Começa nesta segunda-feira (9), o curso de formação continuada de professores da rede estadual do Amazonas sob a temática da Cultura Indígena e Afro-Brasileira. A iniciativa é da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por meio do Núcleo de Cultura Política (NCPAM) do Departamento de Ciências Sociais, contando com o patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura, Fundação de Apoio a Universidade Federal de São João Del-Rei, Minas Gerais, mais o apoio da Secretaria de Educação do Estado (SEDUC) e o Sebrae Amazonas.
O projeto de formação continuada foi selecionado nacionalmente pelos patrocinadores através de Edital Público, beneficiando diretamente os professores do ensino fundamental e médio da rede pública do interior do Estado.
Para o coordenador, professor e antropólogo da UFAM, Ademir Ramos, a iniciativa é original em cumprimento a Lei 11.645, de 10 de março passado, promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, exigindo que se inclua no currículo da rede de ensino a temática história e cultura dos povos indígenas e afro-brasileiros.
Na segunda-feira próxima, às 14 h, o curso inicia com uma mesa redonda, discutindo e apreciando os paramentos da Educação etno-racial, tendo por referência as Diretrizes do Conselho Nacional de Educação.
Para a mesa redonda, segundo os organizadores do curso, foram convidados os representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, do Movimento Negro e o Procurador-Chefe do Ministério Público Federal no Amazonas, assim como os veículos de comunicação do Estado.
Indagado sobre a metodologia adotada, o professor Ademir Ramos explica, que “o curso será gerado em Manaus, no Centro de Mídias da SEDUC, entendimento este, acordado diretamente com o senhor secretário de Educação do Estado, bem como todo trabalho tem se dado em parceria com a gerência do ensino fundamental da Seduc, buscando dessa feita, interiorizar cada vez mais a temática nas escolas pública do Estado”.
O projeto, afirma o professor, é pioneiro no Brasil, merecendo atenção dos educadores para essas práticas pedagógicas, devendo ser discutido amplamente pelos professores, alunos e servidores, com propósito de se consolidar um novo projeto político pedagógico nas escolas, que combata o preconceito, a descriminação, o racismo e toda e qualquer forma de intolerância.
As aulas estão centradas, explica o coordenador do projeto, sob as seguintes temáticas – Brasil Indígena, Brasil Africano, Cultura Indígena e Afro-Brasileira e Oficinas pedagógicas. Para esse fim, os pesquisadores do NCPAM e os técnicos da Seduc trabalharam por mais de quatro meses na pesquisa e editoração das aulas, em forma de cartela, vídeo e outras formas de linguagens.
O NCPAM está convicto que qualquer atitude contrária às práticas afirmativas da educação etno-racial deva ser rechaçada publicamente e se recorra imediatamente ao Ministério Público Federal, para salvaguardar a Lei 11.645/2008 e garantir ações de políticas afirmativas em favor dos povos indígenas e dos afro-brasileiros.
Não fique fora dessa luta, participe manifestando suas considerações ou enviando suas mensagens aos professores em formação, que se encontram, sobretudo, em suas comunidades no interior do Estado.
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quinta-feira, 5 de junho de 2008
terça-feira, 15 de abril de 2008
Índios, no Plural
*Marina Lemle e Suzana Barbosa
Pena na cabeça, cara pintada, arco e flecha numa mão e a outra batendo na boca: “ô, ô, ô, ô”. Assim, a cada 19 de abril, é construída a “identidade indígena” de milhões de brasileiros em formação. Mas, essa visão estereotipada dos índios, muitas vezes imbuída de preconceitos, pode estar com os dias contados. Em 10 de março último, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.645/08, que torna obrigatórias as aulas de história e cultura dos povos indígenas para alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares de todo o país.
A nova norma altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e substitui, complementando, a Lei 10.639/03, que já previa a inclusão da temática afro-brasileira no currículo das escolas. Não se trata de mais uma disciplina no currículo escolar, mas de uma orientação para que as disciplinas de História, Geografia, Literatura e também as demais busquem incorporar a contribuição dos negros e dos indígenas à cultura brasileira.
