosso Encontro das Águas. Estou preparando um texto. Fico contente com a publicação que vocês estão organizando. Com certeza levará a causa para mais pessoas!

Voltarei, assim que os ventos soprarem para o norte novamente. Dizem que o caminho se faz caminhando, pois é eu não vou deixar de buscar, porque me apaixonei por essa terra!

(*) É acadêmica da UNESP e participa da equipe do NCPAM/UFAM.


Encontro das Águas: Santuário do Amazonas ou Fonte Imorredoura do Vil Metal?
Lison Costa
http://www.lisononline.com.br/

Faz algum tempo que me peguei pensando sobre um homem bruto do velho mundo, sentado no topo de um penhasco ibérico, olhando serenamente as águas azuis intermináveis do mar que sumiam no horizonte. Possivelmente, ele visualizava existir outro mundo nos confins, mesmo que fosse quadrado, já se dava por satisfeito. A intuição falava silente sobre outras terras e provavelmente de tanto fazer esses experimentos terminou por receber lampejos de um eldorado imaginário.A somatória da força do pensamento daquele homem se juntou a outras, terminando inconscientemente, a fazer brotar ideias notáveis no grande caldeirão coletivo de centenas de mentes que um dia se afunilou indo parar nas mãos de algum alquimista gênio e de insight, terminou por desenvolver um novo jeito de navegar, repassando-as ao infante Dom Henrique que, em 1417 fundou a Escola Nacional de Sagres. Foi o maior feito evolutivo nos transportes náuticos de todos os tempos...

Saiba mais: http://www.lisononline.com.br/ver_materia.asp?ID2=326

sábado, 10 de setembro de 2011

VERDADES INCONVENIENTES

Marcos Romano (*)

No último domingo (4 de setembro de 2011), saiu uma matéria no Diário do Amazonas, onde Marcelo Lima (Secretário da Seplan) e Laurits Hansen (Dir. da Lajes Logísticas), defendem seus interesses e desclassificam todos os que defendem os reais interesses da comunidade amazônica.

O Secretário da Seplan se utiliza de números sobre o faturamento das empresas do Pólo Industrial de Manaus (PIM), defendendo a importância da construção do Porto das Lages. E ainda afirma que as ONGs e intelectuais contra o empreendimento (no local que querem construir) são manipuladores da massa, que segundo ele é desinformada.

Na defesa do seu empreendimento o Diretor da Lajes Logística, nobremente diz que “o Terminal Portuário das Lajes vem a ser uma ferramenta de competitividade no Pólo Industrial de Manaus, então fica fácil saber quem nós não estamos agradando”. Então, a seguir argumentam, tacanhamente, a respeito do tema.

O título do artigo de Marcelo Lima (Secretário da Seplan) inserido na reportagem era assim definido: Verdade Inconveniente. Esse senhor reconhece que toda verdade é inconveniente, principalmente, quando não há lisura no processo real dos interesses. De um lado está o interesse de uma minoria que não pensa um palmo além do próprio nariz, do outro está a sociedade resistindo como pode a ataques de gafanhotos famintos por lucros exorbitantes.

Toda verdade é sempre inconveniente, ainda mais, quando os interesses são escusos e atendem somente à vontade de certos grupos que, esses sim, manipulam as informações, omitem e mentem, apenas para disfarçar seus reais intentos. Assim tem sido desde os primeiros momentos que anunciaram a construção do Porto das Lajes. Seus defensores usam de toda força e método para persuadir e tentar convencer a todos de que esse empreendimento de ganho unilateral é melhor para todos.

“Em 2010 o faturamento do Pólo Industrial de Manaus (PIM) foi de R$ 61 bilhões de reais e a projeção para 2011 é de R$ 68 bilhões”, afirmou Marcelo Lima em seu artigo.

De fato os dados e previsões saltam aos olhos, porém o que tudo isso representa em termos de geração de emprego, renda e bem-estar para a população. Sem querer atacar o modelo ZFM, reflitamos sobre os dados a seguir, já que os defensores do terminal portuário buscam justificar tudo em função do aumento da lucratividade do PIM. Digo que não sou contra tal empreendimento, desde que seja construído em outro lugar.

Entre as décadas de1970-80, o PIM tinha cerca de 500 empresas faturando 5 bilhões de reais anualmente e empregava, aproximadamente, 70 mil trabalhadores, sendo que Manaus tinha 311.622 habitantes (IBGE, 2004). Hoje a realidade é outra, de um lado, o PIM fatura doze vezes mais, empregando pouco mais de 100 mil trabalhadores. De outro, Manaus tem aproximadamente, 1,8 milhões de habitantes (IBGE, 2010), isto é, nove vezes mais que na década de 70. De toda essa montanha de dinheiro, apenas 2,6% ficam no Estado na forma de salários.

Essas são verdades muito inconvenientes! “O compromisso com o desenvolvimento terá sempre primazia sobre o argumento tacanho de pseudo intelectuais e certas ONGs que sub-repticiamente manipulam a massa desinformada e promovem um entrevero puramente ideológico distante dos reais interesses da coletividade”, Marcelo Lima.

