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segunda-feira, 20 de julho de 2009

SBPC: SUSTENTABILIDADE SIM, DEPREDAÇÃO NÃO


Saldo positivo para o Movimento S.O.S. Encontro das Águas, que participou de diversas mesas de discussões da 61a Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento começou no dia 12 (domingo) e terminou no dia 17 (sexta-feira), no Campus da Universidade Federal do Amazonas. A bandeira do Movimento circulou por todos os espaços, principalmente no estande da Editora da Universidade Federal do Amazonas (EDUA-UFAM), onde os militantes colhiam as assinaturas contra a construção do Porto das Lajes, empreendimento da Log-In Logística Intermodal S/A, que ameaça de morte a magnitude do Encontro das Águas.



Um dos signatários do abaixo assinado contra o Porto das Lajes é o professor e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Dr. Charles R. Clement, que coordenou diversas mesas de debate na SBPC.



Outro raro momento na SBPC foi quando o coordenador do Núcleo de Cultura Política do Amazonas da UFAM, o professor Ademir Ramos entregou ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o manifesto aprovado pelo IV Mutirão em defesa da Amazônia contrário a construção do Porto das Lajes nas mediações do Encontro das Águas. A foto registra o momento em que o Ministro passa a ler o manifesto e se compromete encaminhar a questão junto à Agência Nacional das Águas (ANA).



Em todos os momentos na SBPC, as lideranças comunitárias do Lago do Aleixo, na zona leste de Manaus, se fizerem presentes, participando das discussões e articulações para o fortalecimento do movimento contra a depredação do Lago e do Encontro das Águas.



O pesquisador do INPA, Philip M. Fearnside, também junta sua força ao Movimento S.O.S. Encontro das Águas, posicionando-se contra as políticas de depredação da Amazônia tal como a reconstrução da BR-319, a construção do Porto das Lajes e outras pragas dessa natureza.


No estande da EDUA-UFAM compareceram vários pesquisadores, jornalistas, parlamentares e outras lideranças sociais que se manifestaram contra a insanidade de se construir um porto nas mediações dos Sítios Arqueológicos das Lajes e do Encontro das Águas. Destacamos a presença do Miguel Antonio Brandt, do Partido Verde (à direita) e do professor Marcus Barros, ex-reitor da UFAM e ex-diretor do IBAMA, que se solidarizaram com os comunitários e se comprometeram ainda mais a lutar contra a leseira que assola as políticas públicas no Amazonas, reduzindo o público ao privado.

ESTRUTURA POPULACIONAL DA COMUNIDADE DE PALMEIRAS



Anelena Lima de Carvalho (1), ; Evandro José Linhares Ferreira (2), (4); Joanna Marie Tucker Lima (3)

1. Mestranda em Ciências de Florestas Tropicais, INPA
2. Núcleo de Pesquisas no Acre do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA
3. University of Florida, School of Natural Resources and Environment, USA

Artigo Apresentado na 61° reunião da SBPC

INTRODUÇÃO:

A Amazônia abriga aproximadamente 50% dos gêneros e 30% das espécies de palmeiras Neotropicais e são consideradas como um dos recursos vegetais mais úteis para o homem. Embora as pesquisas sobre Arecaceae tenham avançado nas últimas décadas, nos estudos fitossociológicos realizados atualmente na Amazônia os critérios de inclusão utilizados na amostragem dos indivíduos quase sempre excluem as palmeiras. Quando estas são incluídas, poucas espécies são mencionadas em função do DAP mínimo e devido a isso os dados disponíveis sobre a composição florística e dinâmica da família ainda são muito escassos. Estudos sobre a distribuição e estrutura das espécies florestais tem focado, na maioria das vezes, nas espécies arbóreas e/ou arbustivas. Tais estudos contribuem para caracterizar a vegetação como um todo e através destas análises podem ser obtidos, como principais resultados, o conhecimento da composição das espécies, organização, ecologia e classificação das comunidades. O presente trabalho teve como objetivo descrever a estrutura populacional da comunidade de palmeiras de uma área de proteção ambiental formada por fragmentos florestais secundários e uma pequena mancha de floresta primária, visando um maior conhecimento sobre alguns aspectos relacionados à ecologia destas plantas.

METODOLOGIA:

O estudo foi realizado na Área de Proteção Ambiental Raimundo Irineu Serra (APARIS), que possui 843 hectares e fica localizada em Rio Branco, Acre. Originalmente, a vegetação da APARIS era do tipo Floresta Ombrófila Aberta com Bambu e Palmeiras no sub-bosque. Para este estudo, selecionaram-se três fragmentos de floresta secundária em diferentes estádios sucessionais e idade média de 7,5, 27,5 e 37,5 anos, e um fragmento de floresta primária. Em cada fragmento foram instaladas, de forma sistemática, cinco parcelas de 20 x 20 m (400 m²), distribuídas alternadamente ao longo de um transecto de 100 m. Todas as plântulas e indivíduos adultos de palmeiras foram contabilizados e identificados. Os parâmetros fitossociológicos calculados foram Densidade Relativa (DR) e Freqüência Relativa (FR). As palmeiras estudadas foram divididas em cinco classes segundo o tamanho e características vegetativo-reprodutivas, a saber: classe 1: indivíduos até 0,5 m de altura; classe 2: indivíduos com 0,5-1 m altura, sem estipe aparente; classe 3: indivíduos com mais de 1m de altura, sem estipe aparente; classe 4: indivíduos com estipe aparente, não reprodutivos, e classe 5: indivíduos em estádio reprodutivo. Os dados foram tabulados em Microsoft Office Excel 2007 e analisados no programa Mata Nativa 2.0.

RESULTADOS:

Foram amostrados 1.034 indivíduos, pertencentes a 12 gêneros e 19 espécies de palmeiras. A espécie Attalea phalerata apresentou a maior densidade e freqüência relativa, tendo sido encontrados 845 indivíduos, que correspondem a 81,72% do total de indivíduos amostrados. Uma classificação de todos os indivíduos de palmeiras amostrados nos quatro fragmentos estudados resultou na seguinte distribuição, por classe de tamanho: 34,27% estão incluídos na classe 1; 20,67% na classe 2; 37,10% classe 3; 4,13% classe 4; e apenas 3,80% são da classe 5. No fragmento de floresta secundária com idade média de 7,5 anos, 56,32% do total de indivíduos caulescentes pertencem a 1ª classe, ou seja, mais da metade dos indivíduos eram plântulas. Nos fragmentos com idades médias de 27,5 anos e de 37,5 anos, o maior percentual de indivíduos acaulescentes e caulescentes amostrados integrava a 3ª classe de tamanho. Na área de floresta primária, as espécies acaulescentes representaram 66,66% dos indivíduos da 5ª classe, não sendo registradas plantas desse tipo na 1ª e 3ª classe de tamanho. Dentre as espécies caulescentes, 45,74% dos indivíduos amostrados faziam parte da 2ª classe de tamanho. Não foram encontrados indivíduos na 5 ª classe, ou seja, os indivíduos adultos em estágio reprodutivo estavam ausentes.

CONCLUSÕES:

Em áreas fragmentadas como a APARIS, espécies como Attalea phalerata, que possuem sementes mecanicamente mais resistentes, são beneficiadas com o desaparecimento de seus predadores especializados (roedores). Além disso, seu estipe geralmente é recoberto por bainhas foliares persistentes que funcionam como isolante das altas temperaturas em caso de fogo, e sua gema apical também está bem protegida por bainhas foliares de folhas vivas. Isto geralmente leva a uma situação de alta taxa de recrutamento de plântulas e dominância da espécie. A estrutura populacional em todos os fragmentos apresentou-se deficiente, com um número reduzido de plântulas e adultos reprodutivos para maioria das espécies avaliadas, indicando que a sobrevivência de grande parte delas se encontra ameaçada. O número baixo das plântulas de palmeiras pode ser influenciado pela falta de indivíduos reprodutivos e pelo isolamento dos fragmentos das áreas mais velhas, que poderiam servir como fontes de semente. Outros eventos atípicos, como queimadas acidentais, podem estar eliminando as plântulas do local.

SBPC: EM DISCUSSÃO O FIM DA AMAZÔNIA



Antonio Pereira de Oliveira*

Para quem participou do debate na SBPC, cujo tema era: "O fim da Amazônia", deve ter saído de lá satisfeito com o nível das exposições. O auditório Jatapu estava superlotado e só consegui entrar depois de muito custo. Mas valeu a pena.

As exposições se polarizaram e, embora o tema fosse muito mais amplo, acabou recaindo sobre o asfaltamento da BR-319, dado a elevada temperatura que esse assunto vem ganhando nos últimos dias.

O primeiro a expor foi o pesquisador Philip M. Fearnside, alertando para o perigo de desmatamento indiscriminado e impacto ambiental de proporções alarmantes com asfaltamento da BR-319. Munido de estudos e pesquisas, mapas sobre o clima e sobre a floresta Amazônica, o pesquisador confrontou as posições dos estudos que defendem a pavimentação da rodovia. Ao lado de uma argumentação centrada nas ciências da natureza, dialogou também com os objetivos econômicos procurando demonstrar que alternativa de rodovia é incompatível com a preservação sendo é uma forma modal muito mais cara que outras alternativas, bem menos degradantes e bem mais baratas.

O segundo a falar foi o professor Alexandre Rivas, coordenador do estudo que mediu o impacto ambiental que a estrada pode causar na região. Embora tenha explanado sobre a Amazônia a partir de um enfoque neoclássico, procurando mostrar que, com base nessa teoria, a conservação da Amazônia só é possível se a natureza for incorporada como produto, os quais devem ser utilizados de forma sustentável, também não conseguiu fugir ao debate sobre a BR-319.

A meu ver, o maior mérito do professor foi sustentar sua tese sem subterfúgios ou mistificação. Defendeu claramente a economia de mercado e sua relação com a natureza. Por essa ótica, a conservação da natureza precisa estar vinculada a idéia de utilidade e de preço. Na sua explanação deixou transparecer a crença na "governança ambiental", como elemento inibidor de degradação ambiental.

A terceira a expor foi a professora Marilene Correa. Tomando o mote do debate, a sua reflexão se iniciou levantando a importância do sentido de se discutir "o fim da Amazônia" para, em seguida, sob um poderoso e articulado nível de argumentação, demonstrar a existências de várias Amazônias que se ergueram e se sucederam com formas de conhecimento e adaptabilidade distintas e igualmente inteligentes. Na sua exposição, Marilene, estabeleceu um importante diálogo com as ciências biológicas e a economia, afirmando o sentido histórico e cultural da Amazônia. Ao traçar numa perspectiva histórica as formas de ocupação e de adaptação da Amazônia, Marilene exortou a responsabilidade de todos e dos cientistas, em particular, com as escolhas. Ao fazer uma comparação com os impactos ocorridos em várias rodovias regionais, deixou transparecer sua posição favorável à BR-319.