De acordo com André Lázaro, titular da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério de Educação (Secad/MEC), é importante que o ensino valorize a diversidade: “As pessoas tendem a uniformizar todas as tribos como ‘índios’, apenas. Isso seria como dizer que russos, ingleses, franceses e alemães são todos o mesmo povo. Os guarani, os tucano, os yanomami, por exemplo, são absolutamente diferentes, cada tribo tem as suas peculiaridades.”
Lázaro não poupa críticas ao que se ensina sobre os índios nas escolas. “A gente dá muita atenção ao Bispo Sardinha que foi devorado pelos caetés, mas não sabe o que acontece nas comunidades indígenas hoje em dia ou qual a sua história”, diz.
Para o secretário, a nova lei deverá combater uma série de preconceitos difundidos ao longo de anos de ensino de história eurocêntrica. “A sociedade branca geralmente é muito preconceituosa, acha que índio não gosta de trabalhar e isso é a maior mentira. Até porque ‘trabalho’, do que jeito que a gente conhece, é um conceito branco”, explica. Ele vai mais longe e defende os direitos indígenas: “Não há respeito à terra do índio. Não pode estar correto o homem branco se apropriar do que não é seu. A terra não é dele, ele não determina o que vai ser plantado ali ou não.
O MEC apoiará iniciativas que visem à integração entre as comunidades indígenas e as escolas. “A preocupação é fazer com que, conhecendo a diferença, a nova geração passe a conhecer melhor a si mesma”, diz Lázaro.
Seminários para discutir a implementação da nova lei, a produção de material didático e a formação de professores estão sendo organizados pelo MEC em parceria com a Unesco, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Secretários de Educação, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
“São organizações indígenas e indigenistas. A gente quer trabalhar com o índio e com quem conhece o índio de verdade. Ouvir a voz do índio e não a voz sobre o índio”, afirma o secretário.
* Articulistas da Revista de História da Biblioteca Nacional, Edição nº. 31, abril2008 - http://www.revistadehistoria.com.br
Pena na cabeça, cara pintada, arco e flecha numa mão e a outra batendo na boca: “ô, ô, ô, ô”. Assim, a cada 19 de abril, é construída a “identidade indígena” de milhões de brasileiros em formação. Mas, essa visão estereotipada dos índios, muitas vezes imbuída de preconceitos, pode estar com os dias contados. Em 10 de março último, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.645/08, que torna obrigatórias as aulas de história e cultura dos povos indígenas para alunos do ensino médio e fundamental de escolas públicas e particulares de todo o país.
A nova norma altera um artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e substitui, complementando, a Lei 10.639/03, que já previa a inclusão da temática afro-brasileira no currículo das escolas. Não se trata de mais uma disciplina no currículo escolar, mas de uma orientação para que as disciplinas de História, Geografia, Literatura e também as demais busquem incorporar a contribuição dos negros e dos indígenas à cultura brasileira.
De acordo com André Lázaro, titular da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério de Educação (Secad/MEC), é importante que o ensino valorize a diversidade: “As pessoas tendem a uniformizar todas as tribos como ‘índios’, apenas. Isso seria como dizer que russos, ingleses, franceses e alemães são todos o mesmo povo. Os guarani, os tucano, os yanomami, por exemplo, são absolutamente diferentes, cada tribo tem as suas peculiaridades.”
Lázaro não poupa críticas ao que se ensina sobre os índios nas escolas. “A gente dá muita atenção ao Bispo Sardinha que foi devorado pelos caetés, mas não sabe o que acontece nas comunidades indígenas hoje em dia ou qual a sua história”, diz.
Para o secretário, a nova lei deverá combater uma série de preconceitos difundidos ao longo de anos de ensino de história eurocêntrica. “A sociedade branca geralmente é muito preconceituosa, acha que índio não gosta de trabalhar e isso é a maior mentira. Até porque ‘trabalho’, do que jeito que a gente conhece, é um conceito branco”, explica. Ele vai mais longe e defende os direitos indígenas: “Não há respeito à terra do índio. Não pode estar correto o homem branco se apropriar do que não é seu. A terra não é dele, ele não determina o que vai ser plantado ali ou não.
O MEC apoiará iniciativas que visem à integração entre as comunidades indígenas e as escolas. “A preocupação é fazer com que, conhecendo a diferença, a nova geração passe a conhecer melhor a si mesma”, diz Lázaro.
Seminários para discutir a implementação da nova lei, a produção de material didático e a formação de professores estão sendo organizados pelo MEC em parceria com a Unesco, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional de Secretários de Educação, a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, universidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.
“São organizações indígenas e indigenistas. A gente quer trabalhar com o índio e com quem conhece o índio de verdade. Ouvir a voz do índio e não a voz sobre o índio”, afirma o secretário.
* Articulistas da Revista de História da Biblioteca Nacional, Edição nº. 31, abril2008 - http://www.revistadehistoria.com.br
sábado, 5 de abril de 2008
Miratinga - “100 anos de umbanda no Brasil”
O Brasil tem muitas cores, mitos, deuses e tradições. Esta diversidade das culturas nem sempre obedece à efetiva convivência mediada pelo reconhecimento da alteridade, da tolerância e respeito. O campo da religião tem sido institucionalizado para garantir interesse de Estado e domínio político oligárquico. Explica-se, dessa feita, a instrumentalização da igreja católica para justificar a colonização e a fundação do Estado brasileiro, em benefício dos conquistadores, latifundiários, usineiros, seringalistas e outros agentes de dominação. Da mesma forma, incentiva-se também a prática fundamentalista dos evangélicos neopentecostais contra as religiões de matrizes indígenas e africanas.
Nessa circunstância é significativa a atitude editorial do jornal Folha de S. Paulo, um dos maiores matutinos brasileiro, que na edição de domingo (30/3), em matéria de capa, analisa no caderno mais! (ver foto) - “100 anos de umbanda no Brasil”. A edição referenciada encerra 419.079 exemplares, dando conta de informes, artigos e entrevistas relativos à prática de umbanda no universo das religiões brasileiras.
Umbanda, segundo a antropóloga norte-americana Diana Brow, autora do livro Umbanda – politics of an Urban Religious Movement, “é uma religião que trata com espíritos, que são muitos e têm a capacidade de intervir na vida cotidiana das pessoas. E podem intervir para o bem ou para o mal. Os rituais celebram os espíritos, que se manifestam e conduzem os trabalhos de cura e de orientação para os problemas”.
Para a autora norte-americana, pioneira dos estudos de umbanda no Brasil, “a maioria das pessoas que freqüentam a umbanda foi levada pelo sofrimento. No campo simbólico, você tem dois grupos subalternos, os índios e os escravizados, que são celebrados como personagens de alta importância”.
Enfim, “há uma mistura com catolicismo, kardecismo, uma variedade muito grande de práticas, e há, sobretudo, uma imagem de caridade. Mas há também os terreiros que trabalham com Exu e que fazem o que as pessoas querem, para o bem ou para o mal. São a ala menos aceita pelos umbandistas declarados, mas talvez seja a mais forte”, conclui a antropóloga.
Educação Étnico-racial
A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por meio do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM), em colaboração com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), vem operando ações referentes ao projeto Cultura Indígena e Afro-brasileira nas Escolas do Amazonas: Formação continuada de professores, sob o patrocínio da Petrobras e apoio do Ministério da Cultura, Fundação de Apoio à Universidade Federal de São João Del-Rei e o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileira, com propósito de divulgar e produzir conhecimentos, bem como provocar atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-racial, tornando-os capazes de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam a todos, respeito aos direitos legais e valorização da identidade, na busca da consolidação da democracia brasileira.
Para esse fim os organizadores do Projeto de Formação trabalham para iniciar o curso em junho, atendendo os 62 municípios do Estado através do Centro Multimídia da SEDUC, em atenção aos professores do ensino fundamental e médio, quando serão desenvolvidos os temas Brasil Indígena, Brasil Africano, Cultura Indígena e Afro-brasileira, totalizando 200 horas de aula, contando com a realização de oficinas pedagógicas a serem exercitadas junto aos formandos para serem multiplicadas nas escolas públicas do Amazonas, criando situação de combate à discriminação, preconceito e racismo fundamentado no reconhecimento, valorização e respeito à diversidade cultural.
