Mostrando postagens com marcador Universidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Universidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

NOVOS ÍNDICES DE AUDIÊNCIA DA TV UFAM

A cobertura da reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em Manaus foi um grande teste de audiência para a TV UFAM. Oportunidade em que seus profissionais sob a direção do professor Gilmar Eduardo Costa do Couto promoveram cobertura sistemática das atividades científicas dos pesquisadores na Amazônia.

A iniciativa tem servido de parâmetro para as coberturas externas e de grande fôlego para a produção da TV Universitária, além de se formatar também uma nova programação com a participação de programas inteligentes e investigativos, transformando o canal num recorrente instrumento de informação, entretenimento, cultura e difusão da ciência referenciada nas práticas implementadas na Amazônia.

O saldo de tudo isso, pode ser conferido nos novos índices de audiências das TVs de Canal fechado, resultado da pesquisa apresentada pelo Professor Mestre Afrânio Soares, Diretor da Empresa Action Marketing e Pesquisas, informando aos seus patrocinadores a média de 45.000 (quarenta e cinco mil) telespectadores por dia da TV UFAM, com média de mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) acessos por mês, sendo a segunda TV em audiência em canal fechado no ranking, atrás do AMAZONSAT.

“Esses novos índices representam desafios para que possamos garantir o status e conquistar novos e fiéis telespectadores. Nessa perspectiva já digitalizamos nossas transmissões e pretendemos investir mais ainda na qualidade, transmitindo a programação pela internet, fomentando a participação interativa dos telespectadores, criando formas conectivas de inteligência operacional em rede”, conclui o diretor Gilmar Couto da TV da Universidade Federal do Amazonas.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

IV MOSTRA AMAZÔNICA DO FILME ETNOGRÁFICO



A IV Mostra Amazônica do Filme Etnográfico, realização do Núcleo de Antropologia Visual da Universidade Federal do Amazonas - NAVI/UFAM, que terá lugar em Manaus, no período de 27 a 31 de outubro de 2009, está com as inscrições abertas para a Mostra Competitiva ao prêmio Muiraquitã até o dia 15 de setembro, aceitando DVDs em todos os formatos e duração, que tratem sobre grupos sociais da região pan-amazônica, realizados desde 2005. Ver regulamento e ficha de inscrição no site: www.mostraetnografica.ufam.edu.br

A IV Mostra homenageará este ano o documentarista da BBC-Londres, Adrian Cowell, que há mais de 50 anos filma a Amazônia e sua história. São dele filmes como “A Década da Destruição”, “Chico Mendes – Eu Quero Viver” e “A tribo que se esconde do homem”, o filme da Abertura, com a presença do realizador.

Uma Mesa-Redonda sobre “Primeiro contato – Epidemias” contará com a participação de Adrian Cowell, Dr. Marcus Barros, Dr. Roberto Baruzzi, Sidney Possuelo e uma liderança indígena, sob a coordenação de Stella Penido, pesquisadora da Fiocruz/RJ e curadora da Mostra de Adrian Cowell.

Outra Mesa tratará da obra do documentarista e, além de Vicente Rios, Stella O. C Penido, Rogelio Casado, terá a participação do escritor e crítico de cinema, Carlos Alberto Mattos (RJ).

A IV Mostra conta com o apoio da FIOCRUZ, UFAM, SECT, SEC, SESC, ABD-AM e outras entidades.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ARQUEÓLOGOS DO AMAZONAS ORGANIZAM SEMINÁRIO



O Núcleo de Cultura Política do Amazonas da Universidade Federal do Amazonas (NCPAM/UFAM), representado pelo seu coordenador professor Ademir Ramos participou nesta manhã (14) de uma rodada de discussão com os arqueólogos pesquisadores Marcus Vinícius Miranda Corrêa e Arminda Mendonça de Souza, no Laboratório de Arqueologia do Estado - Alfredo Mendonça de Souza, que fica na Praça Hiliodoro Balbi, no belíssimo Palacete Provincial, no Centro Histórico de Manaus.

A professora e arqueóloga Arminda Mendonça, que é uma das pesquisadoras do Laboratório, apresentou as demandas postas do campo de trabalho, principalmente agora, quando se exige das empresas, Estudos de Impacto com respectivo Relatório de Impacto Ambiental para licenciamento das obras a serem construídas seja pelo poder público ou por empresas privadas.

O fato, explica Arminda, “é que temos uma grande demanda no Estado e precisamos capacitar e formar profissionais para prestarem serviços nesse campo, interagindo com os demais pesquisadores de outras áreas, promovendo a arqueologia da história do Amazonas fundamentada na prospecção da cultura material, a compreensão dos monumentos históricos, ambientais e patrimonial que constituem a identidade do povo do Amazonas”.

O doutor Marcus Vinicius, que é formado pela Universidade de São Paulo, falou do seu intenso trabalho de pesquisa no Centro Histórico de Manaus, identificando peças arqueológicas capazes de redefinir a nossa própria história, dando visibilidade para se repensar a compreensão da organização da sociedade local e seu processo de ocupação.

Feito estas considerações técnicas e pelo reconhecimento da ciência arqueológica, os profissionais da área decidiram ampliar as discussões através da realização de um Seminário, ainda este ano, quando iremos sistematizar todas as demandas do campo de trabalho, pautado nos seguintes eixos: capacitação; pesquisa; editoração, consultoria e prestação de serviço. No final do Seminário, os pesquisadores formatarão um documento final, definindo as ações, estratégias e parceiros para a consecução dos seus objetivos, o que significa diretamente na defesa do nosso patrimônio arqueológico.

O NCPAM integra-se a essas discussões e pretende mediar junto a Universidade Federal do Amazonas os meios necessários para se promover a capacitação e formação desses profissionais em convergência com as ciências sociais e áreas afins. Em tempo, convidamos os especialistas a participarem do Fórum de discussão por meio de nossa mídia eletrônica, contemplando os meios e modos dos profissionais da área, manifestando também suas considerações em forma de artigos, notas e informes.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

OS SOCIÓLOGOS DO FUTURO



Carta aos participantes do XIV Congresso Brasileiro de Sociologia da SBS

A
Universidade forma profissionais. Divide-os tradicionalmente em bacharéis e licenciados. Os primeiros devem se ocupar nos empreendimentos públicos e privados que demandam trabalho qualificado de pesquisa social. Os licenciados seguem às salas de aula, hoje especialmente para o Ensino Médio. Isso significa que o rendimento nas avaliações e o tempo em horas-aulas são as medidas básicas da educação universitária para tornar alguém um profissional de nível superior, qualificado para atender demandas complexas e aprender autonomamente através de seus trabalhos. É da natureza do percurso formativo universitário que os anos de graduação confiram esta certificação ao estudante. Embora o Ensino Médio Técnico também capacite para o exercício profissional, promovendo, todavia, um número bem menor de competências.

Uma das profissões atestadas pela Universidade é a de sociólogo. Como qualquer outro curso de formação profissional superior, há de se esperar, obviamente, a profissionalizaçã o. Aquele que se graduou nas Engenharias é engenheiro. Quem cursou Direito está apto a prestar o exame de sua ordem profissional. O que optou por Física é físico. E assim sucessivamente. Ou pelo menos deveria ser assim. Este é o trajeto legitimamente reconhecido pelo MEC para garantir a reprodução qualificada da força de trabalho no Brasil. Porém, há um curso cuja classe de profissionais mais antigos insiste em fazer pouco caso da graduação. É justamente o curso de Sociologia. Surpreendentemente, concluir a formação superior em Sociologia não faz de alguém sociólogo. É complicado entender por que os graduados (bacharéis e licenciados) e até os mestrandos em Sociologia são simplesmente "sociólogos do futuro" para a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS).

Na prática, esse "futuro" equivale à conclusão de um curso de pós-graduação stricto sensu na área. O mestrado, portanto, é considerado curso de admissão à vida profissional, embora um aluno possa obter título de mestre sem jamais ter vivido uma experiência profissional sequer, caso ele tenha ingressado no mestrado logo após se graduar. Mas pior que constatar que a primeira pós-graduação stricto sensu foi rebaixada a curso de profissionalizaçã o, é observar que a graduação em Sociologia de nada vale. Fica clara, agora, a notória repulsão de muitos docentes da área com os graduandos. É possível ouvir de alguns notáveis a expressão "plebe" quando se referem aos graduados. Para eles, os mestres seriam o "baixo clero", e os doutores, o "alto clero". Os títulos de nobreza cabem a defuntos ilustres, e pouquíssimos contemporâneos famosos e idosos, próximos da hora da morte. Ademais, só resta a triste verificação da Sociologia como uma ciência menor e pouco prestigiada (por conseguinte, de remuneração minguada). De onde vem a necessidade de títulos que possam impor respeito e medo num debate muitas vezes vazio e narcísico.

Mas todos sabem que a Sociologia tem lá suas mil e uma utilidades. E que a produção científica não acontece apenas entre os muros da Universidade. Sabem principalmente aqueles que exercem a profissão. Os que, por mérito, incluíram-se no mercado das ciências aplicadas. O sociólogo profissional, que vive da sua competência empreendedora ou da capacidade de ser útil aos empreendimentos públicos e privados, é um agente orientado a produtos específicos e ao mesmo tempo um generalista portador de múltiplas habilidades. Tal perfil faz dele peça fundamental para as organizações contemporâneas. Uma vez comprovado seu condão, o sociólogo é requisitado para todas as espécies de atividades que envolvem formulação (soluções sucintas) e elaboração intelectual (desenvolvimento de problematizaçõ es), orientadas para o aspecto social da realidade. O leque é amplo. Vai desde a formulação de básica de instrumentais, passando pela sistematização de bancos de dados, desenvolvimento de capacitações para técnicos da área social, aperfeiçoamento de planos de intervenção pública, publicação de estudos, chegando até a elaboração de sistemas de M&A e de políticas públicas.

A bem da verdade, trata-se de um fenômeno recente no Brasil. Os que se formavam em Sociologia nos primeiros anos desta década avistavam um horizonte restrito ao mais do mesmo, à Academia. A Sociologia era como uma ilha. Toda água em volta, tudo ao redor, era apenas "objeto de estudo". O mercado de trabalho, idem. Este era como águas revoltas que tornam impraticável a navegação. À exceção de convites surgidos como consequência de boas amizades políticas ou empresariais. Acontece que, na visão dos dirigentes-soció logos, nada mudou. Preferem não enxergar que os novos sociólogos encontraram o caminho dos barcos. Conectaram-se com outras terras e foram bem recebidos. E ainda estão com a nau em curso! O destino agora é planejar novas rotas e gerar resultados. No mar não se faz necessário parecer inteligente ou agradar o notável almirante. O mar é grande demais para isso. Os novos sociólogos estão fazendo a hora, agora. Portanto, não é mais cabível o apodo "do futuro". Ainda mais quando é evidente que ele deriva da iniciativa de mentes vincadas. Urge abrir a SBS para o novo. Inclusive para estimular a profissionalizaçã o da área no Brasil, o que fortaleceria a própria Sociedade. Este é um debate que não pode ser ignorado. Todo cidadão graduado em Sociologia é profissional e produz ciência. É sociólogo e deve ser reconhecido como tal.

Assina esta carta:
grupo de três sociólogos profissionais, sendo dois deles portadores do título de mestre ("baixo clero"). Todos em pleno exercício de suas atribuições em cargos efetivos de sociólogos da Administração Pública. E todos cientes que a hierarquização por títulos, e não pelo valor do trabalho a ser apresentado, é uma prática comum, tanto na comunidade científica quanto na agremiação militar. Mas "do futuro" é um grande desconchavo.

Jul. 2009

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

PRESIDENTE DO STF INDEFERE AÇÃO CONTRA COTAS RACIAIS

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, indeferiu, na sexta-feira (31/7), pedido de liminar formulado pelo partido Democratas (DEM) na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 186, em que contesta as cotas raciais de 20% para negros, instituída pela Universidade Nacional de Brasília (UNB) em seus concursos vestibulares.

Antes de decidir, o ministro Gilmar Mendes havia solicitado pareceres da Procuradoria Geral da República (PGR) e da Advocacia Geral da União (AGU). Ambas se manifestaram contra a concessão da liminar e pela constitucionalidade dos atos administrativos praticados pela UnB, que a tornaram a primeira instituição de ensino superior federal a adotar o sistema de cotas raciais.

Em sua decisão, o presidente do STF sugere que ações afirmativas, como as cotas raciais, deveriam ser limitadas no tempo e diz acreditar que “a exclusão no acesso às universidades públicas é determinada pela condição financeira”.

Observa também, que “nesse ponto, parece não haver distinção entre ‘brancos’ e ‘negros’, mas entre ricos e pobres”. Com base nesse raciocínio, questiona se “a adoção do critério da renda não seria mais adequada para a democratização do acesso ao ensino superior no Brasil”, reportando-se à “Síntese de Indicadores Sociais 2006”, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) segundo a qual o “critério de pertencimento étnico-racial é altamente determinante no processo de diferenciação e exclusão social”.

Os dados do levantamento indicam, também, que a taxa de analfabetismo de negros(14,6%) e de pardos (15,6%) continua sendo, em 2005, mais que o dobro que a de brancos (7,0 %).

O ministro ressalta que “o tema não pode deixar de ser abordado desde uma reflexão mais aprofundada sobre o conceito do que chamamos de ‘raça’. Nunca é demais esclarecer que a ciência contemporânea, por meio de pesquisas genéticas, comprovou a inexistência de ‘raças’ humanas. Os estudos do genoma humano comprovam a existência de uma única espécie dividida em bilhões de indivíduos únicos”.

Gilmar Mendes admite que a questão é polêmica, mas pondera que o Plenário do STF deverá pronunciar-se, em momento oportuno, sobre o inteiro teor do pedido de medida cautelar e o cabimento da ação, bem como sobre a eventual possibilidade de seu conhecimento como Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), em razão da peculiar natureza jurídica de seu objeto.

O ministro afirma que o questionamento feito pelo Partido Democratas “é de suma importância para o fortalecimento da democracia no Brasil”. Ainda segundo ele, “as questões e dúvidas levantadas são muito sérias, estão ligadas à identidade nacional, envolvem o próprio conceito que o brasileiro tem de si mesmo e demonstram a necessidade de promovermos a justiça social”.

Entre outras indagações colocadas na ação, ele destaca as seguintes: “Até que ponto a exclusão social gera preconceito? O preconceito em razão da cor da pele está ligado ou não ao preconceito em razão da renda?”

E, também, “como tornar a universidade pública um espaço aberto a todos os brasileiros? Será a educação básica o verdadeiro instrumento apto a realizar a inclusão social que queremos: um país livre e igual, no qual as pessoas não sejam discriminadas pela cor de sua pele, pelo dinheiro em sua conta bancária, pelo seu gênero, pela sua opção sexual, pela sua idade, pela sua opção política, pela sua orientação religiosa, pela região do país onde moram etc”?

Ele pondera que, apesar da importância do tema em debate, “neste momento, não há urgência a justificar a concessão da medida liminar”.

Lembra, nesse sentido, que o sistema de cotas raciais foi adotado pela UnB desde o vestibular de 2004 e se vem renovando a cada semestre. Recorda, ainda, que a interposição da ADPF do Democratas ocorreu após a divulgação do resultado final do vestibular 2/2009, quando já encerrados os trabalhos da comissão avaliadora do sistema de cotas.

“Assim, por ora, não vislumbro qualquer razão para a medida cautelar de suspensão do registro (matrícula) dos alunos que foram aprovados no último vestibular da UnB, ou para qualquer interferência no andamento dos trabalhos na universidade”, concluiu, indeferindo o pedido de liminar, que deverá ser referendado (aprovado) pelo Plenário.

Clique aqui para ler na íntegra a decisão.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

EM QUESTÃO A POLÍTICA CIENTÍFICA NA AMAZÕNIA

Myrna Libermann

N
o dia 23 de Julho nas dependências da TV UFAM, o Programa Na Terra de Ajuricaba realizou um grande debate sobre Pesquisa e Desenvolvimento no Amazonas contando com a presença do Senador Evandro Carreira, Professor Dr. Gilson Gil e da Magnífica Reitora da UEA Marilene Corrêa, o programa que tem como apresentador o Professor e Antropólogo Ademir Ramos da UFAM e coordenador do NCPAM. O debate foi repleto de contextos importantes sobre pesquisas científicas voltadas para a Amazônia, como a criação de novos cursos de desenvolvimento cultural e econômico na UEA, que visa à qualificação do interior para o mercado de trabalho e suprir as necessidades de profissionais de diversas áreas para a região.

Entre os pontos fortes do debate podemos ressaltar a política de ciência na Amazônia comentada pela Magnífica Reitora Marilene Corrêa, que falou sobre a expressão de investimentos públicos para o desenvolvimento estratégico da região, e intensificou que o volume do investimento ainda é pouco, pois todas as instituições de ensino no Amazonas possuem uma base de importância no desenvolvimento cientifico regional. A ciência, por sua vez, além de possuir valor didático tem valor estratégico, a Amazônia esta baseada em uma técnica capitalista de desenvolvimento atrelado a economia e não com base nas potencialidades internas de seu povo e de seus recursos naturais.

Comentou-se ainda sobre uma discussão cientifica entre as ONGs, são mais de três mil em toda a Amazônia, instaladas em pontos estratégicos de grande valor comercial, nada é feito a esse respeito, prejudicando a cultura e os valores dos povos com um discurso moralista de ajuda aos mais necessitados, mas será que nós da Amazônia somos necessitados? Mesmo tendo 25% de todas as espécies vegetais e animais do planeta até hoje catalogadas pela ciência, mesmo tendo o maior rio em volume e extensão e a maior floresta, será mesmo que somos necessitados? Ou o que nos falta são políticas públicas sérias de âmbito federal para mudar esse cenário de dependência estrangeira, intensificar os investimentos na região de curto e longo prazo, políticos verdadeiramente sérios e não esses governantes que entram na região que não fazem nada mais do que reinventar a roda.

O debate apresentou estratégias e problemáticas sobre a região amazônica.


*Graduanda em Economia pela UFAM e Pesquisadora do NCPAM

sexta-feira, 24 de julho de 2009

AMAZÔNIA EM DISCUSSÃO NA TV UFAM





O programa Na Terra de Ajuricaba foi ao ar no dia 23 de julho, ás 19 horas, contando com a presença da magnífica Reitora da UEA Marilene Corrêa da Silva Freitas, na condição de entrevistada, do senador Evandro Carrera e do cientista político Gilson Gil, como debatedores.

Discutiu-se questões relativas á política cientifica na Amazônia. A reitora da UEA Marilene Correa falou do processo de implantação e consolidação da Universidade como instituição de excelência em pesquisa e da necessidade de se investir em áreas estratégicas, levando em conta a própria especificidade da região.


Vale dizer que a partir de Setembro Na Terra de Ajuricaba será um programa semanal, girando em torno das questões já tratadas na página eletrônica: debater as relações sociais, culturais e políticas a partir da complexidade das forças sociais que operam na Amazônia.





Na Terra de Ajuricaba é interativo, em que os telespectadores podem fazer perguntas ou comentários pelo e-mail ncpamz@gmail.com ou pelo twitter, ncpam, ligada permanentemente a nossa pagina eletrônica.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

EM DEBATE CIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA

Política Cientifica na Amazônia é pauta de discussão do Programa Na Terra de Ajuricaba, que vai ao ar hoje de 19 às 20h pela TV-UFAM canal 7 a cabo.

O Programa vai ser comandado pelo Professor Ademir Ramos e terá como entrevistada a Professora Pós-Doutora e atual Reitora da Universidade do Amazonas – UEA, Marilene Corrêa da Silva Freitas, tendo como debatedores o ex-Senador Evandro Carreira e o Doutor em Sociologia Gilson Pinto Gil.

De acordo com o professor Ademir Ramos, a ciências na Amazônia deve ser uma expressão de investimento público junto as Universidades Federais, Estaduais, Institutos e Agências de pesquisas.

Esse será o segundo programa realizado pelo Núcleo de Cultura Política do Amazonas – NCPAM, com a participação da Frente Parlamentar formada pelos partidos políticos comprometidos com a responsabilidade ambiental. Temática a ser discutida no Seminário sobre Ecossocialismo que acontecerá no dia 24 de setembro deste ano.

terça-feira, 21 de julho de 2009

NA TERRA DE AJURICABA: SUSTENTABILIDADE EM DEBATE



No dia 20 de julho, inagurou-se na TV UFAM, canal 7, à cabo, o primeiro programa Na Terra de Ajuricaba, que contou com a presença do entrevistado Evandro Carreira, e como os debatedores o líder sindical e militante do PSOL Elson Melo, do professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas Neliton Marques, e do professor e antropólogo Ademir Ramos como Mediador.

O programa teve como foco a obra O Recado Amazônico, de autoria do Senador Evandro Carreira, e da contribuição da mesma no que tange as formas de conservação da Amazônia. Carreira afirmou categoricamente que falta doutores e sobretudo bom senso no Amazonas; afiançou, conforme estava em seu livro, da necessidade da exploração da várzea na forma de cooperativas de famílias e de trabalhadores como forma correta de exploração sem depredar os recursos. Também alertou para o fato de que com o continuo desmatamento da floresta a ONU poderia internacionalzar a Amazônia. Ainda segundo o senador, a Amazônia é uma das maiores lições socialistas para o mundo.

O líder sindical e militante do PSOL, Elson Melo, fez interessantes intervenções sobre a condição do trabalhador na Amazônia e comparou com situação vivida pelas tribos indígenas no período pré-colombiano; época em que trabalhavam apenas quatro horas e ainda geravam excedente para o comércio, enquanto que no presente século os trabalhadores tem uma jornada de oito, dez ou até dezesseis horas diárias, não produzem nada e ainda tem uma péssima qualidade de vida. O líder sindical ainda fez um alerta contra a expansão da criação de búfalos na Amazônia, o que tem causado uma devastação enorme no ecossistema da várzea.

Já o professor Nelinton Marques, usando sua larga experiência como pesquisador, lamentou a falta de estrutura para a pesquisa na Amazônia e do numero pequeno de doutores, o menor do Brasil (cerca de 3.000), que exercem seu trabalho em terras setentrionais. Também afirmara da necessidade de se dialogar com todos as segmentos da sociedade civil para criar um programa de conservação realmente eficiente.

O professor Ademir Ramos conduziu o programa tecendo considerações a respeito da falta de agenda política no que diz respeito á conservação do meio ambiente amazônico, refletindo-se na falta de compromisso dos pesquisadores com as questões políticas da região.

O primeiro programa da Na Terra de Ajuricaba terá varias reprises durante a programação da TV UFAM.

O próximo programa será no dia 23 de julho, ao vivo, a partir das 19 horas, cujo entrevistado será o Doutor Adalberto Luiz Val membro do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).


Lembramos aos nosso leitores que será possivel fazer perguntas ao vivo através do e-mail: ncpamz@gmail.com ou pelo twitter: ncpam.

Vale lembrar que esta série de programas são uma preparação para um grande seminário sobre o Ecossocialismo a ser realizado no CAUA no dia 24 de Setembro. (clique aqui para saber mais)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

SBPC: EM DISCUSSÃO O FIM DA AMAZÔNIA



Antonio Pereira de Oliveira*

Para quem participou do debate na SBPC, cujo tema era: "O fim da Amazônia", deve ter saído de lá satisfeito com o nível das exposições. O auditório Jatapu estava superlotado e só consegui entrar depois de muito custo. Mas valeu a pena.

As exposições se polarizaram e, embora o tema fosse muito mais amplo, acabou recaindo sobre o asfaltamento da BR-319, dado a elevada temperatura que esse assunto vem ganhando nos últimos dias.

O primeiro a expor foi o pesquisador Philip M. Fearnside, alertando para o perigo de desmatamento indiscriminado e impacto ambiental de proporções alarmantes com asfaltamento da BR-319. Munido de estudos e pesquisas, mapas sobre o clima e sobre a floresta Amazônica, o pesquisador confrontou as posições dos estudos que defendem a pavimentação da rodovia. Ao lado de uma argumentação centrada nas ciências da natureza, dialogou também com os objetivos econômicos procurando demonstrar que alternativa de rodovia é incompatível com a preservação sendo é uma forma modal muito mais cara que outras alternativas, bem menos degradantes e bem mais baratas.

O segundo a falar foi o professor Alexandre Rivas, coordenador do estudo que mediu o impacto ambiental que a estrada pode causar na região. Embora tenha explanado sobre a Amazônia a partir de um enfoque neoclássico, procurando mostrar que, com base nessa teoria, a conservação da Amazônia só é possível se a natureza for incorporada como produto, os quais devem ser utilizados de forma sustentável, também não conseguiu fugir ao debate sobre a BR-319.

A meu ver, o maior mérito do professor foi sustentar sua tese sem subterfúgios ou mistificação. Defendeu claramente a economia de mercado e sua relação com a natureza. Por essa ótica, a conservação da natureza precisa estar vinculada a idéia de utilidade e de preço. Na sua explanação deixou transparecer a crença na "governança ambiental", como elemento inibidor de degradação ambiental.

A terceira a expor foi a professora Marilene Correa. Tomando o mote do debate, a sua reflexão se iniciou levantando a importância do sentido de se discutir "o fim da Amazônia" para, em seguida, sob um poderoso e articulado nível de argumentação, demonstrar a existências de várias Amazônias que se ergueram e se sucederam com formas de conhecimento e adaptabilidade distintas e igualmente inteligentes. Na sua exposição, Marilene, estabeleceu um importante diálogo com as ciências biológicas e a economia, afirmando o sentido histórico e cultural da Amazônia. Ao traçar numa perspectiva histórica as formas de ocupação e de adaptação da Amazônia, Marilene exortou a responsabilidade de todos e dos cientistas, em particular, com as escolhas. Ao fazer uma comparação com os impactos ocorridos em várias rodovias regionais, deixou transparecer sua posição favorável à BR-319.

Depois de tão instigantes exposições, o auditório inteiro estava estimulado a falar. Em meio a questões, depoimentos, reflexões, não faltaram as polêmicas e o tom acalorado de alguns participantes. O fato é que deu para extrair uma preocupação muito grande com tudo que vem ocorrendo e, sobretudo, com o que vem ocorrendo com a Amazônia.

Fiquei muito satisfeito e sai de lá muito estimulado a continuar meus estudos.

*Professor da área de ciências sócias formado pela UFAM.

terça-feira, 14 de julho de 2009

AMAZÔNIA, CIÊNCIA, CULTURA E POLÍTICA- SBPC



Por esta semana, Manaus é a capital da ciência do Brasil. Aqui no Campus Universitário da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), assim como no Instituto de Pesquisa da Amazônia, os pesquisadores e os iniciados reúnem-se para expor suas pesquisas, analisar propostas e confrontar projetos na perspectiva de compreender a sociobidiversidade que abriga esse riquíssimo território e suas interfaces.

A iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em promover sua reunião anual na região, sob o tema “Amazônia, Ciência e Cultura”, é de grande valia pra todos nós, mas, sobretudo, para os amazônidas porque cria um campo favorável para se desvelar as armações dos pesquisadores ditos renomados, assim como também governantes e políticos condecorados, que lá fora posicionam-se de uma forma ambientalmente correta e aqui estão de rabo preso com os projetos predadores aliados aos interesses insustentáveis.

Da mesma forma, chama-se atenção da natureza institucional da SBPC quanto à formulação de política de Estado, que promova políticas públicas sustentáveis na Amazônia brasileira, equacionando as relações homem e meio ambiente. Esse desafio deve superar os imediatismos dos políticos regionais provincianos, que reduzem a coisa pública em bem privado, transformando as ações de governo em extensão dos seus interesses privados.

A ciência nesse território deve ser uma expressão de investimento público junto as Universidades Federais, Estaduais, Institutos e Agências de Pesquisas que participam do sistema de Ciência & Tecnologia, visando invenção e formulação de novos produtos como instrumento de desenvolvimento humano. Nessa perspectiva é inconcebível compreender o desmonte das Universidades Federais e Estaduais na região e os demais Institutos de Pesquisas, a inércia do governo federal e estadual só é quebrada quando se trata de eventos pontuais muito mais para saquear a nossa Amazônia em favor de interesses privados imediatistas.

Na cabeça dos burocratas de Brasília, a Amazônia representa mais um problema do que uma solução. Isso porque eles querem explorar sem conhecê-la, queimando riquezas e desequilibrando os ecossistemas, em nome de uma lógica predadora. É só focar nas construções de estradas, hidrelétricas, sistemas portuários, exploração de minério, gás e outros.

Ademais, os políticos marqueteiros agregam o seu nome à Amazônia para ganhar comendas e dividendos que resultem no personalismo eleitoral. Por essa razão deve-se lutar para instituir um Sistema de Estado de fomento a pesquisa fundamentado num programa de desenvolvimento sustentável definido de tal forma investimento em capital intelectual local e no fortalecimento da autonomia das Universidades e Instituto de Pesquisa, articulado sim, mas não atrelado aos interesses provincianos privado e/ou governamental.

A SBPC é o Fórum apropriado para se discutir tais propostas e quem sabe definir também estratégia para se instituir uma política de cooperação internacional focada para pesquisa na Amazônia, que venha resultar na invenção e na produção de novas tecnologias instrumentais capacitando os atores locais a desenvolverem a região de forma sustentável ambientalmente e socialmente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

AMAZÔNIA É O GRANDE TEMA DA SBPC DESSE ANO

Cientistas, estudantes e pesquisadores do Brasil e dos países da bacia amazônica, juntamente com as agências de pesquisa local, iniciam hoje em Manaus o maior evento científico do país. Para esse fim foram destinados mais de R$ 2 milhões para a organização da 61ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até o dia 17 de julho (sexta-feira) no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

O tema da SBPC desse ano é “Amazônia: Ciência e Cultura”, a reunião acontece pela primeira vez na capital do Amazonas e deverá receber mais de 10 mil participantes. Na programação científica, serão realizadas 160 atividades, entre conferências, mesas-redondas, simpósios, grupos de trabalho e encontros. O foco principal das discussões será os desafios para a promoção do desenvolvimento sustentável da Amazônia.

A 61ª Reunião da SBPC contará ainda com eventos paralelos, como a SBPC Jovem, destinada a atividades de iniciação científica; a SBPC Cultural, com a apresentação de atrações regionais; e a ExpoT&C, uma exposição de realizações em ciência, tecnologia e inovação, desenvolvidas por universidades, institutos de pesquisa, empresas incubadoras e iniciativa privada.

A organização da SBPC em Manaus conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), a UFAM, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT).

Abaixo Assinado



Dos eventos paralelos e das discussões alternativas, o movimento “S.O.S. Encontro das Águas”, que se posiciona contra o projeto de construção do Porto das Lajes participa da SBPC, expondo os fatos que justificam a insustentabilidade desse projeto da empresa Log-In Logística Intermodal S/A, mobilizando os participantes a se posicionarem contra o empreendimento, assinando o manifesto abaixo aprovado no IV Mutirão em Defesa da Amazônia.

Nós, Conselho Gestor Socioambiental da Colônia Antônio Aleixo e Bela Vista, S.O.S. Encontro das Águas movimento ambiental e indígena, pastorais sociais, representações da Universidade Federal do Amazonas, da Universidade Estadual do Amazonas, representações políticas da Câmara Federal, Municipal e da Assembléia Legislativa do Estado, reunidos, na Colônia Antonio Aleixo, na zona leste de Manaus, nos dias 10 e 11 de julho para participar do IV Mutirão pela Amazônia, nos manifestamos a respeito das lutas socioambientais para garantir o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pautando as discussões em três eixos de trabalho – Água como um bem comum, direito de todos (as); adutora e abastecimento de água zona norte e leste; porto das lajes e seus impactos sociais e ambientais.

Considerando as estratégias de privatização movidas pelo governo em favor das grandes empresas, em detrimento do bem comum;

Considerando a água como líquido precioso e essencial a toda forma de vida;

Considerando que o Encontro das Águas é um patrimônio natural e histórico do povo do Amazonas e da humanidade.

Manifestamo-nos:

•Contra qualquer tentativa de privatização dos bens comuns, como os recursos ambientais, rios, lagos e seus afluentes;

•Contra a não transparência dos projetos socioambientais de governo;

•Contra a insustentabilidade do projeto de construção do Porto das Lajes, contrariando normas e princípios constitucionais.

Assim sendo, somos a favor da ampla participação das organizações sociais no processo de criação e gestão das políticas públicas relacionadas à utilização dos recursos ambientais, em respeito à autonomia das comunidades e seus processos próprios de gestão socioambiental.

Consciente do nosso dever constitucional, de preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações, é contrários a construção do porto das lajes nas mediações do Encontro das Águas por julgá-lo ambiental, social e economicamente insustentável.

Frente às ameaças clamamos aos governantes para que respeitem a conservação do nosso meio ambiente amazônico, recusando a participar de qualquer negociação para privatizar esse símbolo de identidade do povo do Amazonas.

Da mesma forma, apelamos à sociedade civil e aos homens de bem, que se manifestem contra a construção do Porto das Lajes, participando das Audiências Públicas para barrar uma vez por toda a construção desse Porto e as tentativas de privatizar o patrimônio público do povo do Amazonas.

Aos cientistas, pesquisadores e participantes da 61ª Reunião Anual da SBPC, informamos sobre os fatos para que se manifestem contrários ao projeto da empresa Log-In Logística Intermodal, que pretende construir um Porto na confluência do nosso Encontro das Águas.

Manifestações

O movimento “S.O.S. Encontro das Águas” agrega sua participação na SBPC, expondo os Banners no hall do Instituto de Ciência Humanas e Letras, promovendo debates e discussões referente aos Estudos de Impacto e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do projeto Porto das Lajes, contando com a participação dos comunitários do Lago do Aleixo, de especialistas em diversas áreas de estudos e da frente parlamentar coordenada pelo Deputado Federal Praciano (PT/AM).

Para o Deputado petista “o Encontro das Águas não tem preço e não está à venda, por isso devemos barrar todo e qualquer projeto que venha ameaçar as formas de vida desse ecossistema, que é patrimônio do povo do Amazonas”.

O NCPAM que integra o movimento “S.O.S. Encontro das Águas” articulou suas ações na SBPC junto ao stand da Editora da UFAM, participando efetivamente das discussões e recolhendo as assinaturas para o Abaixo Assinado a ser apresentado nas Audiências Públicas contra a construção do Porto das Lajes.

Para ver a programação da SBPC clique aqui.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

FAE 001: FÓRUM AMAZONAS DE ECONOMIA



FAE 2009

CRISE ECONOMICA MUNDIAL:
“Impactos e Perspectivas na economia regional”

Local de realização:
Auditório Raimundo Aguiar (FIEAM) – Avenida Joaquim Nabuco, Centro.

Data: 18 e 19 de Junho das 19 às 23h

Porte: Municipal

Número Previsto de Participantes: 300

INSCRIÇÕES AMANHA: 15 REAIS A VISTA ATÉ O DIA 03/06/2009


NO DIA 14 A DEZESSSETE: 20 REAIS

NO DIA DO EVENTO:30 REAIS

FEDERAÇÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE ECONOMIA
REG. NORTE

Centro Acadêmico de Ciências Econômicas – UFAM
Gestão Pleno Emprego 2009/ 2010
PROGRAMAÇÃO

18 de Junho – 19 às 23h

Mesa 1: Analise da economia regional diante a crise:

visão institucional:

Componentes da mesa:

•CORECON AM/ RR – Conselho regional de Economia
•FIEAM – Federação das Indústrias do Estado do Amazonas
•SEPLAN - Secretária de Planejamento
•ACA – Associação dos Comerciantes do Amazonas
•SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus
•ASCOM – Associação dos Consultores de Manaus
•AFEAM – Agencia de Fomento do Amazonas

19 de Junho – 19 às 23h

Mesa 2: Perspectivas e impactos da crise na economia regional:
visão política acadêmica:

Componentes da mesa:

•Dep. Federal Francisco Praciano
•Sen. Arthur Virgílio Neto
•Sen. Jefferson Praia
•Dep. Estadual Luís Castro
•Dept de Economia e análise
•Dept de Economia UNINORTE –
•Econ. Serafim Correa
•FENECO – Elder Silva
•CACEC – Felipe Raphael

Coquetel de Encerramento

INSCRIÇÕES:

As inscrições serão realizadas a partir do dia 08 de junho até as datas do evento.

As reservas e pré-reservas serão agendadas e pagas apenas nas universidades e na FIEAM.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

SERAFIM CORRÊA NA UFAM



Myrna Libermann*

No dia 27 de Maio, ocorreu no auditório da FES (Faculdade de Estudos Sócias) na Universidade Federal do Amazonas uma palestra ministrada pelo ex-prefeito e economista Serafim Correia, a pedido de alunos do curso de ciências econômicas para fins de aprendizagem nas questões publicas sobre gestão.

O economista debateu questões de fundamental importância sobre educação, transporte e saúde, problemas que fazem parte do cotidiano de grandes cidades brasileira e inclusive da cidade de Manaus. Falou de recursos e impostos e intensificou a noção fundamental de que os pobres são os que mais pagam impostos e os que menos usufruem dos benefícios desse dinheiro arrecadado.

Falou ainda sobre as diretrizes da política de mobilidade urbana e do transporte coletivo em todo o Brasil, intensificou que o transporte é uma pratica centralizada de cartéis que ditam quem deve ganhar e quem deve pagar e que a população é quem financia tais organizações, pois é exclusivamente a tarifa da passagem de ônibus a grande fonte de riqueza das empresas de transporte. Foi explicitado que o reajuste da passagem é previsto por lei, mas destacou-se o fato de que não adianta pagar reajustes e aumentar a passagem se o transporte continuar ineficiente e de péssima qualidade como esta na cidade de Manaus. Propôs políticas para estimular a eficiência e eficácia dos serviços de transporte publico com a introdução de tecnologias avançadas como “A contagem de Créditos em Cartões Magnéticos” onde a freqüência escolar seria a garantia dos alunos a meia passagem e essa freqüência seria medida todos os dias quando o aluno entrasse e saísse da escola através de maquinas para cartões magnéticos colocados em instituições escolares sejam municipais, estaduais e federais, para a contabilização da freqüência do aluno, que agora não seria mais com lápis e pajela feito pelos professores em sala de aula, o que demanda tempo e paciência, política eficiente já instaurada nas grandes cidades brasileiras como Rio de Janeiro, que oferece o serviço de meia passagem a estudantes.

Também deu ênfase a problemas graves de infra-estrutura, violência e meio ambiente que necessitam de políticas publicas articuladas nacionalmente para evitar o agravamento de tensões sociais e diminuir os riscos à sustentabilidade ambiental e de entraves ao crescimento econômico.





*Aluna de Economia pela UFAM e pesquisadora do NCPAM

terça-feira, 19 de maio de 2009

MANIFESTO GILSON MONTEIRO


Manifestação contra a violencia no ICHL/UFAM
*Nelson Matos de Noronha

Em 10 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral das Nações Unidas proclamou um documento que entre nós parece estar sendo esquecido. Em seu preâmbulo, diz aquele memorável documento:

A Assembléia Geral proclama

A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Hoje, neste dia triste, sem esquecer dos artigos onde se declaram os direitos à vida, à integridade física e à segurança pessoal, temos de recitar os artigos XVIII e XIX.

Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

No dia 11 de maio de 2009, em sua sala de aula, no Instituto de Ciências Humanas e Letras, o Professor Gilson Monteiro, jornalista, candidato a Reitor nas eleições ocorridas na Universidade Federal do Amazonas no último mês de abril foi agredido com socos e pontapés, com palavras e gestos que o ameaçaram de morte. Um dos alunos presentes tentou socorrê-lo, mas foi advertido pelo agressor de que daquela forma seriam tratados todos os que mexerem com sua família. Nos dias seguintes, autoridades exercendo as mais altas funções no poder Legislativo e no Poder Executivo do Estado do Amazonas saíram em defesa do agressor e condenaram a vítima. O poder judiciário ainda não se manifestou.

Entre as declarações daquelas autoridades publicadas em jornais da cidade, encontram-se três que pretenderam ensinar o professor a se conduzir corretamente em sala de aula.

“No meu entendimento, isso serviu de lição para aqueles que não têm respeito no seu espaço de trabalho.”

“Muita gente está confundindo liberdade de expressão com o direito de caluniar e difamar. Não é isso não.”

“Há de se reconhecer a emoção do ato, que foi movido a exagero, mas não foi exagero do professor ao tentar imbuir fatos levianos ocorridos no passado?”

Disse o agressor, sem que nenhuma autoridade tenha até o momento se levantado para censurá-lo.

Eu discordo de um professor de formar opinião dentro de uma universidade. Ele é pago para ensinar.

Não estamos aqui somente para lembrar os ensinamentos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Estamos aqui para denunciar o fato de que um Professor foi violentamente agredido no exercício da docência, humilhado na frente de seus alunos e ameaçado de morte por pessoa pertencente à família do Vice-Governador do Estado.

Nossa denúncia aponta fato conhecido de todos, amplamente divulgada na cidade de Manaus e em jornais de circulação nacional. Denunciamos a agressão ocorrida no dia 11de maio e temos de denunciar também a conivência e o apoio que autoridades do parlamento e do poder executivo deram ao agressor.

Conivência e apoio que atestam haver o Senhor Aziz dado uma lição que já fez escola. Uma lição da qual muitos dos que têm a obrigação de condená-la mostraram que, na verdade, não têm vergonha de disseminar as diferentes maneiras de a praticar.

O que queremos com esta denúncia? Somos professores, alunos, homens e mulheres, cidadãos brasileiros, estrangeiros no Brasil, cidadãos em outros países. Exigimos que o Estado onde vivemos e as autoridades que nele estão investidas das obrigações de defesa e promoção dos direitos individuais e coletivos dêem provas de que estão cumprindo seus deveres. Também exigimos a prova de que eles não est ão se lixando para o estado de direito.

Exigir-lhes que dêem prova de respeito à dignidade e a integridade moral e física dos que com eles não concordam parece, até agora, um desafio perigoso. O Professor Gilson Monteiro ousou lançar mão de exemplos que circularam na imprensa, comentados nos quatros cantos da cidade. O seu ensinamento dizia respeito à realidade onde vivemos. O que ele e nós aprendemos com a aula do Senhor Aziz? Que teremos, doravante, como Shakespeare, de falar do Reino da Dinamarca, onde algo de malcheiroso pode se espalhar pelo vento sem que ninguém, entre nós, seja infectado.

Esta denúncia será enviada à Ordem dos Advogados do Brasil, ao Presidente do Congresso Nacional, ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, ao Presidente da República, a todos os sindicatos dos Professores no Brasil e no exterior e às Nações Unidas. Também será enviada ao Presidente da Câmara Municipal de Manaus, à Assembléia Legislativa e ao Excelentíssimo Senhor Governador do Estado.

Esperamos que estas autoridades se manifestem clara e publicamente sobre a Lição do Senhor Aziz. Ela não pode ser tratada como um acontecimento banal. Não se trata de uma ocorrência da vida privada. Homens públicos foram envolvidos em suas atividades públicas, profissionais e políticas. Todos os que respeitam a cidadania esperam que seus governantes lhes sirvam de exemplos.

Esperamos que estas autoridades ofereçam ao Professor Gilson Monteiro e aos que como ele pensam e se conduzem garantias de integridade física e moral, de liberdade de opinião e de livre exercício da docência. Sem este compromisso, acusaremos essas autoridades de cúmplices do Senhor Aziz e de promoverem a violência como solução aceitável dos conflitos sociais.

*Professor de filosofia da Universidade Federal do Amazonas

terça-feira, 12 de maio de 2009

VOZES DA SOLIDARIEDADE CONTRA AGRESSÃO AO PROFESSOR GILSON MONTEIRO

Até o momento a Reitoria da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) não se manifestou frente às agressões sofridas pelo professor, ex-candidato a Reitor, Gilson Monteiro.

Em nossa redação recebemos manifestações de solidariedade do Deputado Luis Castro (PPS) e do vereador José Ricardo (PT).

A moção do vereador petista é encaminhada a presidência da Câmara Municipal de Manaus para que seja votada pelo plenário da Casa.

Segundo José Ricardo a Moção se justifica pelas agressões físicas, com socos e pontapés sofridos pelo professor no exercício do magistério, bem como em defesa da democracia e da livre expressão de pensamento na relação ensino-aprendizagem.

No Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), onde os Irmãos do vice-governador do Amazonas perpetraram o crime contra o professor e jornalista Gilson Monteiro, o chefe de departamento de filosofia, professor Paulo Monte, além de se manifestar publicamente na cantina do ICHL, encaminhou ofício ao diretor do Instituto, Ricardo Nogueira solicitando reunião urgente do Conselho Departamental do ICHL para que possa tomar decisão cabível e necessária, visando garantir o pleno exercício do ensino na UFAM.

Manifeste aqui sua indignação, repudiando o comportamento dos irmãos Aziz contra o professor Gilson Monteiro. O bicho vai pegar!!!!



Clique na Imagem acima para ler na integra a nota de repúdio da Associação de Docentes da UFAM

MARCADO PARA MORRER

Pelo gesto de Amin Aziz, irmão do vice-governador do Estado do Amazonas, Omar Aziz, ao final da brutal agressão que sofri na frente dos meus alunos, no final da tarde ontem, estou marcado para morrer. Após me aplicar três socos e dois chutes, o cara apontou o dedo e simulou o gesto de puxar o gatilho de uma arma. Pela forma como me olhou, Aziz, teria descarregado completamente a arma em mim. Aliás, o ar era de imensa satisfação. Isso em pleno auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). É o fim do mundo não se poder, em uma aula, citar um exemplo de fato que foi noticiado nacionalmente, como ilustração da interferência política no jornalismo. Mais absurdo ainda é um sujeito invadir uma universidade pública federal e agredir um professor em pleno exercício da sua atividade profissional. Certamente o indivíduo acredita na impunidade total por ser irmão do vice-governador do Estado. Só espero que a Polícia Militar (do Governador) garanta minha integridade física e dos meus filhos. Caso sofra algum atentado daqui para a frente não tenho dúvidas de que, se não foi a mando, foi um ato do meu agressor, irmão do vice-governador do Estado (veja mais no blog pessoal do professor Gilson).

Irmãos Azis Agridem Professor

O coordenador do curso de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), professor doutor Gilson Monteiro foi agredido no final da tarde de ontem (11), enquanto ministrava aula para alunos do curso de Jornalismo. Segundo Gilson Monteiro, os agressores foram Amim e Mansu Aziz, irmãos do vice-governador do Amazonas, Omar Aziz.

O professor Gilson contou que em uma disciplina que busca discutir com os alunos tópicos relacionados à profissão de jornalista e a postura da imprensa diante de escândalos, citou, entre outros exemplos, o nome do vice-governador Omar Aziz, um dos investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, em 2004.

Nesse instante, "uma das alunas (identificada como sobrinha do vice-governador Omar Aziz) disse 'que eu não poderia ter dito aquilo do tio dela'.Imediatamente retirou-se da sala. E foi embora. Vinte minutos depois, entram na sala Amim Aziz, o Mansu e a menina. E ele (Amim Aziz) perguntou se eu era o professor da disciplina e já foi me agredindo. Me deu um soco, me derrubou no chão e eu fiquei me defendendo. Deu mais dois socos e um chute e ficou fazendo gestos tipo como se tivesse descarregando uma arma em cima de mim", contou o Gilson Monteiro.

Após o ocorrido, o professor informou ao reitor da UFAM, Hidembergue Frota, que ligou para a Polícia Federal, onde recebeu a orientação de registrar um Boletim de
Ocorrência na delegacia mais próxima. Em seguida, dirigiu-se à sede da PF para prestar depoimento. "Vou pedir proteção porque sou funcionário federal. As pessoas não sabem distinguir, batem em jornalista, assassinam jornalista. Agora estão atacando professores que estão citando fatos jornalísticos já divulgados como exemplo" desabafou o mestre.

O irmão do vice-governador, Amim Aziz confirmou ter tomado uma atitude "um pouco exagerada", mas que fez isso ao ver a sobrinha de 17 anos chorando e dizendo que havia sido agredida. "Eu estava na minha empresa quando minha sobrinha me ligou, aos prantos, pedindo para eu ir buscá-la, que o professor a agrediu verbalmente. Então eu fui lá. Foi uma atitude um pouco exagerada, mais foi uma atitude que qualquer pai ou tio tomaria naquelas circunstâncias", contou Amim.

Ele lamentou o fato de a UFAM ter em seus quadros um professor doutor que faz comentários da natureza dos relatados pela sobrinha dele. "Ele não tem que formar opinião na universidade. Tem que dá aula. Não dizer o que pensa", criticou.

O NCPAM manifesta solidariedade ao professor Gilson Monteiro e exige da Reitoria da UFAM, que acione a Procuradoria da instituição para dar guarida ao professor, garantindo o ofício de ensinar com autonomia e determinação critica frente aos predadores do poder de Estado. Tal fato ocorrido viola o direito de cátedra e torna vulnerável a Instituição Universitária, exigindo da Associação dos Docentes (ADUA) nota pública de repudio contra os malfeitores do povo, que além de saquear o erário público querem calar a voz dos mestres em seu lugar de trabalho. Basta! Contra a repressão, pela liberdade de ensinar.

Fonte: Jornal A Crítica.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ENTULHO AUTORITÁRIO NO AMAZONAS


A Universidade Federal do Amazonas (UFAM), a Delegacia da Receita Federal, assim como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) serviram no passado como aparelhos para abrigar agentes do Serviço Nacional de Informação, monitorando líderes estudantis, professores, religiosos, empresários, trabalhadores e outras representações sociais.

As investidas dos agentes da ditadura eram feitas também com o aval do governo do Estado do Amazonas em consonância com as forças armadas. A manifestação do governo da Bahia, criando uma Comissão para encontrar e divulgar documentos de órgãos públicos da época da ditadura (1964-1985), fez com que um grupo de pesquisadores de ciências sociais da UFAM acelerasse seus estudos focando na identificação dos arquivos, relatos, entrevistas e na prática do “dedo duro”, como eram definidos os agentes de informação.

Em Salvador, o governador petista Jaques Wagner, no dia 04 de maio, baixou um decreto, instituindo o projeto “Memórias Reveladas das Lutas Políticas na Bahia”, estabelecendo um prazo de 180 dias para se fazer um levantamento dos registros de época e dar visibilidade dos feitos “sem retaliação ou vingança”.

O fato deixou preocupados os pesquisadores do Amazonas porque temem também que os arquivos das instituições do Estado sejam queimados como já ocorreu na Base Aérea de Salvador, em 2004. Para isso estão se municiando, acelerando os trabalhos e somando esforços para urgentemente garimpar na UFAM e outros órgãos referentes o entulho deixado pela ditadura.

Nessa perspectiva, os pesquisadores recorrem aos internautas para balizar informação, identificando arquivos fotográficos e outras fontes documentais complementares ao cenário da análise. Em suma, quem poder contribuir com essa “garimpagem” favor entrar em contato conosco para futuro entendimento.

Quanto à destruição de documentos do regime militar, a procuradora-geral da Justiça Militar Cláudia Márcia Ramalho Moreira Luz, comunicou na quinta-feira (30/04), ao presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, será instado a prestar informações sobre o andamento e o resultado dos procedimentos instaurados no âmbito do Exército, Marinha e Aeronáutica para apurar a destruição de documentos do serviço de inteligência das Forças Armadas sobre a Guerrilha do Araguaia. Tais arquivos são referentes ao período de 1964 a 1985.

A medida consta do despacho assinado pela procuradora-geral nos autos da Representação 0271/2008/PGJM/DDJ. Ação instaurada na Procuradoria Geral da justiça Militar por determinação do Superior Tribunal Militar (STM), após a apresentação de pedido feito pelo Conselho Federal da OAB, de inquérito policial militar para investigar e julgar as responsabilidades de militares envolvidos na destruição e extravio dos documentos oficiais referentes à Guerrilha do Araguaia.

Por isso, é necessário ficar atentos para proteger essa documentação e quem sabe possamos exigir do governo do Estado do Amazonas e dos órgãos federais uma política de proteção e salvaguarda dessa documentação, promovendo a digitalização dessas fontes para futuros estudos do processo de democratização e o movimento social do país.

terça-feira, 28 de abril de 2009

OS PARADOXOS DA CIÊNCIA POLÍTICA NO AMAZONAS

Diferentemente da diversidade temática de outras regiões brasileiras, às vezes tenho a impressão que as pesquisas em ciências sociais na região norte (em um caso especial, o Amazonas) se resumem a sustentabilidade floral e a cultura dos ditos povos da floresta (conforme a nova rotulação). Espero estar completamente equivocado e que este equívoco não esteja imperiosamente na pauta acadêmica. Penso que para além da sustentabilidade floral e cultura dos ditos povos da floresta, os homens da região amazônica são agentes racionais e fazem política em organizações e em instituições políticas.

Breno Rodrigo de Messias Leite*

Em todos os países centrais e em grande parte do Brasil, a subárea da Ciência Política tem dado galopes importantes em direção à sua institucionalização científica e à sua profissionalização no campo das Ciências Sociais. De forma contrária, é importante que se relate também, ainda que na contracorrente de certa tendência universalista, e certamente isso se aprofunda em algumas regiões do país, em geral aquelas afetadas pela matutice intransigente, a subárea sofre duros percalços e dolorosas derrotas.

Não estou com dubiedades tão presentes nas falas e nas escritas de meus pares. Não é necessariamente isso. O que quero dizer, de fato, é que ao contrário da Sociologia e da Antropologia, a Ciência Política, passa por zonas azuis que favorecem seu desenvolvimento, e por zonas cinzentas, que em pouco ou nada se aproximam de uma construção autônoma do campo acadêmico e profissional. É precisamente aí que quero chegar.

Mas, por incrível que pareça, as coisas estão mudando em diferentes ritmos e, é claro, de forma desigual do ponto de vista regional. Nas Regiões Sul e Sudeste, por exemplo, a discussão já está em alto nível: teorizações sofisticadas, produção científica de qualidade internacional, acentuada desmarginalização dos profissionais da área e outras coisas do tipo são sinais claros de que aos poucos a Ciência Política vem conquistando espaços importantes em todos os níveis da vida pública e política do Brasil (estas e as outras informações que se seguirão podem ser confirmadas pelo ranking das Pós-Graduações da CAPES ou no site da Associação Brasileira de Ciência Política, ABCP).

Na Região Nordeste, que concentra os estados de pior IDH do país, de forma inédita, a Ciência Política avançou significativamente, em especial na última década. Em todos os estados, sem exceção, já produzem quer nas graduações das universidades públicas, quer nas pós-graduações, extensa literatura tocando em temas como democracia, participação política, clientelismo, coronelismo... Dou um destaque especial a dois estados. Primeiramente, Pernambuco que já tem um programa de mestrado e doutorado em Ciência Política consolidado e reconhecido internacionalmente pelas análises sobre questões militares e políticas públicas; e o estado do Piauí que já está na sua segunda turma de mestrado acadêmico.

Quanto à Região Centro-Oeste, infelizmente, não possuo os dados e as leituras necessárias e suficientes para uma análise mais pontual. Por isso, poupo o leitor de informações distorcidas que escapam da probabilidade racional mínima e dos fatos que fundamentam a construção de um argumento razoável.

Na Região Norte, saímos definitivamente das zonas azuladas e entramos de igual forma nas zonas acinzentadas em termos de desenvolvimento da Ciência Política. A dinâmica da Ciência Política aqui nos trópicos úmidos passa por uma crise de natureza improlífica. Para além da crise improlífica, passa também por uma crise intelectual. Este tipo de comportamento pouco tem contribuído para a solidificação da subárea.

Com exceção da Universidade Federal do Pará, que já possui um mestrado acadêmico e outros programas de especialização em Ciência Política, todos os outros estados da região estão passando por problemas gravíssimos neste campo de conhecimento tão importante para as ciências sociais no Brasil. O que ainda há de esperança é o fato de a Universidade Federal do Amapá ter feito contratações de alguns professores de Ciência Política; e a Universidade Federal de Rondônia, em função da extensa zona fronteiriça com a Venezuela, ter criado uma graduação e um programa de pós-graduação interinstitucional em Relações Internacionais.

Diferentemente da diversidade temática de outras regiões brasileiras, às vezes tenho a impressão que as pesquisas em ciências sociais na região norte (em um caso especial, o Amazonas) se resumem a sustentabilidade floral e a cultura dos ditos povos da floresta (conforme a nova rotulação). Espero estar completamente equivocado e que este equívoco não esteja imperiosamente na pauta acadêmica. Penso que para além da sustentabilidade floral e cultura dos ditos povos da floresta, os homens da região amazônica são agentes racionais e fazem política em organizações e em instituições políticas. E que estas organizações e instituições importam no debate acerca da otimização da democracia política, para a arrancada do desenvolvimento econômico regional e para a inclusão social. Creio novamente estar completamente equivocado, mas avalio que estes estudos muitas vezes – para não dizer sempre – se limitam a descrever as conseqüências e não as causas de nossos dilemas. Pior ainda: com um exagero retórico (passional, superficial e vulgar) e uma protomilitância que afeta diretamente os resultados, o que rompe com toda a cadeia lógica de uma boa pesquisa.

É óbvio que a permanência desse tipo de pauta acadêmica viciada pela especulação financeira das agências de financiamento de nada contribui para o potencial crescimento da Ciência Política. Pelo contrário, incentiva seletivamente o eixo temático para outras problemáticas e grupos de interesse. A política torna-se apenas um tema transversal: política cultural, política indígena, políticas afirmativas etc. Em suma: a política subtraída das instituições políticas.

A ausência de uma pauta de problemas e de temas da Ciência Política (presidencialismo, federalismo, sistemas partidário-eleitoral, judicialização da política, cidadania, decisão do voto, políticas públicas, formação de governos e a separação dos poderes, relação Executivo-Legislativo, teoria política, política internacional, conflitos de fronteira etc.), de pesquisadores e professores com sólida formação na área, como é natural, inviabiliza qualquer tipo de crescimento da subárea.

Este é um problema grave nas ciências sociais no Amazonas. A mesma ciência social que se diz multidisciplinar ou interdisciplinar (nunca sei a forma correta!), mas que na prática funciona como um alucinado mantra monodisciplinar.


Que fazer? Não temos outra saída: só a contratação urgente de professores-pesquisadores com formação na área e correr atrás do tempo perdido. Espero que a nova gestão da reitoria resolva este problema de uma vez por todas. Aqui fica uma sugestão.

*Mestrando em Ciência Política pela UFPA e bolsista da CAPES
.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS-UFAM
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS-ICHL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS - DCIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SOCIOLOGIA - PPGS

O Programa de Pós-Graduação em Sociologia convida

Palestras

• 29 de abril (quarta-feira, 10 horas)
Palestra: Metodologia para estudos de grupos familiares: aspectos da sustentabilidade
Professora: Dulce Whitaker (UFPa)
Local: Mini-Auditório PPGS e PPGSS – ao lado da secretaria do PPGS.

• 30 de abril (quinta-feira, 10 horas)
Palestra: Gênero, meio ambiente e trabalho
Professora: Maria Ângela D’Incao (UFPa)
Local: Auditório Rio Solimões – Instituto de Ciências Humanas e Letras - ICHL