terça-feira, 20 de setembro de 2011

SAÚDE NO BRASIL NÃO FUNCIONA NEM NA PÚBLICA NEM NA PRIVADA

Ellza Souza (*)

Segundo o senador do PMDB Jarbas Vasconcelos são desviados entre 40 e 60 bilhões de reais por ano, dinheiro que daria para resolver muita coisa no Brasil, principalmente na área de saúde. As reclamações vêm de todos os lados, tanto no serviço público quanto em relação aos planos privados que cobram altas mensalidades mas não oferecem serviços de qualidade. Para o senador Vasconcelos o problema da saúde é “má gestão” e “desvio”.

Na mesma sessão em discurso no plenário o senador Cristovam Buarque se referia à corrupção no país quando disse que “todos são coniventes” e pediu que “não menosprezem a movimentação vinda pelas redes sociais”. O senador Buarque fazia menção a manifestação feita por um artista na praia de Copacabana no Rio de Janeiro onde fincou vassouras verdes na mesma quantidade de senadores e deputados federais, ou seja 594, na sua visão corruptos, colocando a todos no mesmo saco (ou na mesma praia) sem deixar nenhum de fora. As pessoas “perderam a confiança”, reclama Buarque.
Para se ter uma idéia morrem de infecção hospitalar 100 mil pessoas por ano no Brasil. Isso é o cúmulo pois representa falta de gestão, falta de humanidade, falta de educação. Os hospitais estão sujos, os jalecos brancos dos profissionais desfilam pra lá e pra cá levando as bactérias para perto dos doentes. As mãos nem sempre lavadas que num momento de educação doméstica apreendido lá na infância faria toda a diferença nesse aspecto.

O atendimento nesses locais procurado por pessoas que, no público ou no privado, estão precisando de ajuda e de atenção. Mas as pessoas selecionadas para esses serviços são quase sempre grosseiras, inventam dificuldades para colher facilidades, e nunca dão informações corretas encaminhando o paciente ao procedimento adequado o mais rápido possível. Quando vou a um serviço público de saúde, procuro com sofreguidão ver algo para elogiar e não acho. As pessoas mal encaradas, lerdas, vestes até brancas, mulheres mais novas de saltos altos e cabelos na chapa e as mais velhas desfilando um mau humor inadequado ao ambiente hospitalar ou de pronto atendimento. Os prontos socorros servem pra tudo menos para atender prontamente o público. Quem vai lá geralmente está nas últimas mas os atendentes têm outras prioridades e nem te olham com o olhar compadecido da sensibilidade. O que mais se vê num lugar como esse são pessoas reclamando (quando ainda têm forças) em relação ao atendimento de médicos e assistentes. Aliás parece que não se formam mais enfermeiras, aquelas competentes que davam a vida pela vida do outro. Agora os cursos profissionalizantes faturam uma nota “formando” assistentes de enfermagem (acho que é assim) que fazem tudo menos pôr em prática os ensinamentos de um bom profissional da área de saúde.

E o resultado rola como uma bola de neve. Nesse quesito a população vive à míngua. É latente o aumento de mortes nos hospitais, o mau humor dos atendentes nos centros de saúde e pronto socorro que vivem com receio de pegar umas “bolachadas” pelo seu sofrível desempenho e tratam todos como se o público fosse um inimigo prestes a lhe dar o bote por tanta grosseria. Também o sistema único de saúde não tem nada de único e não funciona para organizar a marcação de consultas e de exames, o básico esperado pelo público. Noto que os funcionários gostam mesmo é de uma ficha, daquelas velhinhas do meu tempo que usam a informática para atividades paralelas e a internet sabe-se lá pra que. Parece que não existe um administrador preparado para a função e deixa tudo correr solto. Assim fica de bonzinho e ninguém pega no seu pé. Como o povo reclama mas não cobra das autoridades está tudo bem. O que importa no final das contas é o voto daquelas pessoas nos mesmos governantes para que tudo continue como dantes nessa terra sem comandante.

