sábado, 30 de novembro de 2013

SONHOS E PESADELOS

Tenório Telles (*)



Infeliz é o País que depende de heróis. Desafortunado é o povo que espera salvadores da pátria. Mais infeliz e mais desafortunada é a Nação que se deixa dominar por embusteiros e arrivistas. O Brasil é um povo desafortunado. O Brasil é uma nação enganada e vilipendiada. O Brasil é uma terra traída e sequestrada de seu destino e sonhos.

Os governantes do Brasil foram incapazes de construir um projeto de futuro para o povo brasileiro. Os governantes do Brasil deram à sua gente um projeto de passado. São o passado. Vivemos num País em que o presente é sempre passado. Em que o futuro é um sonho do passado. Lutamos contra a ditadura - a ditadura venceu e sarney (com minúscula, mesmo) virou presidente. O passado triunfou. Batalhamos para construir uma sociedade com mais Justiça – a ditadura venceu novamente e collor (também com minúscula) virou presidente.

O passado invadiu o presente e o sonho dos brasileiros. Entraram em cena dois fantasmas: pc farias e zélia cardoso. Desperto do pesadelo, collor foi banido e voltou para Alagoas. Vieram Itamar e fernando henrique – que se uniu a marco maciel, antonio carlos magalhães – e, assim, o passado e a ditadura continuaram reinante. Para nosso infortúnio, impuseram a reeleição e, com ela, a perpetuação dos donos do poder. A perpetuação do passado.
Veio lula como o messias libertador e o condutor da pátria para o futuro. Ledo engano: logo mudou de conversa, tornou-se amigo sarney, de renan, de collor, de gerdau. Pasmem, de bush e até de maluf. E o passado venceu novamente. E como dizia vovó, que quem com porcos anda farelos como – nossos heróis passaram a frequentar a cachoeira dos ricos e, indiferentes, brindam ao passado e assumiram as velhas práticas e os velhos discursos. Que desafortunado este povo. Foi traído pelos seus governantes. Sem as antigas ilusões, precisamos reaprender a esperança e tornar em nossas mãos o sonho de construção de uma nação de verdade, sem embusteiros e arrivistas – com líderes comprometidos com os trabalhadores e com o futuro. Estadistas.

O povo brasileiro deve aprender a ser o agente de seu destino. E para os que insistem no erro de acreditar nos lobos em pele de cordeiro – é bom lembrar que o dever dos cidadãos não é ser fiel a um partido ou a uma ideologia. Ou a uma pessoa. Os cidadãos e os trabalhadores dever ser fiéis ao seu país, à nação. Aqueles que optaram pelo passado – que vivam seus pesadelos. As mulheres e os homens desta nação seguem sonhando um futuro melhor. Mais justo.


(*) É escritor, poeta, editor e articulista de A Crítica.

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