segunda-feira, 30 de março de 2009

EXALTAÇÃO AOS VALORES REPUBLICANOS



No Amazonas, pela prática dos governantes, a corrupção tornou-se regra, segundo afirmou recentemente, o Senador Artur Virgílio Neto (PSDB/AM), no seminário ambiental na Colônia Antonio Aleixo, fazendo crer que tudo é possível até mesmo privatizar o patrimônio público, quando não, se delega poderes aos apaniguados para explorar e saquear a riqueza do povo.

Ademir Ramos*

Na Democracia, o julgamento de um homem público faz-se referenciado nos valores republicanos. Nessa conjuntura, a liberdade deixa de ser apenas um princípio moral e se transforma no exercício da cidadania, sendo salvaguardada pela força do Direito para o cumprimento da Justiça distributiva. O processo formador dessa cultura política reclama de todos, responsabilidade compartilhada, principalmente dos Agentes Públicos que deveriam pautar sua conduta ética, não mais em suas convicções morais ou interesses privados, mas, sobretudo, na responsabilidade social e ambiental, primando pelo zelo da coisa pública e a defesa dos interesses coletivos.

Com a mesma determinação também se exalta a transparência como valor de Direito para informar aos cidadãos os procedimentos ocorridos quanto à legalidade e legitimidade da ação pública. Nesse contexto, faz-se necessário as garantias constitucionais para assegurar a liberdade de imprensa.

Nessa mesma perspectiva, há de se destacar a importância do Ministério Público, assim como a atuação das Organizações do Movimento Social, enquanto instrumento de controle inseridos no processo de governança. A cultura republicana não permite que os profissionais da política reduzam suas práticas aos interesses familiares ou de grupos econômicos, que buscam instrumentalizar o poder de Estado para satisfazer seus interesses privados ou caprichos familiares.

No Amazonas, pela prática dos governantes, a corrupção tornou-se regra, segundo afirmou recentemente, o Senador Artur Virgílio Neto (PSDB/AM), no seminário ambiental na Colônia Antonio Aleixo, fazendo crer que tudo é possível até mesmo privatizar o patrimônio público, quando não, se delega poderes aos apaniguados para explorar e saquear a riqueza do povo. É o caso da empresa Log-In Logística Intermodal S/A, que declara publicamente contar com o aval do governo federal e estadual para construir um complexo portuário no Encontro das Águas, confluência dos dois magníficos rios Solimões e Negro, formadores do majestoso rio Amazonas, enquanto representação da identidade cultural de nossa gente.

Além dessa afronta a população amazonense, o empreendimento pretende também destruir as Lajes, que concentra um conjunto de sítio antropológico e paleontológico de reconhecimento acadêmico internacional. Reclama o Senador Artur Neto, a falta de transparência do projeto, o que nos permite perguntar: quem será o beneficiário? Por que não pode ser construído esse porto em outro lugar da região metropolitana de Manaus? Por que não se respeita os argumentos técnicos da ciência? Por que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) está ausente da análise do processo, em se tratando do Amazonas, um rio de água internacional? E o silêncio do governador do Estado frente a grita do povo do Amazonas deve ser interpretado como aceite ou como estratégia para se buscar uma “saída honrosa”, em atenção à reivindicação popular quanto à proteção do nosso patrimônio natural, cultural e histórico? Será que os parlamentares do Amazonas, em sua maioria também são cúmplice por silenciar frente ao problema ou como queira, a indiferença é uma manifestação de cooptação?

A respeito disso, temos a lamentar a atitude dos mandatários locais. No entanto, acredita-se que o bom senso prevalecerá seja por força política ou pelo imperativo da Justiça. Pois, tanto o Ministério Público Estadual como o Federal já instauraram inquérito civil público para apurar as irregularidades contra o meio ambiente e as condições de vida dos moradores locais, caso ocorra à construção do porto. O Ministério Público Federal chegou a oficializar a participação da Ordem dos Advogados do Brasil para compor no processo, bem como, também, o próprio Ministério Público Estadual do Amazonas.

Eleição na UFAM.




A exaltação aos valores republicanos deve converter-se em práticas culturais e no próprio exercício da cidadania universitária, em particular em nosso Estado, quando a comunidade acadêmica é convocada a escolher a nova gestão da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Portanto, na próxima quinta-feira (2), alunos, professores e técnicos administrativos da UFAM irão sufragar nas urnas o nome da pessoa que irá assumir a reitoria da Universidade (2009/13). Para isso, é preciso recorrer ao julgamento das propostas dos reitoráveis e avaliar a viabilidade de seus programas à luz dos valores republicanos.

Aliás, qual foi o candidato ou candidata que submeteu a discussão da comunidade acadêmica um programa de gestão? Qual foi que submeteu a aprovação da comunidade os nomes de seus pró-reitores, em conformidade a regulação do pleito? Qual foi que equacionou as propostas, considerando a qualidade e a consolidação da UFAM no interior do Estado? Qual foi que resolveu desafiar os demais para transformar a pesquisa, extensão e o ensino na excelência acadêmica em beneficio do desenvolvimento local? Qual foi que, sem arrogância messiânica, priorizou investir na gestão de pessoas, valorizando, dessa feita a carreira dos técnicos administrativos? Qual foi que sem amarras partidárias declarou governar a UFAM para todos e não para um determinado partido político?

Se conseguirmos responder estas e outras perguntas, iremos votar com responsabilidade, reconhecendo nas urnas que a UFAM é o nosso patrimônio e que muito nos honra conservá-la livre e soberana para a presente e futuras gerações.

*Professor, Antropólogo da UFAM e Coordenador Geral do NCPAM

NOBEL DE ECONOMIA DEFENDE A NACIONALIZAÇÃO DOS BANCOS NOS E.U.A

O governo dos Estados Unidos anunciou o segundo plano para ajudar os bancos a livrarem-se dos chamados ativos tóxicos, o denominado Plano de Investimento Público-Privado. O plano pretende convencer investidores privados a comprar dos bancos os títulos que ninguém quer, incentivando-os com uma participação do Estado e a concessão de empréstimos públicos que cobrem quase todo o investimento. O prêmio Nobel da Economia, Paul Krugman, criticou o plano e voltou a defender a nacionalização dos bancos, como meio de enfrentar a crise.

O plano é uma segunda tentativa, depois do fracasso do plano Paulson, que foi aprovado pelo Congresso norte-americano em Outubro, mas que esbarrou na dificuldade de definir o preço certo dos ativos tóxicos. Assim, as autoridades acabaram por utilizar o dinheiro (cerca de 700 bilhões de dólares) para recapitalizar os bancos.

Agora, segundo o plano do secretário do Tesouro Timothy Geithner, são os investidores privados que definem, em negociação com os bancos, qual o valor a pagar pelos ativos. Mas o Estado participa no negócio em partes iguais e ainda empresta, com garantias, a maior parte do dinheiro para a aquisição.

De acordo com um exemplo dado pelo próprio Tesouro dos EUA, se o valor negociado pelo ativo for de 84 dólares, o investidor privado entra apenas com seis dólares, o Tesouro com outros seis dólares e os restantes 72 (seis por cada dólar investido) são obtidos através de um empréstimo da Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC). O Estado, apesar de partilhar um eventual lucro com o investidor privado, caso o título não seja totalmente perdido, a exposição a prejuízos é elevada, devido ao empréstimo concedido.

A divulgação do plano provocou euforia nas Bolsas de Valores de todo o mundo. Euforia não compartilhada pelo prêmio Nobel da Economia, Paul Krugman. Para ele, "este plano vai produzir grandes ganhos para os bancos que na verdade não precisavam de qualquer ajuda; mas, em contrapartida, pouco vai fazer para tranquilizar o público em relação aos bancos que estão seriamente descapitalizados. E temo que quando o plano fracassar, como quase certamente vai acontecer, a administração terá dado o último tiro: não vai conseguir levar ao Congresso outro plano que realmente funcione", escreveu no seu blog no New York Times.

Krugman apela a que a Administração Obama imite a "solução sueca" para a crise financeira, nacionalizando os bancos em dificuldades.


Publicado em Esquerda.Net

MÁRCIO SOUZA: "SE ESSE PAÍS FOR DECENTE PRESERVARÁ O ENCONTRO DAS ÁGUAS"

O projeto de construção do terminal portuário é da Lajes Logística S/A, empresa controlada pela grupo Log-In Logística Intermodal S/A, tendo a frente à Companhia Vale do Rio Doce. A obra prevista fica próxima ao Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, no quilômetro 17 da Alameda Cosme Ferreira, Colônia Antonio Aleixo, zona Leste da cidade. A obra estimada em R$ 220 milhões visa atender as operações de cargas do Pólo Industrial de Manaus (PIM).

A construção do Porto das Lajes virou polêmica em Manaus. Entidades e personalidades como o escritor Márcio Souza são contra. Para um dos mais influentes intelectuais do Amazonas, que possui uma vasta obra reconhecida no mundo, o projeto é uma ameaça a identidade da cidade, ao meio ambiente e às comunidades da região. A entrevista do nosso colaborador Márcio Souza mereceu capa no jornal Diário do Amazonas, datado de domingo (29/03), confira.

Por que o senhor é contra a construção do Porto?

Em primeiro Lugar eu sou a favor da construção de um porto. A cidade de Manaus já tem uma grande demanda para contêineres. Acho ótimo, mas temos outras áreas que podem receber esse projeto, principalmente com a criação da região metropolitana.

Qual a importância do Encontro das Águas? Também é Cultural?

Esse projeto vai atingir o Encontro das Águas, que é onde nasce o rio Amazonas. Ele também tem influências sociais, econômicas, ambientais sobre várias comunidades, não só na do Aleixo. É uma questão de identidade cultural também. O carioca aceitaria um projeto que destruísse a praia de Ipanema? Ou o paulista deixaria destruir o Pátio do Colégio? (onde nasceu São Paulo).

O senhor manifesta muita confiança de que esse projeto não vai dar certo.

Se esse País for decente, não. Não há como esse projeto passar, pois a área do Encontro das Águas é um sítio paleontológico e há três ecossistemas diferentes e é muito raro o planeta ter esse tipo de encontro. Há o período Quaternário, o Escudo Guianense, que é Triácico e o Terciário, que podem resolver alguns enigmas da formação do planeta Terra.

Eu acho muito difícil eles conseguirem essa concessão, até porque não é problema do órgão estadual do meio ambiente, porque o rio Amazonas é considerado como águas internacionais e isso é com o governo federal. Eu tenho certeza que o Ministério do Meio Ambiente não vai mesmo aprovar esse projeto. O parecer que Ministério Público Estadual pediu da UFAM mostra os absurdos.