Depois de tão instigantes exposições, o auditório inteiro estava estimulado a falar. Em meio a questões, depoimentos, reflexões, não faltaram as polêmicas e o tom acalorado de alguns participantes. O fato é que deu para extrair uma preocupação muito grande com tudo que vem ocorrendo e, sobretudo, com o que vem ocorrendo com a Amazônia.

Fiquei muito satisfeito e sai de lá muito estimulado a continuar meus estudos.

*Professor da área de ciências sócias formado pela UFAM.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

MINISTRO SE POSICIONA A FAVOR DO ENCONTRO DAS AGUAS



Assim que chegou ao Campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o ministro do meio ambiente Carlos Minc, às 14h, foi abordado pelo coordenador do NCPAM, professor Ademir Ramos, entregando em mãos o manifesto do IV Mutirão Em defesa da Amazônia, protestando contra a construção do Porto das Lajes nas mediações do Encontro das Águas, na zona leste de Manaus. Minc veio a Manaus participar da Reunião Anual da SBPC para expor sobre a “Biodiversidade e a Sustentabilidade”.



A Conferência do Ministro do Meio Ambiente se deu no Auditório Solimões do Instituto de Ciências Humanas e Letras da UFAM com “casa cheia”. Assim que terminou sua exposição, o Ministro passou a responder as perguntas formuladas pelos participantes das SBPC.



O Coordenador do NCPAM foi o terceiro a perguntar ao Ministro sobre de que forma o IBAMA poderia somar com o Movimento S.O.S. Encontro Águas para proteger esse patrimônio contra a perversão de se construir um Porto nessas mediações. O ministro foi incisivo em sua resposta, fazendo referência ao manifesto que lhe foi entregue e afirmando categoricamente que “vai apurar os fatos e a qualquer momento o IBAMA pode participar desse processo, envolvendo a Agência Nacional das Águas (ANA) para avaliar o curso das ações”. O Ministrou finalizou chamando atenção de se definir o Plano de Bacia Hidrográfica fundamentado numa “visão integrada contrariando as visões eventuais e pontuais”.

O Ministro se comprometeu em dar uma resposta assim que se inteirar melhor do processo. Entre os participantes encontravam-se no auditório da SBPC os comunitários da Colônia Antonio Aleixo, que durante a coletiva de imprensa se manifestaram com faixas e cartazes. Para o líder comunitário Isaque Dantas “esse momento foi oportuno para se dar mais visibilidade á nossa luta em defesa de um patrimônio que local e mundial, contrariando a gana do capital que pretende privatizar por meio da construção do Porto das Lajes”.

SBPC - RECONSTRUÇÃO DA BR 319 É INSUSTENTÁVEL



No simpósio CICLOS BIOGEOQUÍMICOS NA AMAZÔNIA E CLIMA realizado ontem na 61º Reunião da SBPC, em Manaus sob a coordenação do Prof. Dr. Paulo Artaxo (USP, na foto acima) e Prof. Dr. Flávio J. Luizão (INPA) a construção da BR 319, que ligará Porto Velho à Manaus, foi considerada um grande erro econômico e ambiental.

Paula Artaxo e Flávio Luizão são cientistas lideres do renomado projeto de pesquisa brasileiro LBA, que estuda como a floresta amazônica atua no equilíbrio do clima regional e mundial e as conseqüências da mudança de uso da terra na Amazônia na qualidade de vida e na crise climática global.

Segundo Flávio Luizão, do INPA, a reconstrução da BR 319 é desnecessária devido ao escoamento do Distrito Industrial de Manaus se dar por cabotagem, pois o transporte fluvial é mais barato e há uma hidrovia paralela a linha de construção da rodovia. Para o cientista há outras maneiras mais eficientes e sustentáveis de beneficiar a baixa densidade populacional da comunidade rural que vive ao longo da estrada sem degradar o sul do estado do amazonas que é uma região de altíssima biodiversidade.

A grande preocupação dos presentes no simpósio é que além do aumento da emissão de gás carbônico, que será liberado com o desmatamento que o fluxo populacional migratório, a grilagem e a instalação de projetos impactantes propiciados pela rodovia provocarão, o desmatamento da região provocará também grave aumento da imissão de metano. Este gás que tem maior potencial causador do efeito estufa que o CO2. e é presente em áreas de floresta alagáveis, como as que predominam na região. .

No Simpósio, a pesquisadora Raquel Telles Sampaio, do INPA, sugeriu que na Assembléia Ordinária da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência fosse aprovada uma moção contrária a reconstrução da BR 319 devido os impactos ambientais que provocará abrindo acesso para uma rica floresta que ainda é a mais preservada da
Amazônia e devido a diminuição da qualidade de vida na região.

IBAMA não aprova EIA para reconstrução da BR-319
Segundo o parecer de técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) de 08.07.2009 o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) apresentado pelo Ministério de Transportes para pleitear o licenciamento da restauração e pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho.


“Considerando as graves falhas no diagnóstico dos meios físico e biótico, bem como necessidade de complementações do meio socioeconômico, o EIA não reúne as mínimas condições e informações que permitam avaliar a viabilidade ambiental do empreendimento“. Ao se considerar a avaliação de impactos e as correspondentes medidas mitigadoras propostas, o quadro piora”, aponta o parecer.

