segunda-feira, 5 de novembro de 2012


VOCÊ TEM FOME DE QUE?

Ademir Ramos (*)
A pancada vem dos Titãs mobilizando a galera para a grita geral contra a miséria, a desigualdade social, a corrupção, a exploração, acumulação e a falta de acesso às políticas públicas de qualidade que assegurem educação, saúde, moradia, segurança, cultura e os direitos fundamentais da pessoa.

Nessa circunstância a honestidade não basta é preciso ser responsável e cuidar com zelo da coisa pública para que os políticos sejam respeitados e a política acolhida no meio do povo não como antro do mensalão, mas como instrumento de organização, participação e cidadania capaz de agregar homens e mulheres; crianças, jovens e idosos para marcharem contra as injustiças sociais que imperam em nosso território de toda forma saqueado pela ganância e voracidade dos oportunistas que se apropriam do Estado para enriquecer ilicitamente, matando a sua fome com a miséria e a sede do povo.
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
Esta apropriação resulta de várias tratativas aparentemente legais, a começar pelo processo eleitoral capitaneado por partidos políticos criminosos que usam o mandato popular para negociatas em benefício de uma máfia palaciana instalada, não deixando nada a desejar aos mafiosos do submundo do crime tanto no Planalto como nas Ribeiras Amazônicas.

Cresce a cada dia o animo da Nação de ver esses salteadores do cofre público atrás das grades, destituídos de seus mandatos e bens, em cumprimento a pena merecida na masmorra, resgatando dessa feita o valor das instituições democráticas e o espírito republicano.

A saída que queremos é o combate à impunidade, a justiça nas urnas, monitorando os candidatos eleitos e exigindo que cumpram com o seu dever de representar dignamente os interesses populares fazendo valer os direitos básicos da cidadania.

Viver não basta, é preciso dar sentido a vida, participando do coletivo social como sujeito e não como um rato, sem perspectiva de um projeto comunal a impulsionar o prazer, a alegria e a felicidade pública agregando homens e mulheres no prazer d partilha do pão, da terra e da vida em sociedade.

(*) É professor, antropólogo, coordenador do Jaraqui e do NCPAM/UFAM.   

domingo, 4 de novembro de 2012


EM TEMPO DE FURACÃO AMAZONINO TIRA ONDA

Ademir Ramos (*)

Sem palanque, acusado de ambos os lados, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PDT), fora das eleições municipais, sofreu o impacto do furacão e resolveu tirar onda dos candidatos à prefeitura de Manaus fingindo-se de morto para nocautear o senador Eduardo Braga (PMDB) na arena eleitoral do Amazonas, visando às eleições de 2014 para o governo do Estado.

Amazonino, desde o início do processo de discussão das eleições de 2012, declarava publicamente que não era candidato à reeleição e que não tinha saúde para enfrentar as disputas eleitorais, todos duvidavam, mas ele reafirmava seu propósito dizendo que definitivamente não era candidato e ponto final. Enquanto negava a reeleição, Amazonino Mendes matutava o que fazer para surpreender Eduardo Braga e assim golpear de morte o projeto de poder do ex-governador Eduardo Braga.

Enquanto seus concorrentes monitoravam o movimento do Negão, como é conhecido nas quebradas de Manaus, Amazonino Mendes definia silenciosamente as estratégias para o embate eleitoral articulando os atores principais e coadjuvantes para o enfrentamento eleitoral de 2012.

Em outro bloco, na crista do furacão estava Eduardo Braga, de forma determinado, arrogante, destemido, confiante, com rei na barriga, no grito, chantageando ou não, fazia o que bem entendia para ganhar as eleições contra Amazonino Mendes. Possesso e transtornado atropelou o próprio governador Omar Aziz (PSD) e com punho de ferro escolheu Vanessa Grazziotin (PCdoB) para disputar as eleições de 2012 para a prefeitura de Manaus, principalmente quando soube que Artur Neto (PSDB) era o candidato do Negão.