PRECISAMOS COBRAR AS AUTORIDADES PARA A PUNIÇÃO DE QUEM ROUBA MAS FAZ. CORRUPÇÃO SIGNIFICA MORTE NOS HOSPITAIS, VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS, MAIS DROGAS PARA OS JOVENS, ESTRADAS ESBURACADAS, DEPREDAÇÃO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E NATURAL, ENRIQUECIMENTO DOS POLÍTICOS, MISÉRIA DO POVO (será que os políticos sabem onde fica o Vale do Jequitinhonha?). Tem mais, muito mais...

(*) É escritora, jornalista e articulista do NCPAM/UFAM.

STJ ACODE O CLÃ SARNEY

Quatro anos de trabalho policial acabam de ir para o ralo com a decisão da 6.ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de invalidar as provas colhidas pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre os negócios do clã do presidente do Senado, José Sarney.

Com base em interceptações telefônicas e no acesso a movimentações financeiras da família, autorizados pela Justiça do Maranhão, a PF abriu cinco inquéritos que resultaram no indiciamento do filho do oligarca, Fernando Sarney, por desvio e lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha. O ponto de partida da inicialmente denominada Operação Boi Barrica e, depois, Faktor, foi a descoberta de um saque de R$ 2 milhões em dinheiro da conta do casal Fernando e Teresa Sarney, às vésperas da eleição de 2006, quando a irmã do empresário, Roseana Sarney concorria (pela terceira vez) ao governo maranhense.

As conversas captadas pelos federais registraram, além de fortes indícios de transações escusas, a desenvoltura com que os Sarneys exerciam a política de patronagem no governo Lula, reproduzindo na esfera federal, com a maior naturalidade, os padrões de controle oligárquico sobre o seu Estado de origem reduzido a capitania hereditária. Em 2009, a pedido de Fernando Sarney, o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal - e amigo do patriarca Sarney -, proibiu este jornal de continuar divulgando as evidências levantadas pela PF. A aberração da censura prévia imposta ao Estado completa hoje 781 dias. Enquanto essa ilicitude se perpetua, o STJ resolveu considerar que a decisão judicial que permitiu conhecer de perto as traficâncias sarneysistas, mediante quebras de sigilo bancário, fiscal e de dados telefônicos, carecia de fundamentação.

Formalmente, isso não significa o fim da investigação, muito menos equivale a um atestado de inocência dos investigados. Mas a volta à estaca zero, no caso, "abre a porta para a impunidade", como diz o presidente do Sindicato dos Delegados Federais em São Paulo, Amaury Portugal. "A PF respeita as decisões judiciais, mas o trancamento da Boi Barrica é temerário", alerta. O órgão policial sente-se diretamente atingido no cumprimento das suas atribuições, na medida em que a anulação das provas possa sugerir que a PF "forçou a barra" junto ao Judiciário maranhense para obter a prorrogação das interceptações por 18 vezes. "A PF não inventa, ela investiga nos termos da lei e sob severa fiscalização", retruca o diretor de Assuntos Parlamentares da Associação Nacional dos Delegados da PF, Marcos Leôncio Sousa Ribeiro. Ele se refere ao controle do Ministério Público Federal, "fiscal da lei", e do Judiciário, "garantidor de direitos".

Pode-se concordar ou discordar da sua opinião sobre a falta de "interesse em deixar investigar" quando os investigados não são pessoas comuns - como, numa tirada reveladora do quanto mudou o combatente social de outrora, o presidente Lula se referiu ao bom amigo José Sarney. Pode-se também concordar ou discordar da tese de que o Judiciário está "a serviço das elites", o que seria, segundo o delegado, o pano de fundo do ato do STJ. Mas é difícil refutar a sua narrativa do episódio, a partir da referência aos controles que incidem sobre a atuação da PF: "Aí uma Corte superior anula todo um processo público com base em quê? Com base no 'ah, não concordo, a fundamentação do meu colega que decidiu em primeiro grau não é suficiente'. Nessa hora não importa que os fatos sejam públicos e notórios e que nem sequer há necessidade de se ficar buscando uma prova maior".