Não sei que compromisso é esse que só favorece um e outro grupo ganancioso, é o que me dizem os valores acima destacados, e pouco se justifica quando atentamos para a realidade do povo amazônico, e nos salários dos trabalhadores do PIM, pois, como é sabido, o salário médio dos trabalhadores do nosso Estado está abaixo da média nacional. Verdade inconveniente! Se há alguém que está a favor do povo é taxado de pseudo intelectual, como se fosse fácil dar a cara à tapa e ser desqualificado por meros palavreados sem substância.

Assim fazem com entidades representativas e pessoas ligadas à causa em questão, chamando-os de manipuladores da massa. Se assim fosse, não teriam, esses senhores, a chance de se queixar. Ainda pior, é afirmar que a população é desinformada quando ela é contrária a privatização de um bem coletivo, que é o Encontro das Águas. Não bastasse essas coisas, diz que é pura ideologia nossa ir contra esse empreendimento que agride, sorrateiramente, um dos mais belos patrimônios naturais. Ao menos, temos uma bela ideologia e não é falácia nem promessa sem fundamentos. Verdades inconvenientes!

“O Terminal Portuário das Lajes vem a ser uma ferramenta de competitividade no Pólo Industrial de Manaus, então fica fácil saber quem nós não estamos agradando. De parte disso, surgiram mitos e inverdades que contribuíram para se construir uma imagem negativa do terminal”, argumenta Laurits Hansen (Dir. da lajes Logística).

Percebe-se como esses senhores estão alinhados nas suas idéias, parece até que conversaram antes de escrever ou escreveram juntos seus artigos. Aqui temos até mitos, pois assim é chamado qualquer argumento que não tenha posição de defendê-los, como se mito fosse mero desvario de idéias. Pelo menos o nosso mito é legítimo, e viver na Amazônia sem mito é não viver nela. Verdades inconvenientes!

Não sou contra o progresso, desde que não particularize uma propriedade que é de todos e de gerações futuras. Essas coisas não nos agradam de fato e sou contra qualquer um que imbeciliza minha opinião e de pessoas e entidades sérias. Verdades inconvenientes! E na Amazônia qualquer terminal no Encontro ou próximo do Encontro das Águas é sempre uma imagem negativa!

“Para a construção do porto, é necessário avaliar questões como a profundidade do rio, áreas para armazenagem, acesso fácil, além de estar alinhado com o plano diretor da cidade. É o único lugar que preenche esses requisitos”, defende Laurits Hansen.

A parte mais profunda do nosso rio fica em Itacoatiara (120 metros de profundidade). O armazenamento não precisa de um Encontro das Águas. Para ser acessível não há necessidade de estar incrustado como carrapato na orla de Manaus. Alinhado ao plano diretor? Se fosse construído em outro lugar já estaria alinhado. E de fato, esse lugar que querem construir o terminal, preenche todos os requisitos que nega o terminal. Verdades inconvenientes!

(*) É artista plástico e acadêmico de Ciências Sociais da UFAM.

A COMISSÃO DO ORÇAMENTO QUER DISCUTIR O PPA NA REGIÃO

Parlamentares vão discutir PPA com cidadãos em 10 debates regionais, é o que informa o Boletim da Agência Câmara. A proposta é promover um amplo debate em cada região do País. Por isso, pergunta-se: Será que a bancado do Amazonas está interessada em discutir? Será que tem interesse em trazer a discussão para o Amazonas ou vai se fazer de surda, cega e muda alegando falta de agenda? Tal evento é necessário para que se conheça o montante de recurso da União destinado a região norte e, particularmente, para o Amazonas. O encaminhamento do relator pauta-se na transparência e no princípio republicano, o que contraria a prática de alguns parlamentares que reduzem a política ao interesse privado.

A Comissão Mista de Orçamento vai percorrer o País para debater a proposta de Plano Plurianual (PPA) do governo, que define as metas das políticas públicas para os próximos quatro anos. O relator do texto, senador Walter Pinheiro (PT-BA), afirma que serão realizadas dez audiências públicas, duas em cada região do País, com o objetivo de aproximar o PPA das realidades locais.As cidades e as datas ainda serão definidas. "A ideia é que a comissão vá ao encontro dos segmentos organizados da sociedade civil para que a gente possa encaixar a real necessidade no Orçamento de cada ano”, disse Pinheiro. “Ninguém mora na União ou no Estado. O cidadão vive no município, então as políticas têm que estar voltadas para atender essa demanda local."

Pinheiro alertou, porém, que o desempenho da economia diante da crise internacional deve ser considerado, para evitar que o PPA seja "fantasioso" ou "superestimado". "Você permite a participação, mas dizendo a essa população o que é possível encaixar, para não criar falsas expectativas, nem criar uma situação que leve a não execução das propostas."

O PPA 2012-2015 prevê investimentos de R$ 5,4 trilhões. O volume é 38% maior do que o previsto no plano anterior. Mais da metade dos investimentos será na área social, segundo o texto.

O relatório do senador Walter Pinheiro ao PPA deverá ser votado pela Comissão de Orçamento até o dia 26 de outubro e, pelo Plenário do Congresso, até 2 de novembro.

Fonte: http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/ADMINISTRA%C3%87%C3%83O-P%C3%9ABLICA/202315-PARLAMENTARES-V%C3%83O-DISCUTIR-PPA-COM-CIDAD%C3%83OS-EM-10-DEBATES-REGIONAIS.html