Falta de conselho não foi. Seus aliados e sua própria família cansaram de alertar para os riscos que estava correndo, mas mesmo assim, de forma endiabrado partiu para ignorância quebrando os protocolos da política partidária acreditando no vale tudo e que os fins para ele justificava os meios.

A política e os seus agentes tornaram-se pessoas públicas e as suas vidas ganharam visibilidade e transparência exigindo desses protagonistas responsabilidades e zelo com a coisa pública em cumprimento a vontade soberana do povo. Na Democracia esta norma tornou-se pétrea exigindo dos protagonistas consciência do seu valor e obediência às regras instituídas.

Para garantir sua presença no jogo eleitoral, o ardiloso Amazonino Mendes, primeiro resolveu optar por um novo partido político que foi o PDT. A partir desse momento, fez de tudo para que as tratativas políticas não fossem mais reduzida a sua imagem, mas que tivessem o aval objetivo do partido. Assim foi feito, tanto que o apoio à candidatura de Artur Neto é explicitada pelo PDT e não mais pelo Amazonino, minimizando as criticas a candidatura de Artur/Hissa (PDT/PPS).

A vitória de Artur Neto para Prefeitura de Manaus, não foi só mérito do ator, resultou também de grande esforço intelectual para se montar uma estratégia que assegurasse o pleno desempenho da vanguarda atuante com respaldo de uma retaguarda apta atuar para assegurar o avanço, o equilíbrio e o próprio sucesso dos eleitos garantindo as ferramentas necessárias para o sucesso.

O furacão passou, mas o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, encharcado da política, continua tirando onda de seus adversários, tirando lições dos seus próprios tropeços e avanços. Agora muito mais ainda, com o coração saudável, batendo forte no peito começa a vislumbrar novos cenários na perspectiva de instrumentalizar a política não só como relação de poder, mas também como instrumento para efetivação do direito coletivo, combatendo a miséria e a desigualdade social.

(*) É professor, antropólogo, coordenador do projeto Jaraqui e do NCPAM/UFAM.           

sábado, 3 de novembro de 2012


LÁ VEM CHUVA, MANINHO

Ellza Souza (*)

Chuva na minha terra não é bolinho não. Minha mãe dizia: _Lá vem chuva. E botava a gente pra dentro de casa. O garoto Moacir, que gostava de desenhar, fazia no chão de terra um sol bem grande pra chuva não cair e secar as roupas do varal de sua casa na beira do rio Solimões. Algumas crianças cantavam: - “Vai chuva, vem sol, pra enxugar o meu lençol”. Essas expressões são antigas e revelam cuidados que valem até hoje. Brincar debaixo de uma chuva torrencial, um toró, para os intimos, era o que mais a criançada gostava no bairro onde nasci. Mas mamãe tinha razão pois na minha terra é bom não brincar com chuva.

Quando a chuva vem lá longe, subindo o rio, lá das bandas do mar, a coisa vai ficando preta e o céu transtornado parece que vai desabar. Aí não tem bom. As pessoas procuram abrigo dentro de casa, cobrem-se os espelhos e os santinhos são colocados em ponto de reza. Vem muita água, vem trovão, vem raios que cortam grandes árvores, vem impiedoso o vento rasgando o que vê pela frente: casas, telhados, mato, fios de alta tensão, postes, barcos no rio. Outubro terminou com uma chuva desse tipo e deixou o conjunto Tocantins sem luz, água, telefone, internet, televisão, ar condicionado, todas essas mordomias a que nos acostumamos, por quase 48 horas. Foi uma eternidade. 

O calor insuportável pedia o tal aparelho refrescador que não funcionava. Coberturas de zinco desabaram, lindas árvores não resistiram. Conforme contam, muita gente do terceiro andar se escondeu nos banheiros assombrados com a força da natureza e imploravam socorro ao Criador. A tormenta tropical serviu para lavarmos até a alma e pagarmos talvez alguns pecados do tipo: derrubar a mata indiscriminadamente enfraquecendo o que fica; aterrar praias e igarapés; jogar lixo no rio e na rua; trocar quintal por pátio. E tantos outros que cada um que faça o seu ato de contrição.

Só sei que passada a chuva a periquitalhada é que está feliz. O céu está límpido no fim dessa tarde de quinta feira, dia de todos os santos e os verdinhos em bandos passam em revoada. A preferência deles sei que são as palmeiras das madames que apesar da tentativa no ano passado de evitar o assédio e o barulho às elegantes árvores imperiais, com redes, eles foram mas voltaram esse ano com mais “companheiros” para a desforra.

Passada a chuva e o vento e já com luz e a água bombando nas torneiras, só um saboroso “filhós” ou bolinho de chuva com bastante açúcar e canela, para esquecer tantas e tantas horas de medo, irritação e calor, que ninguém é de ferro. “Vai chuva, vem sol para aquecer o girassol”. “Vai sol, vem chuva, para molhar a terra e até a saúva”.

(*) É escritora, jornalista e articulsta do NCPAM/UFAM.

A CIÊNCIA DE GOVERNAR E A NOMEAÇÃO DOS SECRETÁRIOS PARA PREFEITURA DE MANAUS

Ademir Ramos (*)

“O conhecimento, isto é, a competência instituída e institucional não é um risco, pois é arma para um fantástico projeto de dominação e de intimidação social e política”. Marilena Chauí

O enunciado é provocador. Faz pensar sobre o projeto de dominação engendrado por um determinado governante que instrumentaliza os aparelhos de Estado para intimidar as manifestações sociais desqualificando as forças da sociedade civil. Esse “fantástico projeto” é alimentado pela massificação das mídias sociais marcado por um discurso instituído com carimbo de competência, aparentando ser mais eficiente e eficaz na execução das ações governamentais.

A Cultura da Democracia (1989), segundo Chauí, fundamenta-se no processo de burocratização de todas as esferas da vida social oferecendo dificuldade e vendendo facilidade para assim garantir o controle das estruturas de poder sob o mando do discurso da organização, do desenvolvimento e da sustentabilidade como cacoete do presente.

A ciência de governar exige dos eleitos não só densidade política eleitoral, mas, sobretudo, preparo técnico científico e capacidade de conhecer, saber e discernir os fatos relativos aos ofícios da ciência do planejamento. Além desses predicativos agregados é sumamente importante que o eleito saiba escolher os novos Secretários Municipais valendo-se não só da intuição, mas certamente de valores e princípios que norteiam a conduta dos Agentes Públicos como atores qualificados, aptos para operar a máquina administrativa do Estado com responsabilidade, inovação, tecnologia e cognição (RITC), em Regime de Colaboração com as entidades e organizações sociais. 

A RITC está acima dos interesses particulares, de grupos familiares, empresariais ou partidários, funda-se nos valores republicanos a exigir dos agentes públicos a ética da responsabilidade. A confiança reclamada nessas relações de poder orienta-se não pela subserviência instituída da hierarquia de mando a reduz o sujeito em capacho da vontade do mandatário ou do superior imediato.

Portanto, para efeito da engenharia de governo em cumprimento aos fluxos das demandas sociais da cidade e da sociedade, no que tange à qualidade das políticas públicas, bem como aos demais serviços prestados aos cidadãos, é justo e necessário que os Secretários e demais Agentes a serem nomeados pelo novo Prefeito de Manaus sejam orientados não por relações afetivas ou familiares, mas, por critérios objetivos que denunciem responsabilidade, inovação, como capacidade criativa de investir nas práticas sociais visando a obter resultados operantes para o melhoramento da vida em sociedade; também requer desses Servidores Públicos não só a força e o prestígio, mas o domínio de tecnologia, habilidade no manejo das ferramentas para efetivação das políticas publicas normativas e sociais em atenção às prioridades definidas pelo mandatário.