O documento de 177 páginas lista falhas na elaboração dos estudos, questiona as metodologias utilizadas para medir alguns dos impactos ambientais e sociais da obra e critica até a falta de revisão do EIA encaminhado ao IBAMA. De acordo com o relatório do IBAMA, “todos os impactos ao meio físico foram subdimensionados” e o provável aumento do desmatamento na região “foi quase descartado”. Os técnicos apontaram falhas em relação aos impactos sobre a flora e a fauna e enumeraram as consequências socioeconômicas da obra.

SBPC - CONSTRUÇÃO DO PORTO DAS LAJES É USURPAÇÃO

Na mesa-redonda AS GEOPOLÍTICAS MUNDIAIS E A APROPRIAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS coordenada pelo Prof. Dr. Fernando de Carvalho Dantas (UEA) com a participação do Prof. Dr. Alcindo José de Sá (UFPE) e o Prof. Dr. José Antonio Peres Gediel (UFPR) a construção do terminal portuário Porto das Lajes nas margens do Encontro das Águas do Rio Negro e do Solimões, formando o Rio Amazonas, foi exemplificado como usurpação do bem coletivo.

O Prof. Dr. José Antonio Peres Gediel (Foto ao lado), coordenador do Curso de pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Paraná em debate com cientistas e comunitários da região do encontro das águas considerou que a instalação do Porto das Lajes no rico patrimônio material e imaterial que representa o Encontro das Águas para a cultura, os povos e a natureza Amazonida, é privilegiar um empreendimento privado em detrimento da coletividade, não só amazonense, mas de todo o mundo.

Este Terminal Portuário irá degradar paisagisticamente o cenário do principal símbolo natural e cultural do amazonas que é o Encontro das Águas, degradando a mais importante paisagem turística da região e destruindo também sítios arqueológicos e o belíssimo sítio geológico Ponta das Lajes, que foi declarado como Patrimônio Natural da Humanidade. O Porto das Lajes irá provocar assoreamento e poluir, quimicamente e biologicamente os recursos hídricos locais, afetando diretamente a qualidade da água na estação de captação que está sendo construído pelo governo do Estado para abastecer 500 mil pessoas da zona leste de Manaus, além de impactar os recursos pesqueiros, poluir o lago do Aleixo e a bela área de lazer e pesca de uso comum da população manauara e da histórica Colônia Antônio Aleixo.

ENCONTRO DAS ÁGUAS: TURISMO, CIÊNCIA E CULTURA



A riqueza das nações tem variadas fontes produtivas. No passado a industrialização reduziu os recursos ambientais, valendo-se da exploração do trabalho escravo, em nome da civilização, evolução social, do progresso, desenvolvimento e da modernidade. Com o esgotamento dessas fontes e a reprodução da pobreza, o poder econômico, sob o controle do Estado, passou a repensar a sua prática, formulando políticas qualificadas de responsabilidade social e ambiental sob o foco da sustentabilidade. A 61° Reunião da SBPC no Amazonas a encerrar-se na próxima sexta-feira (17) foi embalada por essas motivações, tentando resolver o paradoxo posto entre a volúpia do capital e a conservação dos recursos naturais na Amazônia. Entre as atividades propostas, destacam-se os minicursos. Um deles que nos chamou atenção foi o de “introdução à economia ecológica” ministrado pelos professores Maria Amélia Rodrigues Enríquez (UFPA) e Clóvis Cavalcanti (FUNDAJ). O trabalho dos professores foi examinar princípios e instrumentos relativos à interface do meio ambiente com a economia, na perspectiva de “explicar como se pode ter progresso humano sem sacrifico irreparável dos ecossistemas”. Assim sendo, é importante que se recorte esse processo, dando ênfase a um dos segmentos mais produtivo do mundo que é o Turismo Sustentável, gerador de trabalho, renda e tributo. Economia esta que mereceria maior atenção dos governantes e dos empreendedores sociais, visando à proteção do patrimônio ambiental e toda sua diversidade resultando em benéfico para todos. É o caso do Turismo Comunitário a ser implementado por agentes de comunidades tradicionais, bem ao contrário do que se propõe a fazer a empresa Log-In Logística Intermodal, que pretende construir um complexo portuário nas mediações do Encontro das Águas dilapidando a riqueza dos povos da Amazônia. A SBPC, portanto, tem sido um fórum apropriado para se discutir meios e modos para se formular tanto as políticas públicas ou privadas sob o novo paradigma da sustentabilidade. Conheça o Amazonas a partir do Encontro das Águas, siga as recomendações dos especialistas.

Recomendações feitas no site da copa 2014: Um bom local para se ver, em terra firme, o Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões é a Ponta das Lajes, na zona leste da cidade (à margem esquerda do rio Negro). O encontro que origina um dos maiores rios do mundo, o Amazonas, é um fenômeno provocado pela confluência das águas escuras do rio Negro com as águas barrentas do rio Solimões. Por uma extensão de mais de 6 km, os dois rios correm lado a lado sem se misturarem. Isto ocorre por causa da diferença de temperatura e densidade destas águas, aliada à diferença de velocidade de suas correntezas: o Negro corre a cerca de 2 km/h e a uma temperatura de 22°C, enquanto que o Solimões corre de 4 a 6 km/h, a uma temperatura de 28°C. (Para saber mais leia
aqui)

Os Goldschmidt são uma família de quatro aventureiros que vivem o sonho de descobrir nosso continente juntos e de modo muito especial. Peter, Sandra, Erick e Ingrid iniciaram em 1999 suas aventuras através da América do Sul. Desde então percorreram juntos mais de 90 mil quilômetros desde os extremos da Terra do Fogo até o coração da floresta Amazônica. Desde as quentes praias nordestinas até as ilhas frias do Pacífico. Dentre as várias viagens realizadas por esta família com “rodinha nos pés”, destacamos as duas etapas da Expedição Giro Pela América. Realizadas respectivamente em 1999 e 2002, em ambas a família utilizou como meio de transporte o motorhome Pégaso, no qual viveram mais de 800 dias. No Amazonas os Goldschmidt estivem em 2003 e, segundo eles, “o primeiro lugar que visitamos foi atração turística mais tradicional da cidade, o encontro das águas”.

Para família Goldschmidt (foto ao lado) “o encontro das águas é surpreendente. As águas dos dois rios são bem diferentes e por diversas razões correm lado a lado, sem se misturar por dezenas de kms. Próximo a Manaus, a divisão fica mais definida, tanto assim que nós pegamos água do rio negro de um lado do barco e do Amazonas do outro. Guardamos ambas em garrafinhas para levar para casa e para o museu que estamos montando. Os dois rios são poderosos e tem números impressionantes. Vejam: Rio Amazonas - Vazão de 220.000 m³/s – extensão de 6.868 Km – Primeiro do mundo em extensão e em volume d´água – PH 6,2 – Temperatura de 18° e velocidade de 8 a 10 km/h . Rio Negro – Vazão de 17.000 m³/s – Terceiro maior em vazão do mundo – PH 3,1 – Temperatura de 28° e velocidade de 2 km/h”. (Para saber mais leia aqui)

Sabe-se também que, a Bacia Hidrográfica Amazônica é a maior do mundo, com quase 04 milhões de km² de extensão em terras brasileiras. Somente na porção brasileira, abrange 10 dos maiores rios do mundo, entre os quais o lendário Rio Amazonas, com 7.025 quilômetros de extensão desde a Nascente, na Cordilheira dos Andes (Peru), até a sua foz no Oceano Atlântico.

O suficiente para reconhecê-lo como mais comprido que o Nilo. Considerando os trechos navegáveis por embarcações pequenas e seus principais afluentes, a bacia amazônica apresenta uma rede de 25.000 km de vias fluviais.

A natureza presenteou ainda a capital do Amazonas com o belo espetáculo do encontro das águas escuras do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões, bem em frente à cidade de Manaus. O contraste das cores dos rios se estende por vários quilômetros, até se misturarem formando o Rio Amazonas.

Além dos rios e seus afluentes, a hidrografia da região reserva ainda os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo: o de Anavilhanas e o de Mariuá.

O rio Amazonas corre pelo norte da América do Sul, em sua maior parte em território do Brasil; é o mais longo rio do mundo, uma vez que nasce na cordilheira dos Andes, no Peru, o que lhe dá uma extensão de 7.025 km.

Esse número ainda não é preciso, pois os geógrafos não chegaram a uma conclusão a respeito de qual de dois cursos de água, ambos nascidos no mesmo Nevado, é o verdadeiro ponto de partida.

O Amazonas lança no oceano 176 mil metros cúbicos de água por segundo. Essa vazão é 10 vezes maior que o Mississipi, de 17 mil metros cúbicos por segundo, e quatro vezes maiores que a do Gongo, de 40 mil metros cúbicos por segundo. Avançando sobre o mar, o rio forma uma camada de água doce de dezenas de quilômetros sobre a água salgada. Por isso os primeiros europeus que visitaram o Amazonas o chamaram de “mar de água doce”.

A real extensão do Amazonas foi estabelecida pela primeira vez pelo Instituto Geográfico Nacional do Peru, no início da década de 1980. Em 1994, uma expedição organizada pelos brasileiros Paula Saldanha e Roberto Werneck seguiu o curso do rio desde sua foz, no Atlântico, até sua nascente nos Andes, comprovando os dados dos geógrafos peruanos; e desde 1995 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil tem analisado fotos de satélite da região, chegando à mesma conclusão.

Considerando que o Nevado de Mesmo, no Peru, é a verdadeira nascente do Amazonas, e que seu canal principal está formado pelo sistema Apurimac-Ucayali-Amazonas, o rio é o maior do mundo não só em volume de água como também em comprimento, pois o seu curso mede 6.850 quilômetros, ultrapassando o Nilo, com seus 6.671 quilômetros.

Ao entra em território brasileiro o Amazonas é chamado de Solimões até 30 km a leste de Manaus, onde recebe as águas do rio Negro e recupera seu nome principal. Em seu percurso, o Amazonas recebe quase 7.000 afluentes, que em conjunto ocupam uma área de quase o4 milhões de quilômetros quadrados.

De uma margem à outra o rio Amazonas pode apresentar uma largura de até 15 quilômetros, como ocorre na confluência com os Tapajós. Durante as enchentes a diferença de nível pode oscilar entre 10 e 15 metros, de modo que as várzeas inundadas dão ao Amazonas uma largura de até 100 quilômetros.

A cor escura das águas do rio Negro, que contrasta com a limpidez de seu principal afluente, o Branco, e com o barrento Solimões, (deve-se a concentração de ácidos oriundos da decomposição das folhas repletas de tanino). A cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, é banhada por este rio.