O Ministério da Cultura vai tombar o Encontro das Águas. O ministro já recebeu a documentação com os dados técnicos, assim como o ministro do Meio Ambiente e o Ministério Público Federal, que não pode ser pronunciar, mas já tem todas as informações necessárias. Há pareceres locais científicos. Nesse movimento social tem gente que não é manauara, mas que foi bem recebida pela cidade. Nem todos que são bem recebidos aqui sacaneiam com a cidade.

A região é um patrimônio da Humanidade?

Sim e será atingida por esse projeto, porque fica na área de oito quilômetros e a área que eles querem implantar o projeto é de 800 metros. Eles ficaram perplexos sobre como se questionou essa área. Aquilo ali é o esgoto do Distrito Industrial, onde jogam metais pesados e há assoreamento pela omissão do poder público municipal, estadual e federal.

O Greenpeace e a WWF não se manifestaram de forma contundente contra o projeto. A que o senhor atribui esse comportamento?

Essas entidades são mais show business do que a defesa do meio ambiente. Quando há movimentos sociais, povo no meio, eles não se metem. Então eles não vão se meter até ter a oportunidade de fazer algum show pirotécnico para aparecer em televisão.

O senhor tem feito gestões internacionais sobre a questão?

Entrei em contato com amigos meus na França, Alemanha e nos Estados Unidos, que são ligados a questões de cidadania e da Amazônia. A Segolène (Royal, candidata socialista derrotada por Nicolas Sarkozy à presidência) deverá fazer um pronunciamento no senado da França, que tem uma parte da Amazônia. E sites ligados às questões ambiental e social têm produzido a documentação em inglês e francês.

A discussão desse assunto na esfera internacional não poder ser considerada interferência nas questões internas do País?

Essa questão é brasileira. O problema vai ser resolvido aqui no Brasil. O Estado vai impedir essa barbaridade.

O senhor acha que há um efetivo envolvimento da sociedade ou há um ‘marasmo’, para usar um termo seu?

Os principais interessados estão lá. Fora isso há uma grande maioria silenciosa. A questão está vinculada a uma luta política no quadro da democracia, não é preciso mobilização de massa. Não é uma eleição, é uma questão técnica, cultural e científica. Vamos discutir no Ministério do Meio Ambiente e no Ministério da Cultura, que são fóruns para isso. Não precisamos fazer papel de ridículos, de abraçar o Encontro das Águas. O que precisamos é da massa crítica que está a favor da cidade de Manaus.

A localização desse porto é tida como estratégica.

Eles dizem que o porto tem que estar atado ao Distrito Industrial, mas hoje a questão da distância não é um problema, pois a estrutura urbana está preparada. Eles têm Itacoatiara, por exemplo. Poderia ser em outro local, pois há muitas opções, se eles quiserem o bem do Estado e do seu povo.

Eu fico espantado com os herdeiros do grupo Simões participarem de um negócio desses. Se o senhor Simões (Antônio) estivesse vivo ele não aprovaria. Ele foi patrono da minha classe no Colégio Dom Bosco, em 1964. Nós tivemos alguns encontros com o Sr. Simões. Ele era um homem que amava a cidade e eu duvido que ele se envolvesse na destruição do Encontro das Águas.

Temos o exemplo de Toranto, que desativou o porto antigo em frente à cidade, construída sobre um forte, que é o principal aspecto da identidade local, onde as tropas inglesas repeliram a invasão de George Washington. Hoje seria o Canadá americano. Então é um marco da independência deles. Eles transferiram o porto para uma área melhor e mais importante, com todos os cuidados com o meio ambiente e transformaram a áreas do porto antigo.

O senhor é morador do Centro e é ferrenho crítico do descaso com a cidade.

O problema de Manaus é que a cidade sofreu um impacto populacional de migração interna de 1970 para cá, talvez só comparado ao impacto que sofreu no final do século 19 e início do século 20 a cidade de Nova York. Mesmo que nós tivéssemos tido administrações geniais, nós ainda teríamos problemas, como os Estados Unidos tiveram. O nosso azar ao contrário dos prefeitos de Nova York, é que nós tivemos, em sua grande maioria incompetentes e ladrões, desde os anos 70.

Mas veja bem, isso não é só problema de Manaus. A ditadura proporcionou isso. Não se tinha vida política democrática e republicana com a ditadura. Tivemos prefeitos cretinos e analfabetos. As marcas da destruição vão ficar para sujar a memória dos responsáveis pelo descaso.

Nas grandes cidades como no Rio, há programa de recuperação do Centro?

São grandes metrópoles com formação universitária antiga. A nossa universidade só se estruturou de fato nos anos 70. Temos pouca densidade intelectual na cidade. Além disso, tivermos uma grande migração de gente que veio das áreas mais miseráveis do País em busca de esperança.

Não há identidade com Manaus?

Não. Como é que você vai explicar para uma cara que chegou do Maranhão, do Piauí ou de Goiás, onde ele não teve a menor chance de ter freqüentado a escola, sobre a importância do Encontro das Águas? Se ele puder vai poluir. Ele é capaz de entregar a filha para virar prostituta só pra se dar bem. Aliás, esse será um dos grandes negócios do Porto das Lajes.

Há condições de rever a situação de Manaus, ou pelo menos preservar o que ficou de seu patrimônio?

Há o esforço do Robério Braga (Secretário de Estado da Cultura), que faz intervenção em duas praças e só não avançou porque a administração passada da prefeitura não quis fazer, inclusive atrapalhou. Na Praça Heliodoro Balbi (da Polícia) ele teve que passar o tapume porque teriam roubado peças e vendido para o ferro velho. O Amazonino quer fazer o projeto, só que precisa de muito dinheiro. Pelo que eu si ele vai fazer, mas não da noite para o dia. Estamos em uma democracia e temos que dar um destino a essa gente que está trabalhando. Temos exemplo no País, como em Terezina, no Piauí, que é muito mais pobre do que Manaus. Em Aracaju e em João Pessoa, onde não se encontram camelôs nas ruas porque fizeram uma administração republicana. Manaus está entre as cinco cidades com o maior orçamento do Brasil. Então, tem solução.

REUNIÃO DE GT INDÍGENA DO MINISTÉRIO DA CULTURA

O Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural, promove a partir desta segunda-feira (30) até terça-feira (31), a primeira reunião do ano do Grupo de Trabalho (GT) para Identificar Políticas Públicas para as Culturas Indígenas. O encontro - que será realizado das 9h às 19h, no Lake Side Hotel (SHTN, Trecho 1, Lote 2), e aberto pelo secretário Américo Córdula, da SID/MinC - objetiva o debate de novas diretrizes e de ações, projetos, programas e políticas públicas em diferentes níveis da administração pública.

Um dos principais assuntos a ser tratado na reunião é a elaboração da minuta do Plano Setorial, que será discutido no âmbito da II Conferência Nacional de Cultura e do Colegiado Setorial das Culturas Indígenas, vinculado à cadeira do segmento no Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Para tanto, a convocação dos membros do GT tem como objetivo pensar estratégias de encaminhamento do processo eleitoral necessário à formação do Colegiado Setorial, garantindo a representatividade dos diversos povos indígenas.

As reuniões do GT Indígena constituem um importante momento em que seus membros, em nome das diversas entidades representativas dos povos indígenas, juntamente com os representantes das instituições governamentais, dão prosseguimento ao rico e produtivo processo de discussão dos problemas dessas comunidades e das soluções propostas para a preservação, fomento e visibilidade das expressões das culturas indígenas no Brasil, resultando em propostas e indicativos para as políticas públicas.

GT Indígena - Instituído em abril de 2005, por meio da Portaria nº 62, com a finalidade de indicar políticas públicas que visem abarcar a cultura indígena, é composto por representantes do poder público, da sociedade civil organizada e de lideranças dos povos indígenas de todas as regiões do Brasil. Após um ano de criação, o GT Indígena apresentou um documento elencando as prioridades de ação para atender os anseios e as singularidades das culturas indígenas.

Amazonas - A Coordenação das Organizações Indígenas do Amazonas (COIAB) se faz presente através do ator Fidelis Baniwa, segundo nos informou o coordenador da COIAB Jesinaldo Sateré, que se encontra em Parintins a caminho de Nhamundá, no Amazonas, para participar da Assembléia de Fundação da Federação dos Povos Indígenas do Baixo Amazonas.



O PACOTE DE 34 BILHÕES PARA QUEM?

É importante verificar que o governo vem adotando medidas para "salvar" empresas em "crise"; crise protagonizada pelo próprio capital ávido de lucros exorbitantes a qualquer preço. Assim, não é arriscado demais concluir que, de fato, o tal pacotão – como o trata a imprensa – seja mais um dos muitos atos do governo dando uma "mão na roda" para tirar do atoleiro empresas que têm seus lucros diminuídos por conta da crise econômico-financeira. Enquanto isto, denúncias do deputado Ivan Valente revelam que, entre 2003 e 2008, o governo Lula retirou praticamente R$ 33 bilhões da educação.

Waldemar Rossi

Com uma boa dose de surpresa li a notícia de que o governo Lula estará destinando R$ 28 bilhões (que depois passaram a ser R$ 34 bilhões) para a construção de moradias populares. Surpresa porque não tinha visto ainda tanta disponibilidade para projetos de interesse realmente popular. Afinal, desde muito tempo que o Movimento Social reivindica destinação de dinheiro público para a moradia popular, assim como para a reformulação total nas estruturas da saúde e educação públicas, para a reforma agrária e para o saneamento básico, entre tantas outras carências populares.

Procurando informações sobre o projeto, pude descobrir que ele está voltado especialmente para a construção de moradias a quem ganha até três salários mínimos. Indo além, veio outra informação tão ou mais importante que as demais. A construção dessas moradias está reservada para sete grandes empreiteiras nacionais, a saber: Cyrela, Rossi, Brascan, Walter Torre, Odebrecht, Gafisa e Camargo Corrêa. Acordo firmado entre as empreiteiras e o governo federal (Diário de São Paulo – 25/03/09 – pág. B2).