Como afirmamos no início desta exposição despretensiosa tanto o ato de governar como também a participação do cidadão nesse processo provoca não só o repensar das práticas políticas instituídas, mas a inovação de se promover a transversalidade dos campos afins na perspectiva de se inaugurar um novo processo de cognição na política de governo da Prefeitura de Manaus sob a direção política, moral e ética de Artur/Hissa (PSDB-PPS) legitimados pelo presente e quem sabe credenciados para um futuro próspero a merecer do povo de Manaus e do Amazonas respeito e reconhecimento público pelo trabalho prestado a frente da Prefeitura de Manaus.

(*) É professor, antropólogo, coordenador do Projeto Jaraqui e do NCPAM/UFAM.               

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

PROJETO JARAQUI DISCUTE O GOVERNO DE ARTUR NETO

No sábado, às 10h, na república Livre do Pina, na praça da polícia, no centro histórico de Manaus, o projeto Jaraqui estará discutindo e analisando a composição do governo Artur Neto, assim também como a eleição da Câmara Municipal de Manaus e a tentativa de alguns vereadores negociarem seus mandatos por secretarias em afronta a vontade das urnas.

Ademir Ramos (*)

Passada as eleições, o Projeto Jaraqui começa a discutir a composição do governo de Artur Neto e Hissa Abraão (PSDB/PPS) eleitos para Prefeitura de Manaus. Em pauta, o processo de governabilidade frente aos apoios recebidos principalmente no segundo turno, visto que na jogatina política instituída “não se tem almoço de graça” e muito menos devotos e piegas.

Assim como o povo de Manaus deposita em Artur Neto uma grande expectativa quanto às ações de governo para salvaguardar a cidade e os interesses coletivos, os arrivistas e aventureiros também têm recorrido a todos os meios para tirar proveito da situação, drenando recurso público em favor de interesses familiares ou de grupos privados.

O Jaraqui, como expressão do movimento social, quer dar transparência a esse processo de composição, primando pela legalidade e, sobretudo, reclamando por respeito a critérios objetivos que justifique a escolha dos Agentes a frente das Secretarias, bem como para o exercício dos cargos de confiança a ser nomeados em tempo.

No momento, alguns meios de comunicação começam a plantar nomes para assumir determinadas Secretárias, buscando influenciar diretamente na escolha dos auxiliares do governo de Artur. Da parte do prefeito eleito tem se escutado que somente irá tratar dessa matéria a partir de dezembro, quando deverá anunciar os nomes que irão compor a equipe diretiva da Prefeitura de Manaus.

Esses encaminhamentos estão bastante truncados. Ouve-se falar em auditória na Prefeitura de Manaus, em Reforma Administrativa, enxugamento da máquina, em competência, experiência e confiança, mas, segundo o próprio Artur, citando Tancredo Neves, não se deve nomear alguém que não se pode demitir imediatamente.

O fato sabido é que o novo prefeito está designando uma comissão de transição composta por cinco profissionais sob a coordenação do professor e pesquisador Rodemarck Castelo Branco, profissional qualificado e de inteira confiança de Artur Neto, para fazer o diagnostico da gestão do prefeito Amazonino, conferindo os termos de convênios, contratos, empenhos, valor orçamentário real e estimado, número de servidores efetivos ou não, tendo por referência o pleno funcionamento das Secretárias e demais frentes de trabalho da Prefeitura de Manaus.

Feito esse levantamento preliminar, a comissão deverá destacar os entraves e apontar perspectiva para superação dos problemas a curto, médio e longo prazo. A decisão política é de inteira responsabilidade do Prefeito eleito, definindo o quadro técnico dos Agentes e os meios necessários para operar as ações que julgam prioridades sejam para os 100 primeiros dias ou para os 04 anos de governo que encerram o governo de Artur e Hissa.