A iniciativa é original e o Amazonas passa a ser o primeiro Estado da região norte a implementar a Lei 11.465 de 10 de março de 2008, que modificada a Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, estabelecendo as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. No entanto, por determinação conceitual e compreensão histórica nacional resolvemos renomear o projeto, da seguinte forma - História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira.
Nessa circunstância é significativa a atitude editorial do jornal Folha de S. Paulo, um dos maiores matutinos brasileiro, que na edição de domingo (30/3), em matéria de capa, analisa no caderno mais! (ver foto) - “100 anos de umbanda no Brasil”. A edição referenciada encerra 419.079 exemplares, dando conta de informes, artigos e entrevistas relativos à prática de umbanda no universo das religiões brasileiras.
Umbanda, segundo a antropóloga norte-americana Diana Brow, autora do livro Umbanda – politics of an Urban Religious Movement, “é uma religião que trata com espíritos, que são muitos e têm a capacidade de intervir na vida cotidiana das pessoas. E podem intervir para o bem ou para o mal. Os rituais celebram os espíritos, que se manifestam e conduzem os trabalhos de cura e de orientação para os problemas”.
Para a autora norte-americana, pioneira dos estudos de umbanda no Brasil, “a maioria das pessoas que freqüentam a umbanda foi levada pelo sofrimento. No campo simbólico, você tem dois grupos subalternos, os índios e os escravizados, que são celebrados como personagens de alta importância”.
Enfim, “há uma mistura com catolicismo, kardecismo, uma variedade muito grande de práticas, e há, sobretudo, uma imagem de caridade. Mas há também os terreiros que trabalham com Exu e que fazem o que as pessoas querem, para o bem ou para o mal. São a ala menos aceita pelos umbandistas declarados, mas talvez seja a mais forte”, conclui a antropóloga.
Educação Étnico-racial
A Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por meio do Núcleo de Cultura Política do Amazonas (NCPAM), em colaboração com a Secretaria Estadual de Educação (SEDUC), vem operando ações referentes ao projeto Cultura Indígena e Afro-brasileira nas Escolas do Amazonas: Formação continuada de professores, sob o patrocínio da Petrobras e apoio do Ministério da Cultura, Fundação de Apoio à Universidade Federal de São João Del-Rei e o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileira, com propósito de divulgar e produzir conhecimentos, bem como provocar atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-racial, tornando-os capazes de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam a todos, respeito aos direitos legais e valorização da identidade, na busca da consolidação da democracia brasileira.
Para esse fim os organizadores do Projeto de Formação trabalham para iniciar o curso em junho, atendendo os 62 municípios do Estado através do Centro Multimídia da SEDUC, em atenção aos professores do ensino fundamental e médio, quando serão desenvolvidos os temas Brasil Indígena, Brasil Africano, Cultura Indígena e Afro-brasileira, totalizando 200 horas de aula, contando com a realização de oficinas pedagógicas a serem exercitadas junto aos formandos para serem multiplicadas nas escolas públicas do Amazonas, criando situação de combate à discriminação, preconceito e racismo fundamentado no reconhecimento, valorização e respeito à diversidade cultural.
A iniciativa é original e o Amazonas passa a ser o primeiro Estado da região norte a implementar a Lei 11.465 de 10 de março de 2008, que modificada a Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, estabelecendo as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. No entanto, por determinação conceitual e compreensão histórica nacional resolvemos renomear o projeto, da seguinte forma - História e Cultura Indígena e Afro-Brasileira.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
A lei 11.645 e o papel da escola
*Marilene F.S. Oliveira
A Lei Nº. 11.645 tem gerado no âmbito educacional diferentes posicionamentos, embora convivamos diariamente com a presença de negros e indígenas na sociedade brasileira, muitas não entendem a importância desta lei para a legitimidade dos direitos do homem. Quando os posicionamentos são contrários à lei, há também uma expropriação dos direitos humanos no que tange o respeito, igualdade e liberdade.
O arcabouço da Lei Nº. 11.645, traz a inclusão da educação indígena no currículo escolar, incorporando costumes e saberes dos índios, além da inclusão da cultura afro-brasileira. Essa inclusão prevê a participação efetiva de negros e indígenas no processo escolar, uma participação calcada nas línguas, costumes, tradições e relatos orais são imprescindíveis.
