sexta-feira, 27 de novembro de 2009

AS PROMESSAS ELEITORAIS E A PREOCUPAÇÃO COM O GASODUTO DE MANAUS


Como nos velhos tempos, o Presidente Lula vestiu o macacão dos operários da PETROBRAS para participar da cerimônia de inauguração do gasoduto Urucu-Coari-Manaus realizada na quinta-feira (26), na Refinaria Isaac Sabbá (REMAN).

A empresa da PETROBRAS é a primeira unidade a receber o gás natural, com um consumo inicial de 77 mil metros cúbicos por dia. Sendo que somente partir de 2010, é que a proposta alcançará a densidade de 253 mil, isso significa que até lá, com aproximação das eleições, teremos novas inaugurações.

“Tivemos muitos desafios para construir essa obra. Principalmente os primeiros operários que no meio da floresta fizeram as buscas iniciais pelo gás. Durante os trabalhos mantivemos uma relação de respeito com a natureza. Urucu é um orgulho para a PETROBRAS. É um orgulho para o Amazonas”, disse o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli. O gasoduto tem 661 km de extensão na linha tronco, que liga Urucu a Manaus, e sete ramais para atendimento às cidades de Coari, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba, com 140 km de extensão.

A funcionária da Petrobrás e operária do gasoduto Josiane Dias teve a oportunidade de falar em nome dos milhares de homens e mulheres que colaboraram para a obra. Para ela, o gasoduto é um marco histórico para o país. “Estive desde o início da obra. Faço parte da engenharia e acompanhei de perto toda a construção. Quero parabenizar a PETROBRAS principalmente pela responsabilidade social e ambiental com a qual o gasoduto foi construído. Tivemos muitas dificuldades. Mas, hoje estamos aqui para comemorar”, ressaltou Josiane.

A obra faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e representa um importante meio para uma mudança significativa na matriz energética do estado do Amazonas. Principalmente ao permitir a substituição do óleo diesel e do óleo combustível pelo gás natural para geração de energia elétrica.

A mina é a segunda maior reserva de gás natural do país - O gasoduto tem capacidade inicial para transportar 4,1 milhões de metros cúbicos/dia. Com a instalação de duas estações de compressão intermediárias entre Urucu e Coari alcançará 5,5 milhões, a capacidade total contratada, em setembro de 2010, quando se pretende mudar a matriz energética do Amazonas definitivamente para o gás natural, afirma o governo do Estado e o Presidente Lula.

O gasoduto, segundo os políticos candidatos, disponibilizará para o mercado o gás natural produzido na Bacia do Solimões estimada em 52,8 bilhões metros cúbicos, atrás apenas do Rio de Janeiro. Até então, a produção era reinjetada por falta de infraestrutura de transporte.

A operação do gasoduto será feita pela TRANSPETRO. Por conta das condições específicas da Amazônia, uma equipe de operadores foi treinada durante dois anos para assumir o trabalho. Assim como os demais gasodutos sob a responsabilidade operacional da empresa, o Urucu-Coari-Manaus será operado de forma remota e automatizada por meio do Centro Nacional de Controle Operacional (CNCO), com sede no Rio de Janeiro.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, também esteve na inauguração, falou sobre a importância da obra e reconheceu o esforço de cada trabalhador para que o gasoduto fosse concluído. “Esta é uma cerimônia de reconhecimento dos homens e mulheres que trabalharam nessa obra. O governador do Estado, meu amigo Eduardo Braga, permitiu que realizássemos esse sonho, que era trazer o gás para o Amazonas. Eu me considero uma brasileira do Amazonas e hoje estamos aqui para festejar o gasoduto, que saiu do papel. O gasoduto é uma prova de que é possível o desenvolvimento sustentável no Brasil”, relatou Dilma Rousseff.

O Urucu-Coari-Manaus também se destaca pelas soluções inéditas de engenharia adotadas durante a construção e que permitiram a conclusão da obra no menor prazo possível, com respeito ao meio ambiente. O gasoduto cruza a Floresta Amazônica, região marcada pelas constantes chuvas e por condições de solo pouco propícias para o transporte de máquinas e acesso de trabalhadores aos canteiros de obras.

Para ultrapassar as dificuldades, a PETROBRAS adotou, a partir de 2008, uma metodologia similar a adotada para dutos marítimos. Quando parte de gasodutos ficam sob os rios. A solução permitiu a continuidade dos trabalhos durante o inverno e em área de difícil acesso. Para reduzir, o tempo e a distância de deslocamento dos operários até o local das obras, foram instalados 22 acampamentos de selva, com capacidade para abrigar 160 pessoas cada um, seguindo os modelos adotados pelo exército para sobrevivência na selva.

A Petrobrás também implantou medidas adicionais para preservação dos rios e igarapés da região. Nos 661 km de extensão da linha tronco do gasoduto, foram realizados 19 furos direcionais, obras especiais onde o gasoduto é enterrado abaixo do leito do rio. O mais longo e profundo foi o do Rio Solimões. Foram 1.841, 72 metros de extensão, sob 102 metros de profundidade.

O gasoduto Urucu-Coari-Manaus foi a obra de dutos no país com maior percentual de uso de mão-de-obra local: 70%. Cerca de 8,9 mil trabalhadores atuaram diretamente na construção e outros 26,7 mil empregos indiretos foram gerados a partir da obra. Dos trabalhadores envolvidos no empreendimento, 8,7% eram mulheres (774). De todo material utilizado na obra, 95% foi produzido no Brasil. Já em relação às máquinas e aos equipamentos foi de 85%. A obra custou R$ 4,5 bilhões e encerra uma verdadeira novela que começou em 1986, quando as reservas de gás e petróleo de Urucu foram dimensionadas.

Em Manaus, as obras do gasoduto cortaram a cidade de norte a sul, criando vários transtornos no trânsito, que por si só já é bastante conturbado. Esclarecidos ou não, os moradores querem saber como é que a PETROBRAS vai controlar qualquer vazamento de gás na rede. Os especialistas explicam que cada duto é revestido de fibra ótica interna e externa o que possibilita um monitoramente total sobre o serviço prestado. No entanto, por falta de informação e pelo senso comum, os moradores de Manaus, em sua maioria, não estão convencidos dessa realidade porque os dutos foram alocados diretamente nas valas subterrâneas sem nenhuma plataforma protetora, criando expectativas de que, a partir de agora Manaus está centrada numa bomba, podendo ser vítima dos próprios desmandos presenciados hoje, quando o Governo ou a Prefeitura asfaltam uma determinada rua e logo em seguida vem a empresa de água ou outra qualquer e resolve perfurar a mesma área, sem nenhum planejamento orgânico, visando unicamente drenar recurso para os empreendimento privados sob a influência de políticos poderosos do Estado. Assim sendo é preciso que todos estejam convencidos que os determinantes de uma política de inovação exigem dos governantes não só apropriação da ciência tecnológica, mas também a implantação de uma cultura gestora participativa e republicana, o que por aqui está muito longe de se vivenciar.

Fonte: http://www.rebeccagarcia.com.br/

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