Não é a primeira vez que o STJ invalida ações da Polícia Federal. Os precedentes mais notórios foram a Operação Satiagraha, que focalizou o banqueiro Daniel Dantas, e a Castelo de Areia, envolvendo diretores da empreiteira Camargo Corrêa. Num caso, o motivo foi a participação, julgada ilegal, de membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas investigações. No outro, o tribunal entendeu que denúncias anônimas não justificam autorizações para escutas telefônicas. São objeções respeitáveis. Agora, está-se diante de uma interpretação equivocada - ou pior.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,stj-acode-o-cla-sarney-,774909,0.htm

domingo, 18 de setembro de 2011

SITUAÇÃO NO TRÂNSITO E QUESTÕES A SEREM FEITAS AO DAMATTA

Ellza Souza (*)

Ao volante do meu automóvel, um fusca 1978, lá vou eu pela esquerda da avenida. Buzina daqui, buzina dali. O ônibus dá um “chega pra lá”. O carrão agoniado tenta tirar o meu automóvel do meio, no tranco. É engraçado. Ninguém quer rodar pelo lado direito da rua. Tá certo. São os buracos no meio-fio. Carros que param abruptamente. Outros que estacionam e deixam a avenida mais estreita. Os problemas do lado direito são inúmeros.

Eu não vejo porque o fusca tem que ir pela direita e o carrão do bacana pode ir pela esquerda. Ah o fusca é devagar. Essa não cola. Na cidade a velocidade é controlada e você não pode sair por aí exibindo seus dotes barichelanos. Prego? Meu automóvel nunca deu vexame na rua. Já vi muito carro bacana parado devido a problemas na caixa de marcha. Minto, o fusca já deu prego de gasolina mas não chegou a atrapalhar muito o trânsito caótico.

Acho que o problema é mesmo a falta de educação do motorista. Fusca, mulher na idade da meia e de óculos. Um conjunto que pode dar muito certo. Mas os machões, os grosseirões, os malucos não perdoam. Esses devem repensar seus conceitos, fazer um tricô para exercer o dom da paciência, estudar boas maneiras e respeitar, no trânsito, os “mais velhos”. Ou aposentem seus carrões e deixem os fuscões livres para andar pela esquerda, pelo meio, por onde quiserem. Tenho certeza que a violência nas ruas vai diminuir. E o fusquinha paz e amor segue seu destino.

Contribuição para o Debate: Ao professor Roberto DaMatta formulo as seguintes questões na tentativa de compreender o Brasil e, em particular, o nosso Amazonas:

1. A que o senhor atribui tanta corrupção em todos os níveis da sociedade brasileira?

2, Todos os visitantes de Manaus vão ao Encontro das Águas e se encantam. O senhor mesmo foi lá e ninguém falou dos riscos que a paisagem corre com a possibilidade de construção de um porto no local. Ali é um sítio arqueológico ainda pouco estudado além da beleza original que tanto deleita os nossos olhos. Pelo que o senhor conhece da alma e do âmago do ser humano, será que tem salvação o nosso cartão postal? Ou quando envolve muito dinheiro a causa é perdida para a sociedade e para a natureza?

(*) É escritora, jornalista e articulistado NCPAM/UFAM.

EM MANAUS, DAMATTA FALA DE CULTURA POLÍTICA E O JEITO DE SER BRASILEIRO

Sábado (17) pela manhã, o escritor e editor Tenório Telles, convocou a equipe do NCPAM para um encontro na Livraria Valer com o renomado antropólogo, professor Roberto DaMatta, que está em Manaus para participar da abertura da Semana Nacional do Trânsito. A presença do professor reuniu pesquisadores, professores, jornalistas, poetas, entre outros especialistas, formando um grupo para se discutir cultura política referenciada na subjetividade dos atores em cena, como também focado na objetividade regida pela lógica do capital.

O papo com DaMatta, coordenado pelo Tenório, rendeu mais de duas horas, quando o professor foi questionado sobre política internacional; política nacional; a questão da Lei da ficha limpa; a ética na política; poder das oligarquias e os partidos; a corrupção e o poder hierárquico republicana; a república e o ranço da oligarquia; a questão ambiental e a nova ordem econômica mundial; a democracia, estado e sociedade; o jeito de ser brasileiro; a questão amazônica; a classe média, as elites e a relação com o Estado seguida do parentesco e a cumplicidade.

