
João Bosco Araujo (*)
ATeoria Política nasceu na Grécia Antiga e Aristóteles dedicou ao tema uma das suas obras mais conhecidas, precisamente sob o título de "Política". O termo deriva de "polis", em grego cidade, quando cada uma delas era um Estado com governo próprio e autônomo, a constituir uma sociedade nacional.
A polis era a pátria, o país na acepção atual, onde o cidadão habitava e tinha o seu domicílio, e a política era o corpo teórico que tratava da sua melhor gestão possível, tendo em vista sempre o bem-viver de todos os habitantes.
No Brasil de hoje os objetivos visados pela teoria aristotélica foram claramente abandonados pelos nossos políticos, ou por quase todos eles, que relegaram o bem comum a um plano inferior, sobrepondo-lhe, às escâncaras, seus próprios interesses pessoais e dos grupos em que se inserem.
Na verdade, o Estado Brasileiro é hoje sistematicamente loteado entre os grupos que integram e dominam os partidos políticos, e sempre à vista da obtenção e preservação das vantagens que lhes podem proporcionar poder e riqueza.
O Poder Executivo, centralizado na Presidência da República e diretamente detentor da gestão do Estado, necessita do respaldo político do Poder Legislativo, instalado no Congresso Nacional, a fim de lograr a desejável desenvoltura das ações de governo.
O Congresso, enquanto casa do povo, ao abrigar as representações de todos os segmentos e estratos da sociedade nacional, há necessariamente que conter partidos de apoio e de oposição ao governo, que pela tradição sentavam-se à direita e à esquerda do plenário e assim deram origem a essas expressões topográficas que acabaram por conter significados ideológicos.
Ocorre que o verdadeiro espírito republicano exige que as negociações políticas se dêem no ambiente parlamentar, onde o governo legitimamente busca a formação de uma maioria que o sustente e viabilize a execução de um plano ou projeto que é dado a conhecer com anterioridade e absoluta transparência, porque ali é o lugar das discussões, das negociações, dos avanços e das cessões, onde os confrontos somente se justificam na medida em que cada delegação defende honestamente a tese que crê ser a mais conveniente ao bem-estar da sociedade.
No Brasil, os partidos não explicitam seus programas, até porque não os têm, e enunciam discursos vazios, demagógicos e populistas. No parlamento, se oferecem apoio ao governo, e não ao plano do governo, apenas pretendem ganhar uma ou algumas fatias do aparelho estatal, sob a forma de ministérios, para neles instalar seus asseclas mais confiáveis (para eles mesmos), e constituí-los em verdadeiros feudos onde tudo vale, desde que para atender a interesses de pessoas ou grupos, ignorando a sociedade que lhes concedeu mandato e à qual deveriam servir.
(*) É professor de filosfoia da UFAM, aposentado, foi o primeiro diretor eleito do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL). É também articulista do Amazonosa Em Tempo.
Fonte: http://www.emtempo.com.br/opiniao/artigos/6574.html
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