O desafio é grande porque as práticas dos gestores públicos no Brasil tem sido similar a de um corpo de bombeiro, apagando fogo aqui, tapando buraco ali, realizando eventos desconectados de uma cultura de planejamento. Alguns governantes fazem até questão de manter esta ordem porque é desse modo que eles “faturam” afrontando os interesses populares e os valores republicanos.

O vício é contagiante, reclamando do manauara atitude participante, a começar pelas exigências a serem feitas aos vereadores eleitos para cumprirem com o seu dever constitucional em respeito à vontade das urnas. O mandato não é objeto de negociação, não devendo ser leiloado por secretarias ou qualquer função no executivo. Se isso acontecer de imediato deve-se denunciar esse desvio como afronta a vontade da maioria dando publicidade a esse comportamento oportunista merecendo do povo repúdio e indignação.

Espera-se, dessa feita, uma Câmara Municipal participativa e propositiva em defesa dos interesses populares e dos valores republicanos, a começar pelas articulações internas e externas para eleição de uma Mesa Diretora protagonista de um projeto político unitário capaz de agregar força assentado na autonomia e capacidade técnico-jurídica dos projetos parlamentares seja da situação ou da oposição, em cumprimento ao instituto da representatividade popular. Ao contrário, o vereador além de lesar os manauaras comete crime de estelionato, devendo o eleito ser condenado ao balatal para o cumprimento de sua pena.

(*) É professor, antropólogo, coordenador do Jaraqui e do NCPAM/UFAM.        

segunda-feira, 29 de outubro de 2012


PAIXÃO POR MANAUS

Ellza Souza (*)

Para fazer qualquer coisa bem feita é preciso paixão. “Estou apaixonado pela idéia de governar Manaus”. Essa declaração de amor consta do primeiro pronunciamento de Arthur Virgilio Neto, no TRE, logo após a constatação de que havia vencido a eleição para prefeito da cidade. “Tenho noção do tamanho diminuto que tenho” se referindo à extensão dos problemas que receberá em janeiro de 2013.
Sem mais delongas já deu um nome para o comando da equipe de transição, Rodemark Castelo Branco, que será formada por mais 4 pessoas indicadas até o próximo dia 10. Como primeiro ato hoje mesmo vai enviar um ofício ao prefeito Amazonino Mendes, comunicando esse nome para os assuntos relacionados a transição até dezembro de 2012.

O candidato eleito aparentava cansaço e alegria ao mesmo tempo. Cercado pelo filho Bisneto, pela esposa, pelos ex-candidatos que o apoiaram, deu as primeiras pinceladas do quadro que o norteará pelos próximos quatro anos. Quer consenso na Câmara para construir uma governabilidade saudável com projetos necessários à cidade.  Conforme o prometido haverá um plano de gestão  para os primeiros cem dias. “Todos os contratos vigentes serão auditados” e haverá, segundo suas palavras “um enxugamento da máquina  para despesas de custeio”. O prefeito eleito quer economizar para investir mais e melhor e vai fazer uma “priorização dos problemas”. A idéia é “não deixar nada pela metade”.

O prefeito eleito disse que vai exigir disciplina rígida dos secretários que “devem servir ao povo”. Tolerância zero a atrasos e maus serviços. Para isso o critério de escolha será técnico e pelos méritos. Pretende construir uma “prefeitura independente”. Tranquilamente falou do governador Omar e da presidente Dilma com os quais pretende conversar. Aliás as notícias dão conta de que o governador já ligou para Arthur acolhendo-o na esfera política do Estado. “O povo de Manaus não cede seu destino para ninguém”, palavras de quem sabe bem a responsabilidade que o espera pois as cobranças serão pesadas, principalmente quem não quer perder privilégios e “boquinhas”, coisas que  Arthur Neto pretende combater.