Sabemos que historicamente temos uma dívida com os índios, e negros, essa dívida perpassa inclusive pelo auto-preconceito daqueles que negam sua própria origem, desfazendo do próximo, numa tentativa de conduzi-lo a um patamar inferior ao do não índio ou branco, e sobretudo, pela negação dos direitos desses povos.
Não há como negar a participação indígena na organização social brasileira, a primeira escola indígena no Brasil implantada por missionários religiosos, como o Padre Anchieta, no século XVI. E uma delas deu origem à cidade de São Paulo, isso significa dizer que temos uma das maiores metrópoles do Brasil vinculado diretamente à presença indígena, presença esta que muitos ignoram principalmente no que diz respeito à educação, e uma das formas de pagarmos a dívida do passado é garantir o direito de educação a esses povos.
Certamente, a educação indígena no Brasil, e principalmente na Amazônia, indica resultados positivos, principalmente a partir da LDB nº. 9.394/96, que ratificou os direitos previstos na Constituição de 88. A Lei 11.465 é mais um alerta aos direitos dos negros e índios à sociedade, mas, ainda há muito que se fazer.
Estabelecer um comportamento pautado no respeito à identidade cultural desses povos, é imprescindível, que seja dado o prestígio as línguas maternas, reforço a importante participação dos mais velhos em seus saberes, e hoje o papel da escola é garantir a manutenção dos direitos e tradições dos povos indígenas e dos negros, e posicionar-se como ponte para o mundo fora da aldeia, lutando contra a expropriação cultural, o etnocídio, o preconceito, o racismo e a discriminação.
*Pesquisadora do NCPAM e cursa 5º período de Pedagogia na UFAM.
AVISO: Os artigos publicados com assinaturas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e podem ser reproduzidos com a devida citação da fonte.
A Lei Nº. 11.645 tem gerado no âmbito educacional diferentes posicionamentos, embora convivamos diariamente com a presença de negros e indígenas na sociedade brasileira, muitas não entendem a importância desta lei para a legitimidade dos direitos do homem. Quando os posicionamentos são contrários à lei, há também uma expropriação dos direitos humanos no que tange o respeito, igualdade e liberdade.
O arcabouço da Lei Nº. 11.645, traz a inclusão da educação indígena no currículo escolar, incorporando costumes e saberes dos índios, além da inclusão da cultura afro-brasileira. Essa inclusão prevê a participação efetiva de negros e indígenas no processo escolar, uma participação calcada nas línguas, costumes, tradições e relatos orais são imprescindíveis.
Sabemos que historicamente temos uma dívida com os índios, e negros, essa dívida perpassa inclusive pelo auto-preconceito daqueles que negam sua própria origem, desfazendo do próximo, numa tentativa de conduzi-lo a um patamar inferior ao do não índio ou branco, e sobretudo, pela negação dos direitos desses povos.
Não há como negar a participação indígena na organização social brasileira, a primeira escola indígena no Brasil implantada por missionários religiosos, como o Padre Anchieta, no século XVI. E uma delas deu origem à cidade de São Paulo, isso significa dizer que temos uma das maiores metrópoles do Brasil vinculado diretamente à presença indígena, presença esta que muitos ignoram principalmente no que diz respeito à educação, e uma das formas de pagarmos a dívida do passado é garantir o direito de educação a esses povos.
Certamente, a educação indígena no Brasil, e principalmente na Amazônia, indica resultados positivos, principalmente a partir da LDB nº. 9.394/96, que ratificou os direitos previstos na Constituição de 88. A Lei 11.465 é mais um alerta aos direitos dos negros e índios à sociedade, mas, ainda há muito que se fazer.
Estabelecer um comportamento pautado no respeito à identidade cultural desses povos, é imprescindível, que seja dado o prestígio as línguas maternas, reforço a importante participação dos mais velhos em seus saberes, e hoje o papel da escola é garantir a manutenção dos direitos e tradições dos povos indígenas e dos negros, e posicionar-se como ponte para o mundo fora da aldeia, lutando contra a expropriação cultural, o etnocídio, o preconceito, o racismo e a discriminação.