Assim as idéias fluíam com velocidade chamando os participantes a se posicionarem sobre determinados temas ou questionando DaMatta sobre algumas afirmativas que demandavam análise mais densa.

“A elite é um grande clube no Brasil”, afirma DaMatta, mostrando o quanto de cumplicidade há entre política e mercado, entre a casa e a rua, o cenário é o mesmo, violando os limites do Estado em favor de amigos, parentes, mulheres e alcova. Eis o corporativismo, o compadrio, os amigos circulantes nesta relação que pretende ser republicana enquanto o povo é uma família extensiva com comportamento aristocrático.

Na extensa obra de Roberto DaMatta, tanto aqui como no exterior, destaca-se o seu último livro, assim titulado: FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA: Ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil, da editora Rocco.

“Na expressão Fé em Deus e pé na tábua estabelecemos um elo entre a tradicional fé em Deus, esse deus que é invocado a todo o momento, fazendo parte de nossa vida diária como protetor, e a metáfora da ligeireza do movimento e da precipitação do pé na tabua, que nos conduz ao veículo motorizado e ao ambiente igualitário que molda e serve de cenário. Supomos que a pressa e a velocidade legitimam o risco e são partes integrais da lógica e da estrutura deste ambiente, o que naturalmente o inclina a infortúnios e acidentes. Essa expressão é um axioma e uma garantia. Ela diz que podemos enfiar o pé porque nossa fé em Deus nos protege do perigo. A nossa fé em Deus justifica os riscos de se dirigir com o pé na tábua. É justamente este disparate (confiança num deus que nos protege e nas vidas que podemos viver e a propensão ao risco, à intolerância e a impaciência que objetivamos compreender” , define DaMatta.

O autor de Carnavais, Malandros e Heróis (1979), um dos clássicos da Antropologia Brasileira, tem familiares em Manaus por isso tem estreita relação com esse território, permitindo com que se questionasse a temática “Amazônia e a Nova Ordem Mundial” pautando como exemplo a pretensão da Log-In Logística Intermodal coligada da Vale em construir um Porto no Encontro das Águas dos Rio Negro com Solimões, onde começa o Amazonas em terra brasileira.

DaMatta afirma que “o Encontro das Águas é o que tem de original e único no Amazonas, devendo ser preservado da sanha dos predadores. Eu estive lá e ninguém me falou nada”. É por isso que o Movimento S.O.S. Encontro das Águas tem mobilizado força nacional e internacional para garantir a homologação desse patrimônio.

Com a mesma determinação, o deputado federal Francisco Praciano, do PT do Amazonas, agendou audiência com a Ministra da Cultura Ana de Hollanda, para o dia 22 próximo, às 10h, em Brasília, quando deve-se conferir a homologação do tombamento desse bem que muito significa para o povo do Amazonas e para o planeta.

A agenda do Professor Roberto DaMatta contempla ainda, no dia 19 (segunda-feira) as 15h entrevista na TVUFAM para o Programa Na Terra de Ajuricaba e a noite às 19h a grande conferência sobre a “Década Mundial de ações para a segurança do trânsito - 2011/2012: Juntos podemos salvar milhões de vida”, no auditório da Prefeitura de Manaus, localizada na Avenida Brasil, bairro da Compensa, na capital do Estado do Amazonas.

OS FATOS NEGAM O PROJETO DE CONSTRUÇÃO DO PORTO NAS LAJES

Encontra-se ancorado no Porto Chibatão, localizado no Bairro Colônia Oliveira Machado, nas proximidades da aeroporto militar de Manaus, o navio gigante da Log-In Logística Intermodal, coligada da Vale, que é a principal interessada na construção do Porto nas Lajes, no frontal do Encontro das Águas, na Zona Leste de Manaus. O Porto onde está ancorado o navio Log-In Jacarandá, que tem 2.800 Teus (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés) de capacidade ou 38 mil toneladas de porte bruto, 218,45m de comprimento total, 29,80m de boca (largura) e 11,60m de calado máximo, está situado bem acima do Encontro das Águas, nas proximidades do Porto da Ceasa, negando pelos fatos o argumento da Log -In que o lugar por exceleência para construir um porto tem e deve ser no frontal do Encontro das Águas.