O rio Negro é o principal afluente do Amazonas. Banha três países da América do Sul e percorre cerca de 1.700km. Com o nome de Guainía, nasce no leste da Colômbia, corre na direção nordeste e depois sul, formando a fronteira entre Colômbia e Venezuela. Depois da junção com o Cassiquiare, recebe o nome de Rio Negro. Entra no território brasileiro no estado do Amazonas e segue a direção geral sudeste, banhando, entre outras, as localidades de Içana, Barcelos, Carvoeiro e Airão. Próximo a Manaus, que se ergue em sua margem esquerda, forma um estuário de cerca de seis quilômetros de largura no encontro com o Solimões, daí em diante chamado Amazonas.

Encontro das águas: o rio é uma das grandes atrações turísticas da cidade e um dos principais meios econômicos e de transporte para os seus habitantes. Nas proximidades de Manaus, o rio Negro encontra-se com o rio Solimões, formando o Encontro das águas, onde as águas barrentas do Solimões não se misturam com as águas do Rio Negro. Depois da união dos dois rios, passam a receber o nome de "Rio Amazonas", em território brasileiro.

O rio Negro Rio Negro apresenta um elevado grau de acidez, devido à grande quantidade de ácidos orgânicos provenientes da decomposição da vegetação. Por isso, a água apresenta uma coloração escura (parecida com a do chá preto). Em alguns pontos o reflexo das árvores na água é como a de um espelho. A visibilidade varia entre 1,50 e 2,50 metros. Devido a esse grau de acides, os insetos não se proliferam e quase não há mosquitos na região. É conhecido como o "rio da fome". (Para saber mais leia
aqui)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

SBPC 2009 – GRUPO DE TRABALHO TERRA PRETA NOVA (GTTPN)



As pesquisas com terra preta de índio da Amazônia estão sendo conduzidas dentro de uma abordagem interdisciplinar, visando avançar na compreensão de sua origem, propriedades e manejo. À frente destas pesquisas estão cientistas das mais diferentes áreas do conhecimento (biólogos, edafólogos, pedólogos, geoarqueólogos, arqueólogos, antropólogos, geógrafos, etc). É dentro desse contexto que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) preparou uma programação especial para a SBPC 2009.

O INPA, sob a coordenação do Dr. Newton Falcão, Dr. Charles Clemente e Dr. Afrânio Junior, organizou um grupo de trabalho (GTTPN) composto de pesquisadores e professores de diversas instituições do Brasil (INPA, USP, UFRGS, Museu Goeldi, UFPR, EMBRAPA, INMETRO, CENA/USP e UNESP) e do exterior (University of Kansas e University of Georgia). O evento acontecerá nos dias 16 e 17 de julho, no Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) como parte do programação oficial da SBPC 2009.

No primeiro dia (16/07) o grupo irá se reunir para apresentar, na forma de seminários, os principais resultados de suas pesquisas concluídas e em andamento. Os seminários terão início as 8:00 horas e serão apresentados pelos cientistas dentro de quatro temáticas principais: I-Arqueologia e Antropologia: interações e aplicações nas terras pretas de Índio; II - As terras pretas de índio como fonte e dreno de carbono; III - Uso, manejo, conservação e recriação das terras pretas de Índio; IV - As terras pretas de Índio: o estado da arte;

No segundo dia (17/07), a coordenação organizou uma excursão para a comunidade da Costa do Açutuba onde os participantes terão a oportunidade de conhecer extensas áreas de terra preta, terra mulata e solos adjacentes que estão sendo utilizados para a produção de pimenta doce, pepino, beringela, maracujá, limão e couve. Durante o percurso, no interior de um barco fretado pelos organizadores, serão formados grupos de discussão onde serão traçadas diretrizes para os próximos anos visando a consolidação do grupo e de lideranças nacionais e internacionais nas diferentes linhas de pesquisas.

MOVIMENTO MEIA PASSAGEM CONTRA O PORTO DAS LAJES



Os estudantes do movimento meia passagem promoveram Ato Público nessa manhã (15), na cantina do Instituto de Ciências Humanas e Letras, no Campus da Universidade Federal do Amazonas, contra os tubarões do transporte coletivo de Manaus e contra o prefeito da cidade, Amazonino Mendes (PTB), por violarem o direito dos estudantes de usarem a meia passagem e cumprirem com suas obrigações estudantis quanto à freqüência nas escolas. Na oportunidade denunciaram o abandono em que se encontra a UFAM quanto à insegurança e protestaram também contra a construção do Porto das Lajes, que ameaça de morte o Encontro das Águas e toda riqueza do seu ecossistema, bem como a província geológica das Lajes. As manifestações também foram feitas no mini campus, contando com os aplausos dos participantes da Sociedade Brasileiras para o Progresso da Ciência, que se encontrava presente na falação do movimento. Manifeste sua indignação, solidarizando com os estudantes trabalhadores de Manaus.

CONSTRUÇÃO DO PORTO AMEAÇA A PROVINCIA GEOLÓGICA DAS LAJES

Em Manaus, a 61a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) contempla a discussão sobre o Sítio Arqueológico das Lajes no ecossistema do Encontro das Águas (Rio Negro e Solimões). A exposição faz parte do Museu da Amazônia (MUSA) sob o tema - “o que se encontra no Encontro das Águas”, oportunidade em que se identifica a grandeza do fato e as ameaças de se construir um porto nessas mediações.

O Sítio Geológico Ponta das Lajes está localizado próximo ao ponto de máxima profundidade do Encontro das Águas, na zona leste de Manaus, em frente à ilha do Careiro formada por depósitos holocênicos, o que evidencia a ação neotectônica no local.