*Pesquisadora do NCPAM e cursa 5º período de Pedagogia na UFAM.
AVISO: Os artigos publicados com assinaturas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e podem ser reproduzidos com a devida citação da fonte.
Por que estudar a cultura indígena e afro-brasileira?
* Khemerson de Melo Macedo
Os currículos escolares, tradicionalmente, sempre trabalham a História Geral e a História do Brasil, a partir de uma postura eurocêntrica, tendendo a olhar os povos indígenas e afros sempre com um esgar de olhos que deflagram um descaso com a riqueza e a complexidade dessas culturas. Historicamente, passamos a interpretar a História Oficial de nosso país a partir do ponto de vista da classe dominante, o que condenou à ignorância a contribuição cultural, social, política e econômica que os negros e os índios, em suas respectivas conjunturas, legaram ao Brasil.
Disse, em meu artigo Sociedade Anônima que:
“Os verdadeiros protagonistas da História não são aqueles que aparecem nos livros; são anônimos, estão nos recônditos dos mais diferentes espaços geográficos, esquecidos pelos historiadores e lembrados apenas pela memória de seus pares; são construtores, lutando cotidianamente contra as injustiças que teimam em persegui-los”.
Esse trecho evoca diretamente a história dos afro-descendentes e dos indígenas. Legados à condição de mão-de-obra barata e servil, presos em suas senzalas e aldeias, negros e índios sempre caminharam pelos recônditos da História, paralelo às transformações sociais, econômicas e políticas que aconteciam no Brasil litorâneo. Brasil esse forjado pelos grandes ciclos econômicos e transformações políticas diversas. O que esse Brasil não assume (porque no fundo ele sabe) é que o grande construtor da sociedade brasileira sempre foram seus inúmeros coadjuvantes, forjando uma nação a partir da resistência, dos sincretismos e da miscigenação.
Octávio Ianni dizia que a cada época histórica o Brasil debruça-se sobre a questão nacional. Essa preocupação resulta do fato de que nossos intérpretes sempre sentem a necessidade de problematizar a formação da sociedade brasileira, justamente para poder entender o presente e compreender nossa verdadeira identidade nacional. Na maioria das vezes, a empreitada torna-se difícil, pois estes se deparam com a questão da diversidade cultural no caminho. É como se a problemática acerca da identidade nacional fosse representada por um enorme “quebra-cabeças”, um mosaico no qual, na medida em que fossemos juntando as peças, novas lacunas surgiriam, impedindo uma percepção clara do problema, mas ao mesmo tempo dando uma dimensão múltipla do tema.
Neste sentido, surge uma questão importante: a formação do povo brasileiro está atrelada incondicionalmente à tensa relação entre a classe dominante e a classe subalterna. Legados à condição de força de trabalho escrava, negros e índios resistiam aos desmandos dos patrões, em certos momentos, a partir do enfrentamento, mas a estratégia adotada, mesmo que inconscientemente, era sempre silenciosa. A contribuição desses povos está nos costumes, comidas típicas, modos de vestir, sotaques, práticas culturais únicas, sincretismo religioso, peças preciosas do grande mosaico em que se tornou o Brasil.
Os “esquecidos da história”, como já lembrei acima, adotaram inconscientemente, a estratégia da memória, passando de geração em geração suas culturas, seu capital simbólico próprio, onde não precisam de registros impressos para se fazer entender. Não precisam da legitimidade da elite, bastam ser “lembrados pelos pares”. Isso já é suficiente para que se forje uma grande nação!
Estudar a “História da cultura afro-brasileira e indígena” requer revisar aquilo que já se falou sobre negros e índios, buscando considerar a contribuição destes na formação da sociedade brasileira. Tudo que for estranho aos nossos olhos, tem que ser investigado a fundo. No final, outra visão será construída.
O importante é que essa nova visão não se constitua como verdade absoluta, mas que se constitua como ferramenta para seguirmos em frente, em busca de novas respostas e desarmados de qualquer tipo de preconceito e estranhamento. Lembremos que o mosaico nunca se completa, o “quebra-cabeças” que não se soluciona justamente por compreender sua própria complexidade. Afinal de contas, não é assim que a ciência sempre agiu?