Foi então que me veio a seguinte pergunta: por que não garantir tal tarefa aos próprios trabalhadores pelo já consagrado Sistema de Mutirão? Pois está comprovado que, por tal sistema, com acompanhamento técnico, o preço de cada unidade cai ao menos pela metade, uma vez que não contempla os fabulosos lucros impostos pelas empreiteiras – lucros acima de 100%. Mais que isto, pelos mutirões se garante maior distribuição de renda uma vez que não se utiliza tanto equipamento, tanto maquinário, envolvendo um número muito maior de trabalhadores. E não seria uma aventura porque, já posto em prática em vários municípios brasileiros, a começar pela cidade de São Paulo, na gestão de Luiza Erundina, eleita pelo PT. Temos exemplos, inclusive, de iniciativas dessa natureza bancadas, depois de pressão popular, pelo governo do estado de São Paulo, que nunca foi petista.

Simultaneamente à revelação do plano surge um fato novíssimo: foram presos pela Polícia Federal quatro diretores da Camargo Corrêa (uma das empresas acordadas com o governo), além de duas secretárias, acusados como responsáveis por crimes contra o patrimônio público, através de superfaturamento de obras públicas, além da lavagem de dinheiro.

Convém lembrar que as denúncias de corrupção contra empreiteiras são antigas e envolvem pelo menos algumas das agora acordadas: além da Camargo Corrêa, há antigas denúncias também contra a Odebrecht (lembram-se das denúncias, em 1992, do então deputado federal pelo PT, Zé Dirceu?). Se tais empresas têm o mau hábito de superfaturar, por que então fazer acordos logo com elas? Não teria tal fato relação direta com o financiamento das campanhas eleitorais? Um episódio, do qual não me esqueço, está relacionado com a tal denúncia do Zé Dirceu e os dois cheques da Odebrecht depositados na conta do PT paulista, em 1994, para financiar a campanha eleitoral de Lula para presidente e Zé Dirceu para governador do estado. Depois desses depósitos as denúncias desapareceram.

É importante verificar que o governo vem adotando medidas para "salvar" empresas em "crise"; crise protagonizada pelo próprio capital ávido de lucros exorbitantes a qualquer preço. Assim, não é arriscado demais concluir que, de fato, o tal pacotão – como o trata a imprensa – seja mais um dos muitos atos do governo dando uma "mão na roda" para tirar do atoleiro empresas que têm seus lucros diminuídos por conta da crise econômico-financeira. Enquanto isto, denúncias do deputado Ivan Valente revelam que, entre 2003 e 2008, o governo Lula retirou praticamente R$ 33 bilhões da educação.

Por tudo isso, é preciso estar atento também à possibilidade de mais uma jogada de publicidade, com fins eleitorais, pois a imprensa burguesa já está colocando as próximas eleições na pauta política. E, afinal, estamos fartos de ouvir, ver e ler sobre mega-projetos com cara de popular, ainda que voltados para atender ao capital, que praticamente não saíram do papel.

Único projeto para o qual não faltou dinheiro em larga escala, até agora, foi para o famigerado "superávit primário", dinheiro do povo que continua sendo jogado no colo dos banqueiros.

A população tem o dever de ficar atenta às manobras dos políticos, porque estão mergulhados em verdadeiros poços de corrupção ativa e passiva, tem o dever de exigir que o dinheiro do orçamento seja voltado para o bem estar de toda a população brasileira, e não mais para os interesses dos exploradores do povo.

*Metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.

EM AÇÃO O EMPREENDEDORISMO COMUNITÁRIO

Visita ao campo de trabalho. O NCPAM com o apoio do SEBRAE Amazonas visitou nesse sábado (28) os catadores de lixo da comunidade Monte das Oliveiras, nas adjacências do Bairro de Santa Etelvina, situado na Zona Norte de Manaus, para conferir dados e definir estratégia de formação relativa às Oficinas a serem oferecidas a esses trabalhadores, no próprio bairro, a partir do próximo sábado (04), das 14 às 17 horas, na Igreja do Preciosíssimo Sangue. O Programa conta com o apoio da Pró-Reitoria de extensão da Universidade Federal do Amazonas, em parceria com o Instituto Ambiental Dorothy Stang, que representa os catadores nessa articulação.

O programa do NCPAM contempla os projetos aprovados no Programa Atividade Curricular de Extensão (PACE) para o primeiro semestre de 2009, concentrando esforço na formação continuada, com foco no empreendedorismo comunitário e na apropriação das ferramentas da internet, com objetivo de potencializar os atores quanto à competitividade no mercado dos reciclados e demais segmentos, buscando agregar valor aos seus produtos, gerando trabalho e renda.

O encontro dos estudantes pesquisadores do NCPAM com as mulheres catadoras foi marcado por perguntas e considerações, visando compreender melhor a dinâmica de trabalho e sua perspectiva de mercado. Essa relação será recorrente nas Oficinas, gerando entre os alunos pesquisadores e os catadores de lixo uma reciprocidade aprendiz, resultando em dois produtos. O primeiro será a construção de um Plano de Negócio para esses trabalhadores e o segundo é a Elaboração de um Blog comunitário (uma página eletrônica) para dar mais visibilidade aos seus produtos e ampliar a comunicação em rede, promovendo também a inclusão dos filhos dos catadores nesse processo de trabalho.

O programa está aberto e pretende interagir com outros parceiros, que já vem implementando projetos da mesma relevância, visando à satisfação dos participantes quanto à aprendizagem e a realização de seus objetivos operacionais.

sexta-feira, 27 de março de 2009

SENADOR JOÃO PEDRO DO PT DIZ NÃO AO PORTO

O Senador João Pedro (PT/AM), em pronunciamento no Seminário Ambiental do Lago do Aleixo, afirmou que a discussão sobre a construção do Porto das Lajes, faz pensar sobre o modelo de desenvolvimento operante na Amazônia porque sempre vem de fora para dentro sob o comando do poder econômico. Eles, os capitalistas, sempre olharam assim, como se Amazônia fosse um vazio, achando que aqui chegando podem tudo e compram todos. Não respeitam os saberes populares e suas organizações. Ora, fazer esse porto aqui é um verdadeiro engano. Mas, aqui a teimosia se faz presente e se transforma em boa resistência. Quero parabenizar os organizadores e vamos teimar juntos e vamos enfrentar esse modelo autoritário de desenvolvimento que não faz caso em ouvir a voz, o sentimento, a história desse povo.

O Seminário recepcionou a visita dos três Senadores da República Jefferson Praia, Artur Virgílio Neto e João Pedro mais ainda a presença dos Deputados Luiz Castro e Ângelo Filgueira e do Vereador Mário Frota. Todos esses parlamentares fazem parte da Frente Parlamentar Contra o Porto das Lajes, em favor do reconhecimento do Encontro das Águas e das Lajes como patrimônio do seu povo.

A OMISSÃO E SILENCIO DOS EMPRESÁRIOS

A nossa indignação, diziam os comunitários, é que “não há transparência” os empresários e os governantes silenciam, “reina uma passividade”, que beneficia diretamente os predadores com máscara de empreendedores. Todos foram convidados, coincidência ou não, tanto o IPAAM (órgão licenciador do Estado) e os representantes da Log In, alegarem que “infelizmente, em decorrência de compromissos previamente agendados, não teremos com atender”. O cinismo dessa gente é tão grande que chega ao absurdo de se recusar a prestar esclarecimento a população. No dia 02 (quinta-feira) próximos os empresários vão participar do Encontro com o Povo, no Amazona Sat e mais uma vez vão mentir...mentir...mentir. Mas, atendendo convite do Senador Artur Virgílio Neto os comunitários e assessores irão a Brasília para falar diretamente com os ministérios envolvidos e botar a boca no trombone para barrar esse atentado que é a construção do Porto das Lajes.

CRESCE A LUTA DOS COMUNITÁRIOS DO LAGO DO ALEIXO



O Movimento SOS Encontro das Águas comandado pelo Conselho Comunitário da Colônia Antonio Aleixo, que participa diretamente na luta contra a construção do Porto das Lajes, vem mobilizando forças junto aos diversos segmentos sociais de Manaus para consolidar sua organização e participar da construção do Plano de Manejo do Lago do Aleixo. No Seminário, a representante do MORHAN fez a apresentação do Conselho Gestor da Comunidade, apresentando as lideranças sociais e suas organizações comunitárias. Esta apresentação se fez necessária para afastar qualquer dúvida sobre a legitimidade do Conselho. Portanto, não adianta os empresários inventarem associação de papel – faz de conta – como de papel é a empresa das Lajes, que é controlada pela Log-In Logística Intermodal S/A.



Os comunitários da Comunidade Bela Vista, em deslocamento para participar do Seminário, em pleno Lago do Aleixo, vieram em canoas para discutir o futuro do Lago e tomar conhecimento dos impactos que a construção do porto, caso ocorra, estará depredando o meio ambiente e ameaçando a qualidade de vida dos moradores das Comunidades. A luta desse povo tem crescido e recebido adesão de partidos políticos, intelectuais, representação das organizações sociais para garantir a defesa do ecossistema do Encontro das Águas como nosso patrimônio.

SENADORES POSICIONAM CONTRA O PORTO DAS LAJES



O Seminário organizado pelos Comunitários do Lago do Aleixo contou com a participação do senador Jefferson Praia (PDT/AM), que se posicionou contra a construção do porto das Lajes, chamando a atenção dos agentes públicos a repensarem o modelo de desenvolvimento regional numa perspectiva do turismo rural e outras potencialidades, valorizando os serviços ambientais. Para isso “é preciso participar, é preciso levar esta mensagem para longe, junto aos familiares, escolas, visando à responsabilidade e a consciência ambiental de todos, em particular os empresários que investem nessa região”. Se colocou a disposição para “o que der e vier”, conclui.



O Senador e Líder da oposição, Artur Virgílio Neto (PSDB/AM) afirmou categoricamente aos comunitários do Lago do Aleixo, "que é preciso acabar com esta brincadeira de construir um porto no Encontro das Águas é preciso sensibilizar estas autoridades para que eles entendam que a nossa Estátua da Liberdade é o Encontro das Águas, não podemos permitir essa obras. Tem gente graduada por trás disso. Tem gente que adora o deus dinheiro, que vive da corrupção. Aliás, corrupção no Amazonas é como uma praga a se multiplicar, mas essa é demais, querer privatizar o Encontro das Águas, qualquer dia desse vão vender o Estado do Amazonas. É hora de todos se manifestarem. Ora, se alguém for a favor diga claramente porquê, seja quem for. Para nós, o Encontro das Águas é nossa alma. Eu acho estranho, muito estranho a passividade dos governantes do nosso Estado. Quero expressar minha solidariedade aos comunitários. Vou fazer um pronunciamento no Senado Federal e cobrar dos parlamentares do Estado uma participação efetiva contra a construção do Porto das Lajes. Estão tomando dinheiro do povo do Amazonas porque para nós o Encontro das Águas é também uma fonte de riqueza do Amazonas, bem esse bem maior deve ser preservado para o povo do Amazonas. Esta gente está perdendo o respeito pelo nosso povo, estão tratando o nosso Estado como quintal do latifundiário deles, como coisa privada. Isso não resiste uma matéria da imprensa nacional. Vamos todos combater essa quadrilha que quer se apropriar da nossa riqueza, da riqueza do povo do Amazonas. Sou capaz de pedir uma audiência ao Presidente da República, como líder da oposição, para garantir a defesa do nosso Patrimônio, que é o Encontro das Águas e todo o seu ecossistema."