A Ponta das Lajes, além de oferecer subsídio para a interpretação do ambiente de deposição da Formação Alter do Chão na parte central da bacia Amazônica, é também ponto chave para a definição das estruturas da neotectônica que influenciou a origem da logística do Encontro das Águas, que no momento encontra-se ameaçado pela pretensa construção do Porto das Lajes, empreendimento da empresa Log-In Logística Intermodal.

A importância desse reconhecimento da Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológico (SIGEP) fundamentam-se no parecer do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN) representado pela pesquisadora Isolda Honnen.

A SIGEP, por sua vez, é uma comissão multi-institucional, que objetiva cadastrar os sítios geológicos e paleobiológicos a serem preservados como PATRIMÔNIO GEOLÓGICO DO BRASIL, bem como publicar em forma de artigos científicos com recomendações de preservação/geoconservação desses sítios. Essa base de dados, montada a partir da interação com a comunidade geocientífica do Brasil deverá ser disponibilizada em livros e na Internet, em português e em inglês, servindo de referência para a seleção de sítios a serem propostos à UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade.

Registra-se, também, o parecer da pesquisadora do IPHAN, Isolda Honnen, relatando sobre a importância do sítio das Lajes, contextualizado numa província geológica de grande abrangência para a história do povo do Amazonas. Conheça na integra o parecer e o encaminhamento da representante do IPHAN:

“Destacamos o interesse histórico cultural relacionado ao sítio Ponta das Lajes: a descoberta do Rio Negro e o posterior início da ocupação da região amazônica pelos portugueses aproveitando o período em que Portugal e Espanha estavam unidos pelo mesmo reinado (pois pelo Tratado de Tordesilhas a região pertencia à Espanha), e, sobretudo, a existência da cidade de Manaus, um dos principais exemplares de ocupação urbana que se expandiu durante a formação da cultura brasileira, trazendo consigo a história das lutas entre portugueses e população nativa da região, principalmente a tribo dos Manaós.

Além da importância histórica do sítio, a ocorrência do “Encontro das Águas” dando ao leito fluvial um aspecto curioso, onde cor e temperatura das águas do Rio Negro e Solimões não se misturam num determinado trecho, é uma referência cultural muito presente na memória social da população local, atraindo também visitantes que fazem passeios turísticos para ver o fenômeno. A existência de um projeto de Oscar Niemeyer para criação de um parque na Ponta das Lajes para que se possa contemplar o ‘Encontro’ confirma a importância que, também a administração da cidade de Manaus, dá ao local.

Considero que o sítio deva ser incluído para ‘compor base de dados de nossos MONUMENTOS GEOLÓGICOS’, conforme definição da SIGEP”.

terça-feira, 14 de julho de 2009

AMAZÔNIA, CIÊNCIA, CULTURA E POLÍTICA- SBPC



Por esta semana, Manaus é a capital da ciência do Brasil. Aqui no Campus Universitário da Universidade Federal do Amazonas(UFAM), assim como no Instituto de Pesquisa da Amazônia, os pesquisadores e os iniciados reúnem-se para expor suas pesquisas, analisar propostas e confrontar projetos na perspectiva de compreender a sociobidiversidade que abriga esse riquíssimo território e suas interfaces.

A iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em promover sua reunião anual na região, sob o tema “Amazônia, Ciência e Cultura”, é de grande valia pra todos nós, mas, sobretudo, para os amazônidas porque cria um campo favorável para se desvelar as armações dos pesquisadores ditos renomados, assim como também governantes e políticos condecorados, que lá fora posicionam-se de uma forma ambientalmente correta e aqui estão de rabo preso com os projetos predadores aliados aos interesses insustentáveis.

Da mesma forma, chama-se atenção da natureza institucional da SBPC quanto à formulação de política de Estado, que promova políticas públicas sustentáveis na Amazônia brasileira, equacionando as relações homem e meio ambiente. Esse desafio deve superar os imediatismos dos políticos regionais provincianos, que reduzem a coisa pública em bem privado, transformando as ações de governo em extensão dos seus interesses privados.

A ciência nesse território deve ser uma expressão de investimento público junto as Universidades Federais, Estaduais, Institutos e Agências de Pesquisas que participam do sistema de Ciência & Tecnologia, visando invenção e formulação de novos produtos como instrumento de desenvolvimento humano. Nessa perspectiva é inconcebível compreender o desmonte das Universidades Federais e Estaduais na região e os demais Institutos de Pesquisas, a inércia do governo federal e estadual só é quebrada quando se trata de eventos pontuais muito mais para saquear a nossa Amazônia em favor de interesses privados imediatistas.

Na cabeça dos burocratas de Brasília, a Amazônia representa mais um problema do que uma solução. Isso porque eles querem explorar sem conhecê-la, queimando riquezas e desequilibrando os ecossistemas, em nome de uma lógica predadora. É só focar nas construções de estradas, hidrelétricas, sistemas portuários, exploração de minério, gás e outros.

Ademais, os políticos marqueteiros agregam o seu nome à Amazônia para ganhar comendas e dividendos que resultem no personalismo eleitoral. Por essa razão deve-se lutar para instituir um Sistema de Estado de fomento a pesquisa fundamentado num programa de desenvolvimento sustentável definido de tal forma investimento em capital intelectual local e no fortalecimento da autonomia das Universidades e Instituto de Pesquisa, articulado sim, mas não atrelado aos interesses provincianos privado e/ou governamental.