“Não me interessa quem perdeu a eleição”. Para o prefeito eleito o que interessa é a população de Manaus para quem dedica as suas homenagens: “Parabéns ao povo que ganhou a eleição”. “Deus escreve certo por linhas tortas. Ele não me queria no Senado. Ele queria que eu governasse Manaus”. Portanto “quero fazer um governo exemplar” conforme a Sua vontade.

Foram muitas as promessas de campanha pelo fato de que tem muito a consertar e muito a ser feito. Por isso a necessidade de priorizar e ir fazendo. Dentre as promessas teve uma que me agradou profundamente. “Quem plantar uma árvore em sua casa terá desconto no IPTU”. Não pelo desconto mas sim pela valorização do nosso meio ambiente urbano cujas árvores estão cada vez mais raras. Sem as árvores e sem os igarapés vamos roer cimento à procura de sombra e água fresca.

Seja bem vindo Arthur Virgilio Neto e “remedando” o juiz Joaquim Barbosa num de seus pronunciamentos (“Paz no tribunal”) desejo PAZ em sua gestão, muita saúde e PAIXÃO sempre.

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM/UFAM.

sábado, 27 de outubro de 2012


MEU FUTURO, MINHA VIDA

Ellza Souza (*)

Não tem como ficar neutro numa eleição como a de 2012 para prefeito em Manaus. No começo da campanha até olhava a candidata com bons olhos. Com o tempo percebi que aquele olhar não se dirigia a mim, cidadã. Com os debates na televisão comecei a prestar atenção não só naquele olhar feminino e plácido mas em toda a sua face, em sua expressividade, em suas palavras, nos detalhes de olhos e bocas. Não gostei do retrato resultante das minhas observações.

No último debate fiquei de olhos vidrados  nos candidatos. O candidato vestia-se com uma camisa branca impecável que, segundo ele, simbolizava a paz. A candidata com uma também impecável blusa verde, não disse, mas pela sua face e suas palavras belicosas, presumo que estava vestida para brigar até o último momento e a cor poderia representar a esperança. Estavam bem vestidos e tensos e o tempo não possibilitava maiores informações sobre as propostas que eventualmente, entre as farpas, poderiam apresentar. Mas, sem sombra de dúvida, deu para perceber a idiossincrasia de cada um.

Em todos os debates que assisti a candidata perdeu. Pela sua insistência em se referir a pessoas fora do contexto naquele momento. Pela sua insistência em querer puxar briga e se referir ao adversário como se ele fosse o responsável pela bagunça na cidade. A candidata, que eu saiba, está com todos os poderes ao seu lado. Federal, na pessoa da própria “presidenta” que veio dar aquela força pessoalmente. Estadual, na pessoa do nosso governador que prometeu parcerias e agrados a candidata. Municipal que, se não aparece agora o apoio mas em outras circunstânscias já houve essa cumplicidade. Até ex-sindicalista (votos dos trabalhadores e pobres) ou ex-presidente  (votos dos ricos) deu uma mãozinha . Não sei por qual motivo o marqueteiro não percebeu que não era esse o caminho. O engraçado é que as falas dos candidatos desse “time” (assim a candidata se referiu ao seu poderoso grupo de apoio) se pareciam, tanto aqui quanto na capital paulista. Gabando-se disse: “Eu represento aquele grupo que tem ajudado o país” e citou alguns projetos federais como Minha casa Minha vida como “leis do nosso time”. Eu que não aprecio futebol não gostei desse negócio de time.