MÁRCIO SOUZA PARTICIPA DO I SEMINÁRIO AMBIENTAL DO ALEIXO



O escritor e dramaturgo amazonense, Márcio Souza vai à comunidade do Bairro Antonio Aleixo, na Zona Leste de Manaus, para discutir com os moradores as razões que justificam o posicionamento contra a construção do porto na região do sítio das Lajes, nas mediações do magnífico Encontro das Águas. O escritor, assim como os comunitários, afirma que “não somos contra o progresso, não somos contra a construção do porto, mas aqui nas Lajes e no Encontro das Águas não”. Márcio Souza foi recepcionado pelo Raimundo Barreto, liderança do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) e pela bióloga Elisa Vieira Vandelli, da Associação Amigos de Manaus.


Márcio Souza fez a abertura do Seminário conclamando os moradores do Lago do Aleixo, os manauaras e os cidadãos de bens do planeta, a posicionarem contra este atentado ao meio ambiente, que é a construção de um monstrengo portuário na linha do Encontro das Águas. O escritor foi muito aplaudido pelos comunitários e terminou dizendo que a luta é de todos e “devemos ficar atentos para assegurar esses recursos as novas gerações”.

quarta-feira, 25 de março de 2009

PARTICIPE DO I SEMINÁRIO AMBIENTAL DO LAGO DO ALEIXO


Em Manaus, nesta sexta-feira (27) das 8 da manhã até as 18 horas, os comunitários do Lago do Aleixo, estarão participando do I Seminário Sócio-ambiental do Bairro Colônia Antonio Aleixo para se definir estratégias que possam garantir a vitalidade do Lago como patrimônio ambiental dos comunitários, recorrendo às empresas instaladas nos arredores do Lago para que cumpram com sua responsabilidade social e ambiental protegendo a vida e conservando a beleza natural do exuberante Lago do Aleixo.

Os organizadores do evento esperam “contribuir para disseminar conhecimento técnico-científico, empírico e político para promover ações que responsabilizem cada vez mais os órgãos ambientais do Estado no cumprimento da legislação, monitorando a relação homem e natureza”.

Manifeste sua solidariedade aos comunitários, que no momento estão lutando para elaborar um plano de manejo para o Lago e barrar uma vez por toda a construção do Porto das Lajes, que ameaça o majestoso Encontro das Águas, o Sítio Geológico das Lajes e a qualidade de vida dos moradores.

Programação:

8h - 8h30: Recepção e credenciamento dos participantes;
8h30 -8h45: Abertura oficial do seminário / composição da mesa;
8h45-9h: Apresentação
9h-9h30h: Palestra inicial:
Licenciamento e Controle Ambiental na Cidade de Manaus.
Realidade sócio-ambiental do Bairro Colônia Antonio Aleixo.
Conselho Gestor Sócio-Ambiental / Coordenadora do
MORHAN - Manaus, Valdenora da Cruz;
Licenciamento e Controle Ambiental na Cidade de Manaus /
Representante do IPAAM;

9h30-10h: Segunda palestra: Realidade sócio-ambiental do Lago do Aleixo / Assistente
Social, Isaque Dantas;
10h-10h30: Terceira palestra (a combinar)
10h30-11h: Manifestação da plenária;
11h-11h30- Posicionamento da mesa;
11h30-11h45: Leitura da programação para o período da tarde;

11h45-14h00: Almoço;
14h -14h15: Composição da mesa;
14h15 - 15h: Quarta palestra: Porto das Lajes;
15h - 15h30: Quinta-palestra (a combinar)
15h30-16h: Sexta-palestra: Impactos de vizinhança / Pe. Guilherme Cardona;
16h-16h30: Manifestação da plenaria;
16h30-17h: Considerações da Mesa;
18h: Encerramento do Seminário;

Inscrições gratuitas:

1- Na sede do Clube de Mães Irmã Ruth Moura, Avenida Getulio Vargas, s/n, próximo a
praça central. Tel: (92) 3618/5293 (tarde);
2- Dia do Seminário no Centro Social Frei Miller;

Informações: Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo, Tel: (92) 3618/ 5221
(manhã);

Orientação: Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e o Direito Ambiental.
Dr. Fernando Dantas da UEA

Assessoria: Universidade Federal do Amazonas; Universidade Estadual do Amazonas; Faculdade Martha Falcão

PROPOSTA PARA DISCUSSÃO

As prioridades indispensáveis para o desenvolvimento, realmente sustentável, das comunidades do Lago Aleixo. Em primeiro lugar a revitalização e preservação do seu maior patrimônio, que é o Lago seguido dos serviços necessários para sua revitalização:

Dragagem (desassoreamento) total ao longo de todo o leito do Lago, desobstrução de todas as suas nascentes e bocas (entradas e saídas do lago para o rio Amazonas); reflorestamento das margens. Atenção: é importante e indispensável que neste reflorestamento sejam utilizadas somente espécies da flora nativa destas áreas que são inundáveis periodicamente.

Beneficiamento dos vários portos (finais de ruas que se limitam com o lago) e que são imensamente utilizados por todos moradores e visitantes, como porto de embarque e desembarque de pessoas e também como área de balneabilidade (banho).

Que todos os empreendimentos aqui instalados públicos ou privados, que jogam dejetos químicos ou fecais no Lago do Aleixo, sejam dotados de estação de tratamento para que a revitalização do lago realmente atinja o objetivo esperado.

Que o trecho situado na curva da entrada do bairro 11 de Maio, de onde se tem uma vista fantástica para o Lago do Aleixo, para o rio Amazonas e para o Encontro das Águas, trecho esse que é formado por uma grande cratera que há muitos anos vem sendo utilizada para deposito de serragem da serraria Pereira e palco de muitos crimes, estupros, assaltos, seja revitalizado imediatamente voltando a ser um dos nossos cartões postais.

Feito isto, após ser retirada toda a serragem ali depositada, seja aterrado com aterro que vai ser retirado do leito do Lago do Aleixo e transformado em uma bela e espaçosa praça, para servir de lazer de todos os moradores e visitantes, valorizando o lugar como mirante das águas.

Que se construa um centro cultural para realizações de eventos relativos à cultura, a valorização da comunidade e do meio ambiente

Duplicação, calçamento e iluminação da estrada da Colônia Antônio Aleixo. Assim como a reforma e ampliação das escolas da comunidade, que estejam necessitando desses serviços.

Um benefício que é de interesse tanto dos moradores da Colônia Antônio Aleixo quanto da comunidade Bela Vista é a construção da ponte interligando os dois bairros, a falta dessa ponte dificulta muito a vida dos moradores do bairro Bela Vista, principalmente das crianças e adolescentes que estudam nas escolas da Colônia e que dependem de catraia, quando o rio está cheio, durante a seca têm que encarar o lamaçal em que se transformou o leito do Lago do Aleixo.

APROPRIAÇÃO INDÉBITA DA AMAZÔNIA



Na onda verde, as indústrias e as empresas de serviços, assim como o Bradesco e a Log-In Logística Intermodomal, entre outras, se apropriam da marca Amazônia, visando à acumulação e multiplicação do capital desses empreendimentos, contrariando interesses coletivos dos moradores dessa região.

Com essa determinação agem como ave de rapina, satisfazendo seus apetites vorazes em detrimento dos valores culturais e ambientais constitutivos da identidade de nossa gente. Para esses “cartolas do verde” tudo é possível e as leis passam ser apenas um detalhe a ser convertido em facilidades em conluio com os agentes públicos, respeitando as exceções.

Exceções essas que salvam as regras. É caso da luta dos manauaras encabeçada pelos moradores da Colônia Antonio Aleixo, da zona leste de Manaus, que se levantaram contra a construção do Porto das Lajes, apelidado também de Porto Verde pela Log-In Logística Intermodal, que vem sendo representada em Manaus pela Lajes Logística S/A.

Não satisfeitos e indiferentes a luta dos manauaras contra a depredação das Lajes e do Encontro das Águas, a Log-In, bancada pelo capital da BOVESPA e da Companhia Vale do Rio Doce, se apropriou da marca Amazônia, mas precisamente de sua bacia hidrográfica, que é a maior do Brasil para batizar o seu mais novo cargueiro de Log-In Amazônia, do mesmo modo que fez em relação ao pantanal. O Curioso é que essa empresa em seu Estatuto, não contempla sequer nenhuma Diretoria voltada à questão ambiental. Trata-se apenas de verniz deslocado de qualquer proposta sustentável.

A empresa Log-In, assim como chamou cinicamente o Porto das Lajes de Verde, resolveu também, segundo sua assessoria de imprensa, buscar na maior bacia hidrográfica do Brasil e na região que concentra espécies únicas da flora e da fauna a inspiração para batizar seu mais novo cargueiro como: Log-In Amazônia.

O porta contêineres mede 183 metros de comprimento, tendo a capacidade nominal de 1.700 TEUs (contêineres). Composto com Três guindastes com capacidade máxima de 45 toneladas, dando autonomia a empresa para a movimentação de contêineres mesmo em portos com poucos recursos de equipamentos, porque o calado máximo de 10 metros assegura a navegabilidade em qualquer porto brasileiro, inclusive na região Amazônica.

Segundo a empresa, “o Log-In Amazônia é dotado dos mais modernos equipamentos de navegação e de comunicação, garantindo total segurança em suas operações. Com uma tripulação brasileira, experiente e treinada. Foi feito com tecnologia de ponta e os motores com baixa emissão de gases poluentes refletem a preocupação da Log-In com o meio ambiente”.

O Log-In Amazônia atuará no serviço de navegação costeira, interligando os principais portos do Brasil e do MERCOSUL. “Junto com o Log-In Pantanal, o navio representou um investimento de R$ 182 milhões, ampliando a nossa capacidade na navegação em 75%. E isso é só o começo dos investimentos da Log-In. Ainda este mês iniciaremos a construção dos nossos cinco novos navios”, conclui a nota.

