terça-feira, 29 de março de 2011

ETERNAMENTE SÚDITOS

Ellza Souza (*)

O brasileiro tem um hábito real e se orgulha disso, acho. Se o “fino” rei dom João VI arriava as calças para fazer as suas necessidades na rua, tem muito brasileiro por aí que o imitam perfeitamente. Vimos no carnaval onde as pessoas comem e bebem muito nas vias públicas, que na hora do aperto é só imitar a realeza portuguesa. Se o rei pode a plebe também pode.

Nas praias, de rio ou de mar, as pessoas se embolam por entre os detritos de toda ordem. Ordem? Só se for a real. Esgotos que escorrem a céu aberto ao lado do banhista, garrafas e latas sem fim, preservativos, sacolas plásticas, restos de salgadinhos deixados para os ratinhos, baganas de cigarros, excrementos caninos e humanos e outros. Ninguém quer guardar seu lixo para colocar na lixeira. É mais fácil dar uma de súdito real a pensar como alguém que estudou, evoluiu e chegou garbosamente a esse mundo tão moderno de ações e relações.

Jogar lixo ao relento é algo completamente antiético no mundo pós coroa portuguesa. Achar que o Estado vai juntar tudo que jogamos nas ruas e rios não funciona pois sabemos que sobra para a população, sujismundo ou não, que é quem realmente freqüenta os lugares públicos e sofre as doenças. Autoridades bem criadas num outro nível fazem compras em plagas limpas como os Estados Unidos e Europa, andam de helicóptero e têm sempre um servo para juntar seu lixinho. Como o rei.

Quero muito ver como vai ficar o centro da cidade de Manaus quanto ao quesito lixo (sem falar do transporte coletivo, do patrimônio histórico, do trânsito, da água) durante a tão falada Copa do Mundo, por conta do que estão sendo tomadas grandes decisões que nos afetarão para o bem ou para o mal. Deus que nos acuda sempre.

O grande problema é que falta o básico: a boa educação advinda de um ensino público e privado eficiente e bem pago. Nisso regredimos e estamos longe de alcançar sucesso. Então o jeito é sobreviver em meio à própria ignorância, onde se explicam muitas mazelas coletivas. A vida e o bem estar da sociedade dependem de cada um, ao desempenhar o importante papel de um ser que pensa e busca a felicidade junto com outros. Não jogue esse papel na lata do lixo.

(*) É jornalista, escritora e colaboradora do NCPAM/UFAM.

Nenhum comentário: