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terça-feira, 15 de setembro de 2009

QUAL É AGENDA DO GOVERNADOR DO AMAZONAS NA EUROPA?



Em pauta, a viagem do governador do Estado do Amazonas Eduardo Braga (PMDB), a Europa. O Noticiário local, em nota periférica, informa somente que o governador viajaria hoje (15) em missão de Estado. Na agenda consta visita ao Vaticano, Itália, Mônaco e Rússia. No entanto, no site da Assembléia Legislativa do Estado e no Portal do Governo nada foi encontrado.

Na tradição democrática, o afastamento de um chefe de governo merecia transparência, publicidade e, principalmente, quando as razões apresentadas mereceram aprovação da Assembléia Legislativa do Estado, a quem compete votar autorização desse ato. Nesse caso, tanto o poder executivo quanto o legislativo sonegam ao povo do Amazonas informações relativas à viagem do mandatário do Estado, cabendo denuncia ao Ministério Público Estadual.

Na ausência de uma programação oficial fica-se apenas com as pílulas noticiadas nas colunas de opinião. Contudo, essas informações servem de baliza para se mensurar a grandeza do fato quanto aos interesses em pauta, que move o governador e sua corporação.

A palavra mágica que justifica a ausência de Eduardo Braga do Estado é, advinha se for capaz, meio ambiente traduzido em sustentabilidade. Dizem que na Itália, o governador do Amazonas vai ratificar acordo comercial sobre produtos madeireiros. Em Mônaco, dizem também que vai encontrar com o naturalista Jacques Cousteau, aquele que apelidou o boto vermelho de “boto cor de rosa”. Na Rússia deve negociar com empresários de uma fábrica de hidroaviões, na possibilidade de trazer para Amazonas com o aval do governo do Estado. Finalmente, no Vaticano deverá junto com a família visitar o Papa Bento XVI, dando explicações do abandono dos cristãos na arena política do Amazonas.

As especulações continuam. Passado uma semana o governador Eduardo Braga retornará a Manaus, falando de mais emprego a ser criado, investimento em turismo, novas certificações de madeira e por quê não, dizendo em seu programa de rádio que almoçou com o Papa e que Bento XVI pretende vir a Manaus para conhecer o Encontro das Águas, antes que se transforme num quintal da Log-In Logística Intermodal. Tudo é possível pela ausência de informação da agência do governo.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

PRESIDENTE DA FAS É TAMBÉM DA DIREÇÃO DA SADIA

A direção de qualquer empreendimento agrega valor que credencia os negócios operacionais da empresa no mercado de bens materiais ou simbólicos contidos em seu processo de produção. Em março de 2008, o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB) decidiu nomear para a presidência da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), entidade civil de direito privado, o empresário Luiz Fernando Furlan, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em setembro de 2008, após a nomeação do governador do Amazonas, a Sadia S.A. informou que Luiz Fernando Furlan passava a ocupar a presidência do Conselho de Administração da empresa. Fato ocorrido em reunião extraordinária do Conselho realizada no dia 6 de outubro, quando Walter Fontana Filho e Eduardo Fontana d’Avila, presidente e vice-presidente do Conselho, respectivamente, pediram renúncia de seus cargos. O Conselho aceitou os pedidos e nomeou Luiz Fernando Furlan para a presidência do órgão com o aval da assembléia dos acionistas.

Quanto à FAS, segundo Luiz Fernando Furlan é “instigante e desafiadora a missão, porém não impossível. Ao ser convidado pelo governador Eduardo Braga e pelo BRADESCO a presidir o Conselho da Fundação, recebi a missão de colocar em funcionamento uma fundação privada, movida por princípios e pessoas profissionais, dentro dos mais altos conceitos éticos, voltada a um substancioso plano de ação e à concretização de resultados práticos e efetivos”.

Quanto à SADIA, a empresa apresentou um prejuízo de 2,4 bilhões de reais, em 2008. O prejuízo foi causado pelas operações cambiais da empresa, que apostava na baixa do dólar. Quanto às atividades operacionais, a empresa encerra 2008 como a maior empresa brasileira exportadora de proteína animal e a maior produtora do setor de carnes. No entanto, segundo o presidente da FAS, que também é presidente da SADIA, a companhia tenta se reerguer, mas, “apesar do arrefecimento da crise mundial nas últimas semanas, a oferta de crédito para a companhia ainda não voltou à normalidade, especialmente voltado para exportação”, informou.

Nessa circunstância, se questiona a permanência do empresário da SADIA a frente da política ambiental do governo do Amazonas, valendo-se de sua própria definição relativa à missão da FAS, expressa em seu portal eletrônico, tendo por “objetivo obter uma estrutura institucional apropriada para implementar as políticas de mudanças climáticas, de Conservação Ambiental e de Desenvolvimento Sustentável, do Governo do Estado do Amazonas (...) dentro dos mais altos conceitos éticos”.

Ademais, a Amazônia precisa tanto de investimentos de fundos governamentais e de mercado, é o que diz Virgílio Viana, um dos diretores da FAS, em entrevista a Amazonia.org.br comentando as principais propostas para financiamento da proteção da floresta amazônica, como fundos governamentais e mecanismos de mercado de carbono. Assim sendo, “esbarramos com algumas dificuldades, principalmente burocráticas.
Tanto na capacitação quanto no desembolso dos recursos", explicou.

Por esta razão, a permanência do presidente da SADIA à frente da Fundação Amazonas Sustentável é injustificável, tornando-se entrave nas tratativas internacionais relativo à política ambiental do Estado, levantando suspeitas afins que desqualificam o ator junto às agencias internacionais. Nesse contexto, podemos garantir que o capital da floresta é mais significante que o capital alimentício dos frangos, perus, suínos e outros agregados frigoríficos.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

MANIFESTAÇÕES CONTRA O PRECONCEITO

Fiquei estarrecido com a declaração do Secretario de Educação do Estado do Amazonas para um grupo de estudantes do Projeto Rondon. Nela ele comenta, do alto de sua verve preconceituosa, etnocêntrica e tosca que "aqui não tem só índio. Tem gente bonita também". Dá um frio na espinha este tipo de argumento porque me faz lembrar as lições de Florestan Fernandes sobre a revolução burguesa no Brasil, pois, por mais que avance em direção a modernização ela não deixa de ter um lado sombrio, que remonta às raízes colonial, escravocrata e predatória.

Desse modo, por mais que o sistema educacional discuta educação diferenciada, cota nas universidades para indígenas subjaz nos recônditos da concepção de mundo dos nossos administradores públicos, uma visão que bebe na fonte de espíritos como o de Acuña, um cronista que, ao referir-se aos grupos indígenas que avistara na Amazônia, taquigrafava-os como monstruosidades antropomórficas.


É isso que este senhor, Gedeão Amorim, tem diante de si quando se refere aos indígenas: monstruosidades antropomórficas. Com isso, revela o projeto autoritário do atual grupo que governa este Estado.


Felizmente, o senhor em questão, freqüentou poucas vezes, como professor, a sala de aula da Universidade. Fico pensando no estrago que teria feito, em caso contrário, na formação dos discentes.


Luiz Fernando de Souza Santos
Itacoatiara (AM)

Realmente, é lamentável este ocorrido o qual o secretário de educação deu uma péssima lição de preconceito. Isto sem dúvidas são as sementes do mal, que são lançadas pelo governo do amazonas, que contaminado pelo vírus Ianque de branquear tudo, de supervalorizar o belo, isto é, o branco. Isso nos mostra que basta umas idas e vindas para bandas de lá, que nosso ilustre governador turista, logo esquece as suas origens Tupiniquins, e ainda por cima, contagia todo o seu clero com essa versão colonizadora e preconceituosa.


Mas, sem querer atribuir a culpa a outros por um fato cometido por nosso prezado secretário, nos resta esperar um pronunciamento quanto a esta gafe gravíssima cometida com nossos irmãos indígenas do Amazonas.


Devemos perguntar ao secretário se as indígenas que ele tanto admira pelos interiores do Estado, se elas são ou não bonitas?
Fica a questão: como poderemos mudar a visão que os outros Estados têm do Amazonas, se nossas autoridades agem assim, esquecendo que tem o sangue indígena em suas veias? Demonstrando total descaso por nossas raízes.

Marcos Almeida (São Paulo)