Para a Log-In, que conta com o apoio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) e do governo do Estado do Amazonas, a construção do porto das Lajes é certa como dois e dois são quatro ou apenas um balão para deslocar o foco para outros investimentos fora do protocolo oficial.

Confira no Site da Login

PELA PROTEÇÃO DA NATUREZA

O processo de comunicação que o NCPAM celebra com os parceiros é inteiramente aberto pautado na credibilidade e na ética da responsabilidade. Por isso creditamos as informações que nos passam e damos visibilidade às mensagens, respeitando o anonimato e a natureza de sua individuação. Confira o comentário feito por um dos nossos internautas referente à luta dos comunitários do Lago do Aleixo, que também diz respeito aos homens e mulheres de visão:

“Já era hora de nós cidadãos manauaras protegermos um dos nossos maiores patrimônios, que é o Encontro das Águas, com o Sítio das Lajes referendado pela brilhante pesquisa dos professores da UFAM, só falta às autoridades "mor" desse país e do Estado do Amazonas, o uso do bom senso para a Viabilidade de uma construção sim, mas em outro local, sem causar danos ao meio-ambiente!!. Se formos buscar o hino de Manaus, a primeira estrofe, é simplesmente dedicada ao encontro dos rios Negro e Amazonas.

"O rio negro majestoso vai correndo pressuroso o Amazonas engrossar...". " A vitória-régia, flor ostentando linda cor tem no seu desabrochar teus sorrisos, teus afagos nos teus grandes, belos lagos onde garças vão pousar". A referência aos Lagos, no hino, não sei explicar, mas cabe ao Lago do Aleixo em seu antigo caminhar”.

Cresce o sentimento de pertença e de luta, superando a indiferença e a omissão, o que justifica cantar a nossa aldeia num ritmo solidário e fraterno, pela especificidade de nossa natureza e cultura, animando corações e mentes em defesa da qualidade de vida
do planeta.

JOHNNY ESTRELLA EM MANAUS

O SEBRAE Amazonas, que é um dos nossos parceiros, estará realizando nesta quinta-feira (25), das 18 às 21 horas, palestra sócio-educativa sobre a VIDA E AS TRAPAÇAS EXISTENCIAIS baseada na história de vida e na musicalidade de João Guilherme Estrella, o personagem real do livro que na tela se chamou “Meu Nome não é Johnny”, sob a direção cinematográfica de Mauro Lima. A entrada é franca e o Teatro é o do SESC, na rua Henrique Martins, no centro histórico de Manaus. O show contará com a participação de artista local e outros atores, prometendo sucesso e profunda reflexão sobre os labirintos da vida numa perspectiva da felicidade.

MEIO AMBIENTE VIRA CASO DE POLÍCIA

Brasília Urgente: Os ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Meio Ambiente, Carlos Minc realizaram, na terça-feira (24), a primeira reunião da Comissão Interministerial de Combate aos Crimes e Infrações Ambientais (CICCA).

“É preciso intensificar as ações de combate ao desmatamento e promover a integração entre os diversos órgãos do governo, para aumentar a troca de informações”, declarou Tarso Genro.
Os encontros da Comissão serão semanais para definir estratégias de prevenção e repressão.


Até abril 50 agentes estarão capacitados em temas como políticas públicas e meio ambiente. Somente esse ano serão formados 400 agentes.

Minc explicou também que mudou o perfil da degradação das matas no Brasil com a atuação das polícias Federal (PF), Rodoviária Federal (PRF) e IBAMA. “Houve uma redução em áreas extensas de 200 hectares”.

As operações vão receber o apoio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), que já tem uma companhia especializada para esse tipo de atuação.

Participaram da reunião o secretário Nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, o diretor da PRF, Hélio Derene e representantes do Ministério da Meio Ambiente.

terça-feira, 24 de março de 2009

RECONHECIMENTO E APROVAÇÃO DO SÍTIO DAS LAJES PELA SIGEP

O processo de reconhecimento do Sítio geológico das Lajes é uma iniciativa da geóloga e professora Elena Franzinelli, em parceria com o geólogo e Professor Hailton Igreja, ambos da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que formalizaram juntos à Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos (SIGEP) protocolo, visando sua avaliação e a aprovação deste que é um “excepcional atrativo ecoturístico da cidade de Manaus”, como bem qualificou um dos parecerista do processo Carlos Schobbenhaus.

O Sitio geológico Ponta das Lajes situa na Zona Leste de Manaus a margem esquerda do rio Negro, na confluência do Encontro das Águas (rio Negro com Solimões) e caracteriza-se, segundo os proponentes do processo, por uma saliência de rochas silicificadas da formação Alter do Chão cretácica, que se estende em direção ao centro do rio na base de uma falésia com cerca de 90m de altura. A Ponta está localizada no nível da água no período de seca, sendo encoberta pela água nas estações de chuva e de cheia dos rios.

Para os pesquisadores, “os sedimentos silte-argilosos silicificados mostram extratificações cruzadas típicas de planície de inundação, sobrepostos por arenitos grosseiros com extratificações cruzadas acanaladas de grande porte. Em alguns locais são observadas estruturas de chamas em contato entre as duas unidades. No arenito ocorrem também estruturas tectono-sedimentar e feições resultantes de processos de fluitização”.

A Ponta das Lajes está localizada próximo ao ponto de máxima profundidade do rio (aproximadamente 90m) e em frente à ilha do Careiro formada por depósitos holocênicos. Isso evidencia a ação neotectônica no local.

“A Ponta das Lajes, além de oferecer subsídio para a interpretação do ambiente de deposição da Formação Alter do Chão na parte central da bacia Amazônica, é também ponto chave para a definição das estruturas da neotectônica que influenciou a origem da logística do Encontro das Águas”, explicam os professores da UFAM.
O processo em curso já foi aprovado pela SIGEP, destacando a importância do Sítio geológico das Lajes pelas seguintes razões: Geográfica: Por sua posição em frente ao Encontro das Águas dos rios Solimões e Negro; Geológico: Devido à ocorrência de estruturas sedimentares que facilitam a interpretação do ambiente de sedimentação da Formação Alter do Chão; Tectônico: ao longo do lineamento Aleixo; Histórico: Tendo em vista que o primeiro núcleo da cidade de Manaus foi instalado próximo ao local proposto.

O parecer científico emitido pelo membro da Comissão de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e do SIGEP, Carlos Schobbenhaus que justifica a aprovação da proposta de reconhecimento do Sítio geológico das Lajes de Manaus fundamento-se nos seguintes argumentos da ciência geológica:

“A proposta relaciona-se a um importante sítio do conhecido ‘Arenito Manaus’, assim referido pelos primeiros pesquisadores que o estudaram e, posteriormente, incorporado como uma fácies sedimentar na Formação Alter do Chão, unidade do Cretáceo Superior que se estende ao longo do Amazonas por quase 1.000 km, até próximo a Belém. Os primeiros estudos com enfoque sobre a litoestratigrafia e do arranjo tectono-estrutural aflorantes na região da cidade de Manaus foram desenvolvidos por um dos proponentes da presente proposta (Franzinelli & Piuci, 1988)”.

O parecerista afirma também, que se “trata de uma importante exposição do Mesozóico na calha do Amazonas, junto ao Encontro das Águas, excepcional atrativo ecoturístico da cidade de Manaus. Adicionalmente, o sítio proposto tem interesse para o conhecimento dos efeitos da Neotectônica no local. O ‘Arenito Manaus’ tem também importância histórico-cultural relacionada ao sítio de construção da cidade de Manaus. Aprovo o sítio proposto e também os nomes dos proponentes para a descrição do mesmo”.

Com a aprovação desse processo junto à academia de ciência do Brasil que é a SIGEP, o empreendimento do Porto das Lajes encontra-se inviabilizado, devendo ser rechaçado imediatamente sob pena da empresa Log-in Logística Intermodal bancada pela BOVESPA e Companhia Vale do Rio Doce cometer um crime contra a humanidade.


Site do SIGEP

NÃO SOMOS CONTRA O DESENVOLVIMENTO

Nas águas do lago do Aleixo, que já teve uma de suas bocas assoreadas e aterradas por grileiros, estão sendo lançados toda a sorte de detritos, metal pesado, chumbo e esgotos. A questão fundiária é negligenciada pelo poder público.


Márcio Souza*

Uma das táticas para desacreditar movimentos como o nosso em defesa do Encontro das Águas e a Ponta das Lajes, áreas ameaçadas pela construção de um porto privado para embarcar contêineres do Distrito Industrial, é carimbar a ação como antiprogresso, como coisa de gente atrasada que não quer a redenção econômica do Amazonas e, pior, prefere manter as populações carentes no mesmo círculo de miséria.

Assim, defender um monumento paisagístico seria o mesmo que repetir em pleno século 21 a atitude dos movimentos Ludistas, que semearam terror entre os empresários
ingleses na passagem do século 18 para o 19.

Os Ludistas tinham como prática a destruição dos teares, segadeiras e outras máquinas que a revolução industrial estava rapidamente introduzindo nas indústrias.

Ficaram na história como quebradores de máquinas.

Pensadores da época ficaram intrigados com a atitude daquela gente humilde, profundamente religiosa, que de uma hora para outra explodia em violência, incendiando empresas e destruindo equipamentos a marretadas.

Logo encontraram o motivo: medo e insegurança. Podemos garantir que não é o nosso caso. Não queremos quebrar máquinas e nem impedir o desenvolvimento do Amazonas. Não temos nenhuma intenção de preservar a natureza intocada em detrimento da miséria em que se encontra boa parte dos moradores da área. E não temos medo ou insegurança.

Não tememos as transformações. Na verdade, as queremos! Vejamos nossa posição.
Somos contra a construção do porto privado na Ponta das Lajes. Não queremos que o
Encontro das Águas, patrimônio paisagístico e parte fundamental de nossa identidade manauara seja corrompido pelo movimento de embarcação de grande porte atracando nas suas proximidades.

Mas não somos contra a construção de portos, sejam estes privados ou públicos. Manaus conta com cerca de 60 portos e locais de atracação. Por acaso meus sete leitores ouviram falar de algum protesto nosso contra esses portos e atracadouros?

Estamos pedindo o fechamento dos portos da Superterminais e do Chibatão? Estamos nós querendo acabar com o Roadway? Alguém ouviu algum ataque nosso contra a construção da ponte sobre o rio Negro? Como podem ver não nos move nenhum espírito passadista ou antidesenvolvimentista.