O Log-In Jacarandá faz o serviço Amazonas da Navegação Costeira, que liga Santos (SP) a Manaus (AM), passando pela região Nordeste. O navio gigante dos rios e mares foi financiado pelo Fundo da Marinha Mercante, com a ajuda do BNDES como agente financeiro, o investimento da Log-In na construção desse empreendimento soma R$ 1 bilhão, segundo informação da própria empresa.

Dos Fatos: Assim como o navio gigantes da Log-In pode subir além do Encontro das Águas e se movimentar bem bom pelas águas do Rio Negro acima, assim também a empresa bem que poderia escolher um outro local para construção do seu porto particular, livrando o Encontro das Águas dos futuros danos a sofrer, além da perda que esse golpe representa para nossa economia verde. O fato é que o terreno é da Juma Participações do grupo da coca cola (Grupo Simões) o testa da Log-In no Amazonas, com o aval do governo do Estado, representando 30% na negociação. Certamente, novos lugares podem ser buscado o que não se pode é transferir por decreto o Encontro das Águas, pois se pudesse o governo do Amazanos já teria feito assim como fizeram com o fuso horário. Fora Porto nas Lajes.

BOTE A BOCA NO TROMBONE CONTRA OS DANOS AMBIENTAIS NO AMAZONAS

Manaus vai sediar o primeiro debate sobre temas da Rio+20 no plenário da Assembléia Legislativa do Estado, na próxima sexta-feira (23). Oportunidade para que os movimentos socioambientalistas do Amazonas compareçam e botem a boca no trombone. Convocamos os atingidos pelo Prosamim; a HRT na região do Solimões; os perseguidos do Tarumã; os moradores do Jatuarana e Barcelos perseguidos pelo Exército Nacional; os moradores do Maoazinho; o S.O.S Encontro das Águas; entre outros atingidos pelos males e danos advindos dos grandes projetos promovidos tanto pelo poder público como pelas corporações privadas. Quem na participa leva...

A Frente Parlamentar Ambientalista inicia na próxima sexta (23) uma série de debates pelo País, referentes à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é sistematizar um diagnóstico e propor alternativas para solucionar ou minimizar os principais problemas ambientais.

A Rio+20 é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que será realizada no Rio de Janeiro, de 4 a 6 de junho de 2012. A expressão “+20” é usada para fazer referência aos vinte anos da “Rio 92”, ou “ECO 92”, que também ocorreu no Rio de Janeiro, considerada por especialistas a mais importante conferência ambiental mundial até hoje.

O primeiro encontro regional ocorrerá na sexta (23), na Assembleia Legislativa do Amazonas, em Manaus, e tratará do tema "Biomas: preservação, conservação e os serviços ambientais que prestam para a qualidade de vida no planeta". Os debates também contarão com a participação de parlamentares, governantes, autoridades, representantes de ONGs ambientalistas e da sociedade civil.

A programação é aberta ao público. O coordenador da frente, deputado Sarney Filho (PV-MA), disse que possivelmente a Rio+20 será o evento mais importante deste início do Século 21. “Neste momento, os Estados Unidos vivem uma crise econômica que se alastra e preocupa a todos. Mas isso não é nada diante da emergência ambiental que enfrentamos, porque o aquecimento global coloca em risco a própria vida no planeta”, afirmou.

Debates regionais: serão debatidos cinco temas, um em cada região do País, escolhidos por afetar diretamente a realidade brasileira e norteados pelos dois eixos básicos da RIO + 20: a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e o arcabouço institucional para o desenvolvimento sustentável.

Os debates são promovidos em conjunto com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara e com a Fundação S.O.S. Mata Atlântica. E conta com o apoio das assembleias legislativas dos estados que sediarão os eventos.Os outros temas contam com a seguinte programação: Recursos Hídricos – dia 21 de outubro, em Cuiabá; Meio Ambiente Urbano – dia 21 de novembro, em São Paulo; Energia – dia 16 de dezembro, em Recife; e Segurança Alimentar – dia 16 de janeiro, em Porto Alegre.