* Coordenador Geral de Projetos do NCPAM, finalista em Ciências Sociais pela UFAM.
AVISO: Os artigos publicados com assinaturas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e podem ser reproduzidos com a devida citação da fonte.
Os currículos escolares, tradicionalmente, sempre trabalham a História Geral e a História do Brasil, a partir de uma postura eurocêntrica, tendendo a olhar os povos indígenas e afros sempre com um esgar de olhos que deflagram um descaso com a riqueza e a complexidade dessas culturas. Historicamente, passamos a interpretar a História Oficial de nosso país a partir do ponto de vista da classe dominante, o que condenou à ignorância a contribuição cultural, social, política e econômica que os negros e os índios, em suas respectivas conjunturas, legaram ao Brasil.
Disse, em meu artigo Sociedade Anônima que:
“Os verdadeiros protagonistas da História não são aqueles que aparecem nos livros; são anônimos, estão nos recônditos dos mais diferentes espaços geográficos, esquecidos pelos historiadores e lembrados apenas pela memória de seus pares; são construtores, lutando cotidianamente contra as injustiças que teimam em persegui-los”.
Esse trecho evoca diretamente a história dos afro-descendentes e dos indígenas. Legados à condição de mão-de-obra barata e servil, presos em suas senzalas e aldeias, negros e índios sempre caminharam pelos recônditos da História, paralelo às transformações sociais, econômicas e políticas que aconteciam no Brasil litorâneo. Brasil esse forjado pelos grandes ciclos econômicos e transformações políticas diversas. O que esse Brasil não assume (porque no fundo ele sabe) é que o grande construtor da sociedade brasileira sempre foram seus inúmeros coadjuvantes, forjando uma nação a partir da resistência, dos sincretismos e da miscigenação.
Octávio Ianni dizia que a cada época histórica o Brasil debruça-se sobre a questão nacional. Essa preocupação resulta do fato de que nossos intérpretes sempre sentem a necessidade de problematizar a formação da sociedade brasileira, justamente para poder entender o presente e compreender nossa verdadeira identidade nacional. Na maioria das vezes, a empreitada torna-se difícil, pois estes se deparam com a questão da diversidade cultural no caminho. É como se a problemática acerca da identidade nacional fosse representada por um enorme “quebra-cabeças”, um mosaico no qual, na medida em que fossemos juntando as peças, novas lacunas surgiriam, impedindo uma percepção clara do problema, mas ao mesmo tempo dando uma dimensão múltipla do tema.
Neste sentido, surge uma questão importante: a formação do povo brasileiro está atrelada incondicionalmente à tensa relação entre a classe dominante e a classe subalterna. Legados à condição de força de trabalho escrava, negros e índios resistiam aos desmandos dos patrões, em certos momentos, a partir do enfrentamento, mas a estratégia adotada, mesmo que inconscientemente, era sempre silenciosa. A contribuição desses povos está nos costumes, comidas típicas, modos de vestir, sotaques, práticas culturais únicas, sincretismo religioso, peças preciosas do grande mosaico em que se tornou o Brasil.
Os “esquecidos da história”, como já lembrei acima, adotaram inconscientemente, a estratégia da memória, passando de geração em geração suas culturas, seu capital simbólico próprio, onde não precisam de registros impressos para se fazer entender. Não precisam da legitimidade da elite, bastam ser “lembrados pelos pares”. Isso já é suficiente para que se forje uma grande nação!
Estudar a “História da cultura afro-brasileira e indígena” requer revisar aquilo que já se falou sobre negros e índios, buscando considerar a contribuição destes na formação da sociedade brasileira. Tudo que for estranho aos nossos olhos, tem que ser investigado a fundo. No final, outra visão será construída.
O importante é que essa nova visão não se constitua como verdade absoluta, mas que se constitua como ferramenta para seguirmos em frente, em busca de novas respostas e desarmados de qualquer tipo de preconceito e estranhamento. Lembremos que o mosaico nunca se completa, o “quebra-cabeças” que não se soluciona justamente por compreender sua própria complexidade. Afinal de contas, não é assim que a ciência sempre agiu?
* Coordenador Geral de Projetos do NCPAM, finalista em Ciências Sociais pela UFAM.
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