Não temos nada contra o projeto da Log-in Logística intermodal em fazer um porto em Manaus. MAS NÃO NA PONTA DAS LAJES! E certamente há alternativas, se a empresa realmente estiver interessada autenticamente em nosso desenvolvimento, sem agredir nossa cultura e nossa paisagem.

Confesso aos meus sete leitores que de certa maneira entendo a escolha desses empresários que querem a construção do porto privado na Ponta das Lajes. Aquilo ali se transformou na cloaca do Distrito Industrial.

Nas águas do lago do Aleixo, que já teve uma de suas bocas assoreadas e aterradas por grileiros, estão sendo lançados toda a sorte de detritos, metal pesado, chumbo e esgotos. A questão fundiária é negligenciada pelo poder público.

O mirante das Lajes, que é de responsabilidade da Prefeitura, é um lugar abandonado e de difícil acesso, quando seria um espaço magnífico para exploração do turismo (um empresário sabido está construindo um motel).

Com tudo isso, e como o local é um lixo, não é para menos que esses empresários, que nem são daqui, estejam perplexos com a reação contrárias aos seus interesses. Pois se o Encontro das Águas é tão importante para nós, porque deixamos que chegasse a esse ponto de degradação?

*Renomado escritor e dramaturgo amazonense, articulista de A Crítica, em Manaus
.

ELEIÇÃO PARA REITORIA DA UFAM




Nesta terça-feira (24) os candidatos a reitoria para Universidade Federal do Amazonas (UFAM) participaram de um caloroso debate no auditório Eulálio Chaves, no campus universitário, quando expuseram suas propostas e defenderam seus projetos, visando o fortalecimento da instituição e a efetividade de suas obras tanto na capital quanto no interior do Estado em seus diversos segmentos.

O debate foi mediado pelos representantes da Associação dos Docentes (ADUA) e da Associação dos Servidores (ASSUA), contando com a presença de todos os candidatos – Sylvío Pulga, Nelson Fraiji, Gilson Monteiro e Márcia Perales -, iniciando as 9 e se prolongando até às 12 horas.

Por ser a única candidata mulher, a professora Márcia Perales buscou estabelecer um vinculo com os seus eleitores, destacando as políticas de gênero e fundamentando o seu projeto na experiência implementada a frente da pró-reitoria de extensão. Os demais candidatos segundo o aluno Armando Freitas apresentaram “só blá-blá-blá”.

Comentários a parte, registra-se também a estratégia do candidato Gilson Monteiro, que em todos os debates reivindica da comunidade acadêmica “respeito, carinho e atenção”. Dessa vez, recorrendo à interatividade eleitoral identificou na platéia uma professa que a convidou a subir no palco para lhe dar um abraço, que para ele “estendia-se a toda a universidade”.



Os candidatos levaram suas “galeras”, aplaudindo e manifestando apoio. O auditório que comporta 600 pessoas estava lotado, permitindo uma ampla discussão sobre a presença da UFAM na Amazônia, bem como sua competência intelectual frente à pesquisa, ensino e extensão no contexto da gestão e efetivação dos projetos políticos pedagógicos de cada curso tanto na graduação como na pós-graduação.

A eleição é um espaço democrático para se conferir a participação e o compromisso de todos, alunos, técnicos e candidatos, na perspectiva de se garantir a gratuidade do ensino com qualidade e competência pautada numa gestão responsável e participativa.

A eleição será no dia 02 de abril, quando a comunidade da UFAM escolherá o melhor candidato para gerir o futuro da instituição para o quadriênio (2009/13), fazendo valer a presença da UFAM em todos os fóruns promotores da ciência e do desenvolvimento humano na Amazônia
.

CARAVANA DE LAS AGUAS PROTESTA CONTRA CONSTRUCCIÓN DE PUERTO


Con el objetivo de convertir el Encuentro de las Aguas de los Ríos Negro y Solimões, ubicado en la Amazonia brasilera, en un Patrimonio de la Humanidad, la Comunidad de Colonia Antônio Aleixo, situada en la zona este de Manaus, junto con académicos y organizaciones sociales, se están realizando una serie de actividades para impedir que una terminal portuaria sea construida en el lugar.

Ayer (22), el S.O.S Encuentro de las Aguas organizó la 3ª Caravana de las Aguas que contó con la participación de habitantes de la comunidad y simpatizantes de la causa. "La Caravana fue un tributo a las aguas realizado por las comunidades en celebración del Día Mundial del Agua. La manifestación estuvo capitaneada por las asociaciones de mujeres de la comunidad en cooperación con los pescadores. En vez de tirar la basura en el Lago del Aleixo como hacen las empresas, nosotros tiramos rosas", afirma el profesor Ademir Ramos, coordinador del Núcleo de Cultura Política de la Universidad Federal de Amazonas...

Foto: Rogelio Casado

TEORIA LITERÁRIA SEM FRESCURA

Ao deixar de lado a linguagem obscura de muitos eruditos pedantes, nos apresenta um estilo agradável, leve, saboroso e, por vezes, bem humorado; sem preterir, contudo, a profundidade e o rigor no trato com o conteúdo.

Ricardo Lima*

Apresentar um assunto tão complexo como a Teoria da Literatura pode ser uma tarefa monótona e, por vezes, malograda; principalmente quando se trata de expor a um iniciante, da leitura ou da escrita, todas as principais escolas, tendências e enfoques na forma de se analisar e produzir um texto; dificilmente se conseguirá levar á cabo tão espinhosa tarefa sem tornar-se enfadonho ou mesmo redundante; basta lembrar-mos dos velhos e chatíssimos manuais de literatura do nosso combalido ensino médio que, ao invés de criar em nós alunos o gosto pela arte da escrita, inculca-nos uma verdadeira aversão pelos livros.

Mas não é esse o caso de O Texto Nu, de Zé Maria Pinto, um belo ensaio sobre ofício literário. Como já bem diz o titulo, o texto é despido, desmascarado, destrinchado e analisado sob as mais diversas perspectivas. Ao deixar de lado a linguagem obscura de muitos eruditos pedantes, nos apresenta um estilo agradável, leve, saboroso e, por vezes, bem humorado; sem preterir, contudo, a profundidade e o rigor no trato com o conteúdo. Talvez o presente ensaio se encaixe no famoso depoimento de Antonio Cândido sobre a vida de Aurélio Buarque de Holanda, quando o sociólogo da cultura afirmara que se deveria prezar pela seriedade sem, contudo, tornar-se sisudo.

Maria Pinto vai dos primórdios da criação textual e da analise da palavra, começando com a Grécia antiga, a dramaturgia trágica e as tentativas de Platão em explicar a arte, até a nova critica multidisciplinar dos dias de hoje; as características mais elementares de todas as escolas literárias através dos séculos; a distinção entre o texto-obra, artístico, e o texto objeto, usual no cotidiano; as correlações entre a forma e conteúdo; as analises sincrônicas e diacrônicas, esta, uma homologia entre os estilos de época e o quadro evolutivo da literatura ao longo da historia, enquanto aquela detêm-se na classificação literária enquanto modelo formal pertencente a determinado gênero; as variadas formas de se criar boa poesia; a distinção entre estilos individuais, como a marca própria do autor e o estilo coletivo, “o estilo modal dos indivíduos que escrevem em determinada época”; além de uma das teorias mais bem elaboradas para explicar os tramites da arte ocidental: a oposição entre dionisíaco e apolíneo, esboçada pelo grande Friedrich Nietsche em seu livro A Origem da Tragédia.

A parte mais original da obra é a teoria da Letra Poema, em que o autor lança mão de alguns pressupostos para analisar se determinada letra serve para música, e nos apresenta as categorias letra ordinária, letra funcional, letra poética, letra poema, poema letra, como hierarquização qualitativa as letras de musicadas — desconfio de que boa parte das peças de forró safado que tocam pelas espeluncas desta cidade vão ficar na escala mais baixa da classificação...

Contudo, a parte mais interessante, pelo menos para mim que escrevo ficção, é o capitulo IV, sobre a prosa ficcional, em que Maria expõe com simplicidade as mais variadas formas de narrativa desde as explanações preliminares sobre plano de enunciação e enunciado; as formas de narrativa; o narrador neutro, típico de prosas mais simples; o narrador intruso, tão comum em escritores mordazes como Machado de Assis e Sterne; e o narrador seletivo, meu favorito, e talvez a maior contribuição de Flaubert para a arte; além de retomar a discussão, nunca esgotada, sobre a distinção entre novela e romance. Afinal, novela seria um romance condensado ou um enredo em que há varias historias de caráter episódico?

Recomendo, por combinar simplicidade, estilo e rigor, a obra O Texto Nu, como uma bela e instigante lição introdutória sobre a arte de escrever para todo aquele que deseja se lançar nos tortuosos caminhos da palavra.

*Editor e Pesquisador do NCPAM

SOBRE AS PROFISSÕES

Jefrey S. Miller*

Pensar sobre profissões sempre foi algo polêmico e complexo; claro, para alguns. Muito se fala em vocação, mas isso é muito relativo. Existem casos de um gosto específico por tal área de conhecimento e existe ainda aquela situação que não houve saída, que o “destino” direcionou para esse lado, muito se ouve o termo “não pude impedir!” Existem casos de influência da família; tem os casos de influências indiretas, ou seja, às vezes um tio, um amigo, um professor pelo qual você se identificou. Existem aqueles casos de profissões de risco pleno, como é o caso de pilotos, pára-quedistas, alpinistas e outros que sabem do risco que correm — mas a paixão é maior e eles têm a consciência que podem ir e não voltarem mais.

O que sempre percebemos é que nem todo mundo é feliz na profissão que exerce. Sempre ouvimos por aí que muitas pessoas, independente de sua classe social, sejam elas famosas, públicas, ricas, bem sucedidas ou não, são frustradas; às vezes por pura determinação social. Mas na verdade é necessário que exista uma vontade pessoal em busca do que se quer, isso serve para qualquer coisa na vida, sobretudo na escolha e exercício do oficio — não importando qual seja.

Tenho um amigo que conheço desde os sete anos de idade. Um grande homem, íntegro e humanista, sempre foi um apaixonado pela arte, escritor de mão cheia, grande intelectual, não tinha como fugir de sua vocação; iria ser alguém ligado à cultura, educação e arte em geral, tinha tudo para isso. Contudo, por determinação familiar, fora obrigado cursar direito. Ele poderia seria um bacharel e assim continuar exercendo seus dotes artísticos. Bem, ele poderia, mas nem isso foi permitido... A pressão era grande, o homem não conseguia respirar. Eles queriam que ele fosse um renomado advogado, um excelente promotor ou procurador e depois um imponente juiz, com todas as pompas e status — típico dessa nossa sub-cultura dos bacharéis...