Em algumas ocasiões a candidata fazia propaganda e esquecia das propostas. “Vote 65”. Mas os políticos agora são assim. No afã de ganhar esquecem de planejar. E prometem de um tudo. Todos os problemas de Manaus serão resolvidos, segundo as promessas dos candidatos. Qualquer um sabe que é impossível sanar todos pois o abandono de nossa ex-cidade promovida hoje a metrópole é latente e gigantesco. Numa oportunidade a candidata salientou sua visão de futuro: “Quero transformar Manaus e sei que não vou conseguir em um só mandato”. Numa tentativa de amenizar as farpas, o candidato pergunta o que a enternece na educação. “Tudo me enternece”, globaliza a candidata após prometer as bem-faladas creches que esperamos sejam criadas por qualquer um dos eleitos. E confusa disse “não estou entendendo o que ele vai fazer quando chegar na Prefeitura” (ops...). “Ora diz uma coisa ora diz outra”. O candidato diz que vai fazer uma “reforma administrativa”, realocando pessoas e promovendo concursos. Enxugar a máquina deveria ser a proposta dos dois mas me pareceu que a candidata vê a lei de responsabilidade fiscal como algo que impede o crescimento econômico. E pregou uma outra vertente de “responsabilidade social” (mais votos) com plano de cargos e salários para a máquina inchada. A responsabilidade tem que ser fiscal e social. Os gastos e desvios excessivos das verbas públicas podem levar qualquer país à bancarrota.

Saindo desse espinhoso assunto pois como economizar com tantas promessas? Passou-se ao tema “água” ou a falta dela na cidade e de esgoto (que não temos mas pagamos assim mesmo). O candidato diz que “ou a empresa se adequa ou sai de Manaus” e repetindo uma obra que marcou sua gestão anterior vai “retomar o trabalho de saneamento básico”. Engraçado é que mesmo sendo uma obra importante, as críticas davam conta de que ele estava “enterrando votos”.

O candidato pergunta sobre  a violência aos idosos. A candidata prontamente diz: “Vou cuidar dos idosos”, das crianças, dos jovens. “Vou cuidar das pessoas como nenhum prefeito nunca cuidou”. Para isso fará todo tipo de centros de convivência e espaços de lazer. “Idoso não fica mais em filas no atendimento médico”. Acho que o problema não é o tempo na fila mas a agilidade, eficiencia do atendimento e profissionais capacitados e bem remunerados. O candidato pergunta sobre os indios urbanos. E a resposta “com o apoio do governo federal vou qualificá-los para que produzam seus artesanatos”. “Vou tratá-los com dignidade como nenhum desses prefeitos os tratou”. “Eu peço o seu voto no próximo domingo”. A candidata tentou um venenozinho contra os membros da Assembléia de Deus: “Ele desrespeitou os líderes da Assembléia de Deus chamando-os de caciques”, o que considero, se verdadeiro, um elogio. No Amazonas quem não é cacique é indio e disso devemos nos orgulhar.

Me chamou a atenção o projeto do candidato para o centro da cidade: “Vou virar a cidade de frente para o rio”; “revitalizar a praça da Matriz”. E continuou falando o que todo manauara quer ouvir quanto ao nosso berço histórico: um centro prazeiroso de andar, iluminação adequada, lojas abertas à noite. Eu sugiro ainda uma bela de uma padaria por ali. Acho que acabar com mordomias, boquinhas, enxugar a máquina administrativa como prometeu o candidato, é bom para todos. “Vamos colocar a Santa Casa de Misericórdia para funcionar” aproveitando um bom projeto de um antigo adversário seu e que ora lhe apoia. As boas idéias se aproveitam. Os bons projetos têm continuidade. Esqueceram de falar, talvez por falta de tempo, do Mercado Adolpho Lisboa, da Biblioteca Pública, do Museu do Porto e outros mas espero estar na vontade dos dois no momento que pensarem na revitalização do centro da cidade.

E entre farpas e apertos de mão o debate chegou ao fim. Às vezes precisamos agir com severidade principalmente quando se trata da coisa pública. O importante é não perder o viés democrático da escolha bem pensada e baseada na leitura, no debate e no bom senso. Essa preciosa liberdade de votar num ou noutra é vital para o nosso crescimento econômico e social. E disso não podemos abrir mão. Precisamos sim abrir bem os olhos para quem quer que venha a governar a cidade de Manaus, inculta, bela e precisando urgente de um bom prefeito ou prefeita.

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM/UFAM.