A SBPC é o Fórum apropriado para se discutir tais propostas e quem sabe definir também estratégia para se instituir uma política de cooperação internacional focada para pesquisa na Amazônia, que venha resultar na invenção e na produção de novas tecnologias instrumentais capacitando os atores locais a desenvolverem a região de forma sustentável ambientalmente e socialmente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

AMAZÔNIA É O GRANDE TEMA DA SBPC DESSE ANO

Cientistas, estudantes e pesquisadores do Brasil e dos países da bacia amazônica, juntamente com as agências de pesquisa local, iniciam hoje em Manaus o maior evento científico do país. Para esse fim foram destinados mais de R$ 2 milhões para a organização da 61ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até o dia 17 de julho (sexta-feira) no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

O tema da SBPC desse ano é “Amazônia: Ciência e Cultura”, a reunião acontece pela primeira vez na capital do Amazonas e deverá receber mais de 10 mil participantes. Na programação científica, serão realizadas 160 atividades, entre conferências, mesas-redondas, simpósios, grupos de trabalho e encontros. O foco principal das discussões será os desafios para a promoção do desenvolvimento sustentável da Amazônia.

A 61ª Reunião da SBPC contará ainda com eventos paralelos, como a SBPC Jovem, destinada a atividades de iniciação científica; a SBPC Cultural, com a apresentação de atrações regionais; e a ExpoT&C, uma exposição de realizações em ciência, tecnologia e inovação, desenvolvidas por universidades, institutos de pesquisa, empresas incubadoras e iniciativa privada.

A organização da SBPC em Manaus conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), a UFAM, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (SECT).

Abaixo Assinado



Dos eventos paralelos e das discussões alternativas, o movimento “S.O.S. Encontro das Águas”, que se posiciona contra o projeto de construção do Porto das Lajes participa da SBPC, expondo os fatos que justificam a insustentabilidade desse projeto da empresa Log-In Logística Intermodal S/A, mobilizando os participantes a se posicionarem contra o empreendimento, assinando o manifesto abaixo aprovado no IV Mutirão em Defesa da Amazônia.

Nós, Conselho Gestor Socioambiental da Colônia Antônio Aleixo e Bela Vista, S.O.S. Encontro das Águas movimento ambiental e indígena, pastorais sociais, representações da Universidade Federal do Amazonas, da Universidade Estadual do Amazonas, representações políticas da Câmara Federal, Municipal e da Assembléia Legislativa do Estado, reunidos, na Colônia Antonio Aleixo, na zona leste de Manaus, nos dias 10 e 11 de julho para participar do IV Mutirão pela Amazônia, nos manifestamos a respeito das lutas socioambientais para garantir o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, pautando as discussões em três eixos de trabalho – Água como um bem comum, direito de todos (as); adutora e abastecimento de água zona norte e leste; porto das lajes e seus impactos sociais e ambientais.

Considerando as estratégias de privatização movidas pelo governo em favor das grandes empresas, em detrimento do bem comum;

Considerando a água como líquido precioso e essencial a toda forma de vida;

Considerando que o Encontro das Águas é um patrimônio natural e histórico do povo do Amazonas e da humanidade.

Manifestamo-nos:

•Contra qualquer tentativa de privatização dos bens comuns, como os recursos ambientais, rios, lagos e seus afluentes;

•Contra a não transparência dos projetos socioambientais de governo;

•Contra a insustentabilidade do projeto de construção do Porto das Lajes, contrariando normas e princípios constitucionais.

Assim sendo, somos a favor da ampla participação das organizações sociais no processo de criação e gestão das políticas públicas relacionadas à utilização dos recursos ambientais, em respeito à autonomia das comunidades e seus processos próprios de gestão socioambiental.

Consciente do nosso dever constitucional, de preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações, é contrários a construção do porto das lajes nas mediações do Encontro das Águas por julgá-lo ambiental, social e economicamente insustentável.

Frente às ameaças clamamos aos governantes para que respeitem a conservação do nosso meio ambiente amazônico, recusando a participar de qualquer negociação para privatizar esse símbolo de identidade do povo do Amazonas.

Da mesma forma, apelamos à sociedade civil e aos homens de bem, que se manifestem contra a construção do Porto das Lajes, participando das Audiências Públicas para barrar uma vez por toda a construção desse Porto e as tentativas de privatizar o patrimônio público do povo do Amazonas.

Aos cientistas, pesquisadores e participantes da 61ª Reunião Anual da SBPC, informamos sobre os fatos para que se manifestem contrários ao projeto da empresa Log-In Logística Intermodal, que pretende construir um Porto na confluência do nosso Encontro das Águas.

Manifestações

O movimento “S.O.S. Encontro das Águas” agrega sua participação na SBPC, expondo os Banners no hall do Instituto de Ciência Humanas e Letras, promovendo debates e discussões referente aos Estudos de Impacto e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do projeto Porto das Lajes, contando com a participação dos comunitários do Lago do Aleixo, de especialistas em diversas áreas de estudos e da frente parlamentar coordenada pelo Deputado Federal Praciano (PT/AM).

Para o Deputado petista “o Encontro das Águas não tem preço e não está à venda, por isso devemos barrar todo e qualquer projeto que venha ameaçar as formas de vida desse ecossistema, que é patrimônio do povo do Amazonas”.

O NCPAM que integra o movimento “S.O.S. Encontro das Águas” articulou suas ações na SBPC junto ao stand da Editora da UFAM, participando efetivamente das discussões e recolhendo as assinaturas para o Abaixo Assinado a ser apresentado nas Audiências Públicas contra a construção do Porto das Lajes.

Para ver a programação da SBPC clique aqui.