Meu amigo passou cinco anos estudando feito um louco, mas não estudava com determinação, mas por fúria. Durante todo esse tempo esteve cercado de depressão e agonia.

Assim passaram dias, semanas, meses e anos. Ele não era mais o mesmo, já não havia mais alegria em seu olhar e em suas atitudes. Sentíamos saudades do amigo de antes, que infelizmente estava morto.

Enfim, formou-se. Já era até chamado de “doutor”. A mãe chorava sem parar, e o pai alegre, dizia para todos: “Este é meu filho...”

Depois veio o exame da ordem dos advogados do Brasil, um dos concursos mais disputados do país — cujas provas têm alunos escrevendo “proçeços”... Conseguiu ser aprovado. Estava ali no charmoso jantar de comemoração, o novo advogado, o orgulho da família... Contudo, por detrás das bajulações, dos apertos de mãos e dos jogos de interesses, só ele sabia o quanto era grande sua decepção, havia um sorriso sem açúcar e sem sal — era o fim de um grande homem, de um grande artista.

Entretanto, lá estava ele, trabalhando num escritório de nome no centro da cidade. Todos os dias, acontecia-lhe de ficar parado diante dos monumentos pitorescos da Paris dos Tristes Trópicos. Seu pensamento ia longe, se imaginando nos grandes redutos da arte pelo mundo — mas sua realidade era cruel.

Meu amigo já não agüentava as loucuras de sua família. Sua mãe, sempre preocupada com o bem estar do filho, já andava a procura de uma garota de classe média alta para namorar seu filho advogado... Era obrigado a freqüentar lugares mesquinhos, cheios de idiotas, com seus sorrisos forçados, pensando grande e falando como se fossem donos do mundo.

Mas um dia as coisas mudaram. Quando ele saia de seu escritório para almoçar, passando pela grande calçada do largo São Sebastião, viu um grupo de hippies bebendo no Bar do Armando. Estavam ali, sentados do lado de fora, se esbaldando numas cervejas geladas.

Era por volta das treze horas. O clima estava atípico; e o sol, em contraste com o ambiente, não brilhava mais que seus olhos. De súbito, vieram à tona muitas lembranças. Seus momentos mais sublimes vieram lhe visitar, entristeceu-se, bem que poderia ter sido tudo antes, nada como uma bela tarde ensolarada para uma visita de pensamentos revolucionários. Meu amigo teve um ataque de choro misturado com raiva.

Num gesto brusco, arrancou seu terno italiano e atirou sua gravata aos pombos famintos que descansam nas sombras das árvores, desabotoou sua camisa e seguiu em direção ao bar.

Fez um comprimento tímido para os “malucos” que lá bebiam e sentou-se abalado a uma mesa. Ele então se preparou, bebeu a primeira cerveja, e logo no primeiro copo foi tomado por uma emoção forte — era o grito de liberdade. Bebeu a segunda e foi telefonando para seus amigos para que fossem imediatamente para tal solenidade.

A partir deste dia meu amigo voltava a ser o que sempre foi. Chegou em casa, comunicou aos familiares que a partir daquele dia não era e nunca mais seria um advogado, pois isso nunca tinha sido o seu desejo. Arrumou suas coisas e foi embora para casa de um tio que lhe compreendia. Em parceria com outro amigo, montou um bar chamado Metamorfose, que logo começou a receber um público seleto de artistas e intelectuais. Muitas pessoas o ajudaram intensamente em seu projeto porque se tratava da reconstrução de um homem e, sobretudo, de um artista.

Seus planos foram se realizando; passou no vestibular para o curso de artes da Federal do Amazonas e retomou seus trabalhos de pintura, literatura e outras coisas.

Com o semblante triste ele falou:

“Meu caro, são as exigências sociais... Não é fácil desafiar a família... Às até vezes queremos, mas não podemos. Temos muitos princípios e regras que governam nossas vidas e muitas vezes ficamos presos a elas. Nos esforçamos tanto para agradar os outros e não nos preocupamos em agradar nós mesmos, é lamentável...”

Foi o que ele me contou, mais tranqüilo, com um sorriso triunfante, enquanto andávamos pelos mesmos lugares pitorescos da nossa infância, fazendo algo que tínhamos paixão: caminhar sob o chuvisco.

*Graduando em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas

A MAIS GRAVE CRISE: A DA EDUCAÇÃO

Porque para que hoje tivéssemos paz precisávamos ter construído escolas. Construir uma escola custa muito menos do que não construí-la. Agora, precisamos transformar a escola de hoje, para transformar o Brasil.Fazer do Brasil um país produtor da indústria de conhecimento.

Maria Rachel Coelho*

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urante toda semana discutiu-se o cenário atual da educação brasileira à luz de uma pesquisa encomendada ao Instituto Ibope pela ONG Todos pela Educação.

A pesquisa apontou as principais dificuldades no ensino e nas escolas públicas do país. Quais são os maiores problemas da educação pública, na opinião dos brasileiros? "A gente vem aqui para estudar, quando chega não tem aula", diz uma menina de Belém do Pará. "Salários baixos. Os professores ficam desmotivados", afirma um professor de Cuiabá.

E o primeiro lugar no ranking das dificuldades surpreendeu, 50% dos entrevistados citaram a falta de segurança e as drogas. Em segundo lugar, estão professores desmotivados e mal pagos. E em terceiro lugar aparece a baixa qualidade do ensino.

Não surpreende que a questão da segurança venha em primeiro lugar e, de certa forma, talvez esse item explique os dois seguintes, que é a desmotivação dos professores e a questão da dificuldade de aprendizado de algumas crianças, porque, quando não se tem um ambiente de paz, um ambiente próprio para o aprendizado, isso dificulta a relação ensino-aprendizagem, dificulta o trabalho do professor e, por desdobramento natural, também o desempenho dos estudantes.

Professores e alunos se sentem inseguros. Reclamam que a escola hoje é desprotegida.

O resultado da pesquisa desafia os especialistas que encomendaram o estudo. Não imaginavam que o problema da insegurança na escola tinha essa dimensão. Sabiam que esse problema existia, mas tinham a impressão que estaria mais focalizado em algumas áreas, em algumas cidades, mas a pesquisa mostra que o problema é muito mais amplo.

Os números revelam que todas as classes sociais estão preocupadas com a violência na escola pública. Drogas e falta de segurança são citadas por 56% dos entrevistados com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos. E, mesmo entre os mais ricos, o índice chega a 40%.

Quando atinge pobres e ricos passa a ser surpresa!
O segundo grande problema da educação apontado pela pesquisa: professores desmotivados e mal pagos.

E finalmente a má qualidade do ensino. O número de analfabetos funcionais impressiona. Alunos que já passaram pela alfabetização, mas que ainda não conseguem entender o que leem.

A prefeitura do Rio de Janeiro, também esta semana, quis saber quantas crianças estão na escola e não aprendem e avaliou estudantes de quarto, quinto e sexto anos. Dos 210 mil alunos, 25 mil foram considerados analfabetos funcionais.

Em todo o país, os brasileiros que não compreendem o que leem somam um quinto da população com mais de 15 anos de idade.

E estamos observando uma tragédia de resultados levando em conta somente os que estão na escola. Não foram avaliados e incluídos na pesquisa os que nunca freqüentaram a escola ou a abandonaram.

E por que um aluno que frequenta a sala de aula não consegue aprender? E por que toda essa crise educacional ?

Porque para que hoje tivéssemos paz precisávamos ter construído escolas. Construir uma escola custa muito menos do que não construí-la. Agora, precisamos transformar a escola de hoje, para transformar o Brasil.

Fazer do Brasil um país produtor da indústria de conhecimento. É nisso que se baseia o Educacionismo. Uma escola de qualidade e igual para todos. O motor do progresso não é mais o engenheiro ou o economista, mas o professor. Estamos 200 anos atrasados, e ainda dizem que é cedo para implantar uma escola em horário integral, pagar bem seus professores e exigir deles qualificação e dedicação.

Pensam que outros países tem boas escolas porque são ricos, mas é o contrário: eles são ricos porque tem boas escolas. A educação não vem da riqueza, a educação faz a riqueza. O Brasil é um país com as prioridades de cabeça para baixo.

O Presidente Obama está dando um exemplo disso. Dos US$800 bilhões que está injetando no mercado, quase US$200 bilhões são para o sistema educacional, não só para melhorar o sistema, mas para gerar demanda para os bens que as escolas compram, e, com isso, dinamizar a economia.

Serão novas escolas construídas nos Estados Unidos, novos equipamentos comprados, melhorar o salário do professor, e com isso, melhorar a economia.

Não tem futuro um País que não valoriza o professor. E Obama está revendo isso, aumentando a demanda que os professores exercem sobre a economia através da melhoria salarial, e vinculada à qualidade. A educação só melhora se esse dinheiro for revertido em qualidade educacional, exigindo mais formação e dedicação do professor e melhores notas dos alunos, vinculando os incentivos dados aos professores aos resultados que esses professores consigam nas salas de aula.

Precisamos assumir isso no Brasil. Buscar uma saída, não puramente econômica e sim uma saída capaz de ver toda a complexidade da crise, a financeira, a econômica produtiva, a social da desigualdade e a ecológica. Uma saída sustentável e não uma saída provisória, como se tem feito.

Está na hora e isso tem que partir de nós, sociedade civil. Chega de omissão. Não podemos esperar mais.

Não podemos mais ficar comentando pesquisas com esses resultados vergonhosos. Não podemos mais continuar pagando as altas contas desses congressistas que passam o tempo todo enrolados em escândalos, enquanto nossas crianças analfabetas estão perambulando pelas ruas.

Temos que ousar como fizeram os anarquistas-educacionistas da época de Getúlio. E agora com uma revolução diferente. Abandonando esse sistema de desenvolvimento econômico em que estamos desde os anos 30.

Nós temos capacidade para isso. Nós temos pessoas para isso. Lideranças que querem sair desse modelo que faliu e buscar um novo. É um grande desafio. Mas podemos. Sair da crise buscando o novo e não sair da crise voltando e insistindo em direção à parte velha de um sistema que não funciona mais.

Está na hora. O Brasil precisa de uma proposta nova, diferente, alternativa, revolucionária. O Brasil precisa de uma revolução educacionista.