Também está na pauta dos debates o encontro "Em Busca de uma Economia Sustentável", que ocorrerá em março de 2012, em Brasília. E, em maio, acontecerá, no Rio de Janeiro, o Encontro do Segmento Parlamentar da Rio+20, com a presença de parlamentares de todo o mundo.

Fonte: http://by150w.bay150.mail.live.com/default.aspx#!/mail/InboxLight.aspx?n=1806030220!fid=1&fav=1&n=1845389773&mid=c809ef6d-e0b4-11e0-b446-002264c1ca12&fv=1

CAPITALISMO DE JAGUNÇO SOB O MANDO DA OLIGARQUIA CLEPTOCRÁTICA NO AMAZONAS

Márcio Souza (*)

Agora que estamos a mil dias da Copa do Mundo, crescem as expectativas pelas reformas e obras a serem realizadas para o grande evento esportivo. Aqui em Manaus, a não ser a construção da Arena da Amazônia, uma espécie de pastiche atarracada do Ninho de Pássaro de Pequim, só que certamente custará mais caro, as outras providências continuam nebulosas, algumas delas sequer planejadas pelas equipes do governo.

No caso do transporte público, não há boas perspectivas no horizonte. Para começo de conversa, qualquer solução, por mais moderna e brilhante que seja, esbarrará na atual máfia que domina o setor da cidade. Com esses “empresários”, que matariam de inveja Al Capone e Dillinger, a população e os visitantes continuarão mal servidos, enquanto os políticos municipais seguirão se empanturrando com as “contribuições” desses exemplos de capitalismo de juagunços.

Fala-se com insistência cada veza mais esgarçada, lá pelas bandas da Secretaria de Planejamento do Estado, conhecida por ainda não ter descoberto o que significa planejar, no famigerado Monotrilho.

Os cidadãos conscientes sabem que interesses estão nos bastidores deste desastre sobre tilhos a quatro metros de altura. A informação mais recente é de que as desapropriações já foram feitas e a navalhada no rosto da cidade, sem falar em mais uma incursão sub-reptícia aos cofres públicos, já pode ser perpetrada.

Custo a acreditar, e que meus sete leitores não me chamem de ingênuo, que o governador Omar Azize queira entrar para a História passando o trator na nossa já sofrida paisagem urbana. Como já denunciei aqui, nenhuma cidade gerida por administradores republicanos constrói vias elevadas contando espaços urbanos, condenando o trajeto à degradação. Como acontece com as áreas da baixa Manhattan, em Nova Iorque, onde foram erigidos elevados para a passagem do metrô. Mas isto foi em 1890 e esse erro não se repetiu mais.

É claro que países autoritários, sem tradição democrática, conhecidos pela corrupção de seus sátrapas, não estão nem um pouco preocupados com as conseqüências de seus atos. Mas aqui, é bom que fique claro, neste país e nesta cidade há uma democracia em construção.

Pode ser que a oligarquia atual se sinta confortável e eterna no poder, mas na política o conceito de eternidade não existe. Essa oligarquia cleptocrática, que usa o aparelho de Estado em proveito próprio está com os dias contados. Há liberdade de expressão e, como temos assistidos quase diariamente, os corruptos começam a ser denunciados pela imprensa livre.

Concorde que há uma certa leniência e o senso de punição é frouxo, mas a exposição dos ladrões representa um grande passo, obrigando-os a renunciar de seus cargos e a gastar o que roubaram com advogados, um a nova forma de distribuição de renda. Mas voltando ao tema do transporte. Este é como a segurança, um item crucial para a cidade receber seus visitantes e dar melhores condições de vida aos habitantes.

E em nossa cidade a situação é de calamidade. Ao chegar ao aeroporto, inexistem linhas de ônibus preparada para transportar passageiro com bagagem. O serviço de táxi é indigente, caro e desperta suspeita aos visitantes. Mesmo com os balcões das empresas de táxi, estes estão sempre vazios e as pessoas são abordadas na calçada, como se o serviço fosse clandestino e perigoso. Um retrato da bagunça que virou a cidade.

(*) É escritor, dramaturgo, pesquisador da história e cultura do Amazonas e articulista semanal de a Crítica.