* Professora e Coordenadora do Movimento Educacionista do Brasil.

TERROR DO FUTURO

O maior de todos os terrorismos foi cometido durante quatro séculos, em campos de concentração flutuantes, que transportaram 10 milhões de africanos, escravizados com a finalidade de dinamizar a economia do continente americano. Nossa civilização democrática, rica, moderna, ocidental, foi construída com base numa covarde forma de terrorismo. E essa mesma civilização nos encaminha, hoje, para um futuro aterrorizante. Estamos caminhando para um desastre de proporções superiores a todos os atos terroristas cometidos no passado.

Cristovam Buarque*

O mundo está assustado com a possibilidade de um futuro de terror, quando os terroristas dispuserem de armas de destruição em massa, mas não percebe o terror do futuro que viveremos adiante, quando as profecias ecológicas e sociais se confirmarem. Mais do que um futuro de terror, precisamos temer o terror do futuro de uma civilização incapaz de reorientar seu destino, que caminha rumo ao seu próprio fim. Um terror do qual seremos as vítimas, embora nos comportemos como os terroristas, preparando nosso suicídio.

Nos últimos anos, o terrorismo tem sido identificado como prática dos muçulmanos. Mas não podemos associar o terror ao islamismo, nem considerá-lo ação exclusiva de mulçumanos. Devemos, sem dúvida, lutar contra todas as formas e dimensões de terror, mas nenhuma civilização tem autoridade moral para identificá-lo com o Islã. Mesmo porque, no passado, muitas pessoas, de outras religiões e ideologias, cometeram atos insanos de terror.

O terrorismo já foi apoiado pelas autoridades do catolicismo, na época das Cruzadas, quando atrocidades foram cometidas contra os povos árabes nos países do Oriente Médio. Terríveis maldades também foram cometidas na própria Europa, pelo terrorismo de Estado e da Igreja, na época da Inquisição. A Inquisição foi uma forma de terror que, em vez de explodir, queimava as vítimas. Como foi terror, em nível de genocídio, o que o europeu Adolf Hitler cometeu contra milhões de judeus. O bombardeio aéreo de cidades inteiras também foi uma forma de terrorismo. Pode haver uma diferença técnica entre o avião pilotado por suicidas, enviado por líder fanático para chocar-se contra um prédio, e o avião que despeja bombas por ordem de um líder eleito, mas a dimensão do terror é a mesma. O terror foi ainda maior quando as bombas liberadas por esses pilotos eram atômicas, mesmo sob o argumento de acabar com a guerra.

Ninguém deve tolerar que um grupo de pessoas, em nome de causas religiosas ou políticas, leve um avião a se chocar contra um prédio, assassinando milhares de pessoas, como aconteceu no histórico 11 de setembro. Mas ninguém pode usar este gesto, cometido por um grupo de terroristas, para condenar todos os que praticam o mesmo credo religioso ou a mesma ideologia política.

O maior de todos os terrorismos foi cometido durante quatro séculos, em campos de concentração flutuantes, que transportaram 10 milhões de africanos, escravizados com a finalidade de dinamizar a economia do continente americano. Nossa civilização democrática, rica, moderna, ocidental, foi construída com base numa covarde forma de terrorismo. E essa mesma civilização nos encaminha, hoje, para um futuro aterrorizante. Estamos caminhando para um desastre de proporções superiores a todos os atos terroristas cometidos no passado. Muito pior do que um futuro de terror, com armas de destruição em massa nas mãos de fanáticos, é o terror do futuro que temos à frente, uma bomba-relógio prestes a explodir, que será detonada pela voracidade do consumo do qual todos participamos, como homens-bomba armados de cartões de crédito.

Vivemos o terror ecológico, que ameaça elevar o nível dos mares, inundar o litoral de todos os países, aquecer todo o planeta, desarticular toda a agricultura, provocar fome generalizada. Existe o terror de que a desigualdade social cresça ao ponto de se transformar em dessemelhança entre seres humanos, criando uma subespécie superior e outra inferior, fazendo desaparecer o próprio conceito de genocídio, pois as massas assassinadas não serão mais vistas como semelhantes. Existe até mesmo o terror assustador – embora invisível – do vazio de idéias e propostas para o futuro, que acirra o individualismo até a destruição do sentimento de solidariedade.

Esse futuro de terror, mais do que um futuro de terrorismo, foi o sentimento comum dos diversos participantes do seminário promovido pela Academia da Latinidade, em Oslo, no final de fevereiro, juntamente com o Instituto Nobel e a Academia de Ciências e Letras da Noruega.

*Senador da República pelo PDT

Artigo publicado no jornal O Globo de sábado, 14 de março.

segunda-feira, 23 de março de 2009

MANIFESTO A LIBERDADE DE SOCIABILIZAÇÃO ENTRE OS CURSOS



Thiago Rocha de Queiroz*

Em nome das pessoas que participaram do “trote” do curso de História da UFAM, venho aqui exercer o direito de liberdade de expressão, onde, no artigo 5º da nossa Constituição, inciso IV, nos diz: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato, assim como o inciso IX do mesmo artigo afirma: é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença.

Para profissionais e estudantes que se orgulham tanto por não trabalhar mais com termos como “verdade”, é revoltante perceber que a análise de uma situação como a ocorrida no dia 19 de março de 2009, onde uma estudante do curso de História da UFAM foi supostamente “violentada”, “humilhada” e por que não, “torturada”, por um grupo de estudantes maquiavélicos, seja compreendida dessa forma, sem investigação, confiando em boatos e o pior, na mídia sensacionalista.

Para uma tribo tão viciada em conceitos, o parágrafo abaixo serve para ilustrar teoricamente a manifestação:

“O “trote” é uma tradição brasileira, em alguns aspectos, similar à praxe em Portugal, que consiste em um conjunto de atividades, que podem ser leves (brincadeiras) ou graves (humilhações ou agressões). A palavra "trote" possui correspondentes em vários idiomas, como trote (espanhol), trotto (italiano), trot (francês), trot (inglês) e trotten (alemão). Em todos estes idiomas, e também em português, o termo se refere a uma certa forma de se movimentar dos cavalos, uma andadura que se situa entre o passo (mais lento) e o galope (mais rápido). Todavia, deve ser lembrado que o trote não é uma andadura normal e habitual do cavalo, mas algo que deve ser ensinado a ele (muitas vezes à base de chicotadas e esporadas). Da mesma forma, o calouro é encarado pelo veterano como algo que deve ser domesticado pelo emprego de práticas que podem ser, ou não, humilhantes e vexatórias; em suma, o calouro deve "aprender a trotar".”

Teoricamente, o trote não é uma manifestação de humilhação, mas sim uma sociabilização entre participantes de um mesmo grupo, ainda que muitos utilizem para fins de humilhação, que não foi o nosso caso.

Entretanto, o que intriga é o fato de não se perguntar: Como se procede o andamento de um trote ou como se dá o nível de humilhação?

Isso é negar a nossa metodologia.

O acontecimento do dia 19.03.09, segundo a mídia e os boatos, foi conduzido de forma terrível pelos supostos “marginais acadêmicos”: Havia granadas, bombas, sprays de pimenta... Vale ressaltar que tudo isso foi acompanhado de chicotes e cacetetes, ao som alto e poluidor de bandas de heavy metal.

Mas o historiador, logo ele, tão pretenso investigador, não trabalha sem fontes!

É preciso ir além do senso comum.

Se trabalharmos com história oral e analisarmos profundamente o episódio, veremos, a partir das entrevistas, que todos os participantes estavam satisfeitos e não apresentaram nenhuma ou qualquer resistência, pois estavam representando o momento como algo fundamental não para o currículo oficial, tão suado por alguns, mas como algo que faz parte da tradição interna dos alunos e que não possui, é claro (e nem deve), vínculo com a instituição.

Durante as pesquisas de campo, descobrimos fontes interessantes que revelam a terrível situação que os calouros foram supostamente submetidos: ataques mortais de tinta guash, das mais variadas cores, ovos, trigo, batom, café e um arsenal quase diabólico de balões coloridos, que irritaram os seus sensíveis ouvidos.

O ápice da manifestação foi que uma aluna conceituada como especial, pelos supostos detentores da legalidade, estava envolvida entre as ações dos “terríveis malfeitores”, acusados posteriormente de genocidas, terroristas e com leves tendências comunistas pelo telejornal exibido na manha do dia 20.03.09, pela TV ACRÍTICA.

Como fontes possuímos o que há de melhor para contrariar essa tese: Fotos, videos, entrevistas... Possuimos um arsenal de fontes que nos servem para justificar dialeticamente a hipótese de que todos os alunos participantes, inclusive a aluna, estavam cientes e podem responder por si quanto ao episódio.

Mas a problemática talvez não seja apenas de ordem social. O preconceito mesquinho e arrogante de acreditar que alguem com supostas necessidades especiais não pode responder por si ou simplesmente, não pode se divertir entre os demais, em uma manifestação onde a sociabilidade é o horizonte, talvez seja a maior delas.

Nós, pretensos ilustrados, que sempre ouvimos falar em PCN’s sobre inserção social, seríamos tão incapazes de enxergar isso? De não analisar a situação por outro viés? De nos apoiar em dados tão incertos e tendenciosos?

A questão do trote foi apenas um reflexo do quanto ainda somos insensíveis e preconceituosos, do quanto o nosso olhar é tendencioso e materialista.

Até o momento, a mídia já deve ter construído um discurso distorcido sobre o episódio, revelando o lado negro de uma manifestação que deveria, e teve, o intuito de sociabilizar os alunos com as demais turmas.

Irão me perguntar: Mas será que isso só poderia ser feito dessa forma?

E eu responderei: Porque compramos ovos de pascoa apenas em Abril?


A tendência de todo cientista é retirar a essência da vida, encontrando um razão lógica, suficiente, prática a tudo, e atribuíndo assim uma categoria sistemática e conceitual aos objetos. O trote é talvez uma tradição semelhante ao conceito Bakthianiano de grotesco, “onde esse acaba revelando o essencial do sujeito, quebrando as aparencias e revelando o quanto necessitamos as vezes de sentir a ilusão da vida se manifestar diante de nós”. Grande parte dos alunos desejavam pegar o trote (inclusive, alguns responderam que ficariam indignados se não pegassem) e ele, bem conduzido como foi, acabou sendo uma experiência saudável que, infelizmente, não conseguiu juntar todos dentro da mesma teia de representações, como diz o nosso velho antropólogo Clifford Geertz.

* Estudante de História da UFAM.